A maternidade depois dos 40 anos deixou de ser uma exceção e passou a fazer parte da realidade de um número crescente de mulheres. Em 2026, o tema voltou aos holofotes com anúncios de gravidez de personalidades como a jornalista Maju Coutinho, aos 48 anos, a apresentadora Sabrina Sato, aos 45, e a atriz norte-americana Anne Hathaway, aos 43. A modelo Gisele Bündchen também se tornou um exemplo recente de gestação após os 40: aos 44 anos, ela engravidou do terceiro filho.
Mais do que uma tendência entre celebridades, as histórias ajudam a colocar em discussão uma realidade que envolve mudanças nos projetos de vida, avanços da medicina reprodutiva e o adiamento da maternidade por motivos profissionais, pessoais ou financeiros.
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Segundo a ginecologista e obstetra Karoline Prado, engravidar após os 40 anos é possível, mas exige que a mulher compreenda que a idade materna interfere em alguns aspectos da reprodução e da gestação.
“A gravidez após os 40 anos não deve ser encarada como uma impossibilidade nem como sinônimo automático de uma gestação de alto risco. Porém, é uma fase em que alguns riscos obstétricos e fetais aumentam e, por isso, o acompanhamento precisa ser individualizado e, muitas vezes, mais cuidadoso. A idade é apenas um dos fatores que precisamos considerar”, explica Karoline.
Fertilidade é um dos principais desafios
Um dos primeiros pontos que precisam ser considerados é a própria capacidade reprodutiva. A reserva ovariana e, principalmente, a qualidade dos óvulos diminuem progressivamente com a idade, o que reduz as chances de uma gravidez espontânea e aumenta a probabilidade de alterações cromossômicas.
Isso não significa, entretanto, que uma mulher acima dos 40 anos não possa engravidar naturalmente. A possibilidade existe, mas as chances são menores quando comparadas às de mulheres mais jovens.
“A idade dos óvulos é um fator importante. Com o passar dos anos, aumenta a probabilidade de alterações cromossômicas e também pode haver maior dificuldade para engravidar. Por isso, para quem deseja postergar a maternidade, conversar previamente com um especialista pode ser muito importante para entender as possibilidades, inclusive quando há interesse em preservação da fertilidade”, afirma a ginecologista.
O caso de Maju Coutinho também reacendeu a discussão sobre congelamento de óvulos. A jornalista, que anunciou a gravidez aos 48 anos, já havia contado publicamente que havia congelado seus óvulos e falado sobre os dilemas relacionados à maternidade e à pressão social para ter filhos.
Quais riscos aumentam depois dos 40?
Durante a gestação, a idade materna avançada está associada a uma maior probabilidade de algumas complicações, como hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, alterações cromossômicas e determinadas complicações obstétricas. A presença de doenças pré-existentes, como hipertensão, diabetes, obesidade e alterações da tireoide, também precisa ser avaliada.
A Febrasgo destaca que o diabetes gestacional é uma das complicações mais frequentes da gravidez e que a idade materna avançada está entre os fatores associados a um maior risco. Já a hipertensão na gestação e a pré-eclâmpsia exigem acompanhamento rigoroso porque podem trazer consequências para a saúde materna e fetal.
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“O mais importante é não olhar apenas para a idade da gestante. Uma mulher de 42 anos saudável pode ter uma evolução completamente diferente de outra mulher da mesma idade que apresenta hipertensão, diabetes, obesidade ou alguma doença pré-existente. Por isso, o planejamento da gravidez e a avaliação clínica antes mesmo da concepção são tão importantes”, destaca Karoline Prado.
Outro aspecto que merece atenção é o acompanhamento fetal. Com o avanço da idade materna, aumenta a possibilidade de alterações cromossômicas, o que pode levar à indicação de exames específicos durante o pré-natal, de acordo com a avaliação médica e as características de cada gestação.
Pré-natal começa antes do teste positivo
Para mulheres que pretendem engravidar após os 40, a recomendação é que o cuidado não comece apenas depois da confirmação da gestação.
Uma consulta pré-concepcional permite avaliar histórico médico, medicamentos em uso, vacinação, peso, pressão arterial, glicemia, funcionamento da tireoide, hábitos de vida e outros fatores que possam interferir na gravidez.
“Quando existe planejamento, conseguimos identificar e corrigir previamente muitos fatores que podem interferir na gestação. Avaliar a saúde da mulher antes de engravidar permite fazer ajustes na alimentação, atividade física, medicamentos, suplementação e controle de doenças crônicas, quando necessário. É uma oportunidade de começar a gravidez nas melhores condições possíveis”, orienta a médica.
Depois da confirmação da gravidez, o pré-natal passa a acompanhar de perto a saúde materna e o desenvolvimento do bebê, com exames laboratoriais, ultrassonografias e avaliações específicas conforme a necessidade.
Celebridades ajudam a mudar a conversa sobre maternidade
Os anúncios de Maju Coutinho, Sabrina Sato e Anne Hathaway mostram que não existe uma idade única para a maternidade. Sabrina, aos 45 anos, está grávida do primeiro filho com Nicolas Prattes e já é mãe de Zoe, enquanto Anne Hathaway, aos 43, espera o terceiro filho.
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Gisele Bündchen, por sua vez, engravidou aos 44 anos e teve seu terceiro filho, reforçando a visibilidade das gestações após os 40.
Para Karoline, essas histórias podem contribuir para ampliar a discussão, desde que não criem a falsa impressão de que a gravidez acontece da mesma maneira para todas as mulheres.
“É positivo vermos mulheres falando sobre maternidade em diferentes fases da vida, porque isso ajuda a quebrar a ideia de que existe um único momento considerado ‘certo’ para ser mãe. Mas também precisamos ter cuidado para não transformar histórias individuais em uma regra. Cada mulher tem uma reserva ovariana, uma condição clínica, um histórico reprodutivo e uma realidade diferente”, ressalta.
A especialista reforça que a mensagem mais importante não é estabelecer uma idade limite para a maternidade, mas incentivar informação e planejamento.
“A gravidez após os 40 pode evoluir muito bem, mas não deve ser romantizada nem tratada com alarmismo. O caminho mais seguro é entender os riscos individuais, fazer um bom planejamento e manter um pré-natal adequado. A medicina existe justamente para acompanhar cada gestação de acordo com as necessidades daquela mulher e daquele bebê”, destaca a especialista.
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