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Danos na pele e acne: perigo de usar cosméticos por influência da internet

A compra de produtos para a pele influenciada pelas redes sociais correlacionou-se com danos à barreira cutânea significativamente maiores e com uma prevalência de acne grave em comparação com pessoas que não adquiriram esses produtos

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O consumo de cosméticos impulsionado pelas redes sociais parece fazer mais mal do que bem para a pele. Um estudo recente publicado no Journal of Cosmetic Dermatology mostrou que essa prática está fortemente associada a danos na barreira cutânea e ao agravamento da acne.

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“Por outro lado, o estudo mostrou que seguir relatos de dermatologistas surgiu como um fator de proteção contra danos à barreira cutânea. Ou seja, a produção de conteúdo baseada em evidências por dermatologistas nas plataformas de redes sociais pode contribuir positivamente para o processo de cuidado ao paciente”, esclarece a dermatologista e diretora da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo (SBD-RESP), Sylvia Ypiranga.





Segundo a dermatologista, a compra de produtos para a pele influenciada pelas redes sociais correlacionou-se com danos à barreira cutânea significativamente maiores (64,3% vs. 10,2%) e com uma prevalência de acne grave (41,7% vs. 18,1%) em comparação com pessoas que não compraram esses produtos.



“Os danos à barreira cutânea aumentaram com o número de produtos utilizados, atingindo 77,8% entre os pacientes que usavam mais de cinco produtos, o que é consistente com a exposição cumulativa a irritantes ou sensibilizantes provenientes de regimes de tratamento com múltiplas etapas”, destaca o dermatologista e diretor de comunicação da SBD-RESP, Daniel Cassiano.



O estudo identificou a consulta tardia e a compra impulsionada pelas redes sociais como preditores independentes de lesão por barreira. “Um dermocosmético não deve ser escolhido apenas porque funciona para outra pessoa ou porque determinado ativo está em alta nas redes sociais. A barreira cutânea é uma estrutura dinâmica e pode ser alterada quando há uso excessivo ou combinado de produtos com potencial irritativo, especialmente quando a pessoa associa vários ácidos, retinoides, esfoliantes ou outros ativos sem considerar a frequência e a tolerância da própria pele. Isso pode levar a ressecamento, ardor, descamação, vermelhidão e aumento da sensibilidade. Quanto maior o número de produtos e etapas incorporados à rotina, maior também pode ser a exposição cumulativa a substâncias potencialmente irritantes”, explica a presidente da SBD-RESP, Jade Cury.


A plataforma e o tipo de conta foram importantes. O uso do TikTok e o seguimento exclusivo de influenciadores estiveram associados a maiores compras, atraso no atendimento médico e maior gravidade dos sintomas.


Foi o que aconteceu com a recepcionista Maiara Rodrigues dos Santos, de 21 anos, que tem acne desde 2021 e começou a utilizar um produto para tratar a doença após pesquisar no TikTok sobre cuidados com a acne.


"Vi vídeos falando sobre dois produtos. Cheguei a comprá-los, só que um deles eu quase não usei porque depois vi que algumas pessoas disseram que não era bom", disse a recepcionista. Como o tratamento não eliminou a acne, alguns efeitos colaterais da doença surgiram, como pequenas cicatrizes.


Hoje, já com auxílio dermatológico, faz tratamento com um medicamento oral à base de isotretinoína (padrão-ouro para acne), recomendado pelo dermatologista. "Já está começando a sair algumas espinhas. O médico recomendou esse tratamento porque meu rosto já tem alguns 'furinhos' (cicatrizes), que é algo que me incomoda muito", diz a recepcionista.



Por outro lado, o estudo mostrou que seguir dermatologistas teve um efeito protetor, de acordo com o trabalho. O estudo incluiu 408 pacientes com idades entre 12 e 45 anos que compareceram a uma clínica dermatológica ambulatorial. A idade média foi de 20,9 anos e 77,5% dos participantes eram do sexo feminino.


No trabalho, um dermatologista avaliou a gravidade da acne, os danos à barreira cutânea e o uso de cosméticos, enquanto os pacientes relataram seus hábitos nas redes sociais, o uso de produtos e os motivos para adiar o atendimento médico. No geral, 28,2% relataram ter comprado um produto para a pele depois de vê-lo nas redes sociais e 34,1% disseram que as recomendações das redes sociais atrasaram a consulta médica.


“Os autores observaram uma associação paradoxal entre o conhecimento da terminologia dermocosmética e os resultados clínicos. Pacientes que conheciam mais termos apresentaram maiores taxas de compra de produtos, danos à barreira cutânea e atraso na consulta. No entanto, devido ao delineamento transversal do estudo, os resultados demonstram associações, e não causalidade”, destaca Daniel.


O tipo de perfil seguido também se mostrou importante. “Pacientes que seguiam apenas perfis de influenciadores apresentaram taxas substancialmente maiores de danos à barreira cutânea e acne grave do que aqueles que seguiam apenas perfis de dermatologistas, apesar de os dois grupos relatarem o mesmo número médio de termos dermocosméticos conhecidos. Danos à barreira cutânea ocorreram em 53,0% dos seguidores apenas de influenciadores, em comparação com 8,3% dos seguidores apenas de dermatologistas, enquanto acne grave ocorreu em 42,6% e 12,2%, respectivamente”, esclarece Sylvia.


“Um dos principais problemas de seguir exclusivamente recomendações encontradas nas redes sociais é que isso pode dar ao paciente a falsa impressão de que a acne pode ser controlada indefinidamente com produtos cosméticos. Enquanto ele testa diferentes combinações e espera resultados, a doença pode continuar evoluindo. O atraso na avaliação dermatológica é especialmente preocupante porque a acne não é apenas uma questão estética: dependendo da gravidade e do tempo de evolução, ela pode deixar cicatrizes permanentes e também causar impactos importantes na autoestima e na qualidade de vida. O tratamento precoce e individualizado permite identificar a gravidade da doença e definir uma estratégia adequada antes que as lesões e suas consequências se agravem”, explica Daniel Cassiano.

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É fundamental que a prescrição de um dermocosmético seja realizada por um dermatologista. “E essa prescrição começa muito antes da indicação de um produto. O dermatologista avalia o diagnóstico e o objetivo do tratamento, além de observar características como oleosidade, grau de hidratação, sensibilidade, presença de acne, descamação, vermelhidão, manchas e sinais de comprometimento da barreira cutânea. Também consideramos tratamentos que o paciente já utiliza, frequência de aplicação e tolerância individual. A partir dessa avaliação, podemos selecionar o ativo, a concentração, a formulação e a frequência de uso mais adequados para aquela pele. Essa individualização é importante porque um produto eficaz em uma pessoa pode ser inadequado para outra, e até um ativo com boa evidência pode causar irritação quando utilizado de maneira incorreta”, reforça Sylvia Ypiranga.


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