SAÚDE OCULAR

Descolamento de retina é uma emergência oftalmológica

Por falta de informação, a condição é muitas vezes negligenciada. Demora no tratamento eleva o risco de sequelas visuais ou até cegueira irreversível

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O descolamento de retina é uma das emergências oculares mais sérias da medicina oftalmológica. De comportamento silencioso, sem causar dor ou vermelhidão no olho, pode demorar a ser percebido na fase inicial, o que aumenta sua gravidade. Os principais sinais são flashes de luz associados a pontos pretos ou teias que flutuam no campo visual, as chamadas moscas volantes.

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Esses sintomas geralmente surgem de forma repentina e tendem a piorar continuamente. Um alerta de que a condição avançou é notar uma mancha escura que progride da periferia em direção ao centro da visão.





Médico oftalmologista do HOPE - Hospital de Olhos de Pernambuco, Marcelo Ventura Filho explica que "o mais comum é o descolamento de retina regmatogênico. Ele ocorre quando a retina, tecido localizado no fundo do olho que é responsável pela visão, sofre uma lesão e separa da coroide, camada vascular que fornece oxigênio e nutrientes. Sem a irrigação sanguínea adequada, as células da retina passam a sofrer e quanto mais o descolamento persiste, maior o risco de sequelas visuais. A intervenção cirúrgica ágil é fundamental para preservar a saúde ocular".



O médico diz que, além do regmatogênico, há dois outros tipos de descolamento de retina que merecem atenção:


- Tracional: frequente em pacientes com retinopatia diabética proliferativa, fase mais avançada da doença ocular. O crescimento de vasos anômalos e sua posterior regressão exerce uma força de tração mecânica que puxa a retina para fora de sua posição original.


- Exsudativo: ocorre pelo extravasamento de fluido abaixo da retina sem a presença de rasgos. Pode estar associado a inflamações, anomalias vasculares no olho, tumores oculares, entre outras doenças.



"Embora o descolamento de retina possa acometer qualquer pessoa, o risco aumenta significativamente entre indivíduos com alta miopia, histórico familiar ou pessoal prévio de descolamento, traumas diretos na região ocular ou na cabeça", complementa o especialista.


Opções de tratamento


O tratamento para o descolamento de retina é estritamente cirúrgico na grande maioria dos casos. De acordo com Marcelo Ventura Filho, "a escolha da técnica depende da extensão, do tipo de descolamento e da localização da lesão. O objetivo é encontrar e fechar todos os rasgos, drenar o líquido que se acumulou sob a retina e colocá-la novamente na posição original."



O oftalmologista fala das técnicas disponíveis:


- Fotocoagulação a laser ou criopexia: indicadas para lesões ou pequenos rasgos retinianos detectados precocemente, e de localização ainda periférica. O laser ou o congelamento promovem uma cicatrização na região da lesão que forma uma barreira, evitando que o descolamento progrida.


- Vitrectomia Via Pars Plana (VVPP): procedimento cirúrgico no qual o gel vítreo é removido e substituído por uma bolha de gás ou óleo de silicone. A fotocoagulação também é realizada para formar uma barreira e isolar as áreas de lesão na retina.


- Retinopexia por introflexão escleral: aplicação de uma faixa de silicone ao redor do globo ocular, que pressiona a parede do olho suavemente contra a retina descolada para ajudar a colar a retina. Esse procedimento também é realizado em conjunto com fotocoagulação ou crioterapia para fortalecer as áreas afetadas.


- Retinopexia pneumática: injeção de uma pequena bolha de gás expansível dentro da cavidade vítrea combinada a laser. O gás ajuda a reposicionar e suportar a retina enquanto o laser fortalece a retina formando uma barreira nas áreas afetadas.

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"A evolução da capacidade de enxergar vai depender diretamente do tempo decorrido entre o surgimento dos sintomas e a realização do procedimento, bem como do envolvimento ou não da mácula, região central da retina responsável pela visão de leitura", esclarece o médico.



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