Câncer de fígado: dez passos do que fazer para prevenir a doença
O câncer de fígado é uma das principais causas de morte e invalidez. E cresce a participação da obesidade e de distúrbios metabólicos como causa da doença
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O câncer de fígado tem causas que podem ser evitadas por meio do controle de fatores de risco modificáveis, incluindo o vírus da hepatite B (VHB), o vírus da hepatite C (VHC), o consumo de álcool e a MASLD (doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, anteriormente chamada de doença hepática gordurosa não alcoólica).
“Existem maneiras de reduzir esses fatores de risco, incluindo o aumento da cobertura da vacina contra hepatite B e políticas de saúde pública voltadas para a obesidade e o consumo de álcool”, explica o médico oncologista do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil (São Paulo), vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Ramon Andrade de Mello. “É necessário aumentar a conscientização das pessoas sobre os riscos da obesidade, do consumo de álcool e de não tomar vacinas”, acrescenta.
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O câncer de fígado já é uma das principais causas de morte e invalidez. “Globalmente, é o sexto tipo de câncer mais comum e a terceira principal causa de morte por câncer”, explica o médico. O oncologista analisa que é necessário frear a esteatose hepática associada à disfunção metabólica (MASH), uma forma grave de MASLD. Ela é, hoje, a causa de câncer de fígado que mais cresce no mundo, seguida pelo álcool.
“Antigamente, acreditava-se que o câncer de fígado ocorria principalmente em pacientes com hepatite viral ou doença hepática relacionada ao álcool. No entanto, hoje, as crescentes taxas de obesidade são um fator de risco crescente para o câncer de fígado, principalmente devido ao aumento de casos de excesso de gordura ao redor do fígado”, diz o oncologista.
Como recomendação individual, para cada um tentar se afastar do risco do câncer, o médico sugere mudança de hábitos. Dentre elas:
- Reduza o excesso de peso corporal de forma gradual e sustentável
“O acúmulo de gordura visceral, especialmente no fígado, é um dos principais fatores de risco para a progressão da MASLD para MASH (forma inflamatória da doença). A perda de 7% a 10% do peso corporal já promove redução significativa da gordura hepática, da inflamação e da fibrose”, explica.
- Aumente o consumo de fibras alimentares
“As fibras melhoram o controle glicêmico, reduzem a resistência à insulina e modulam o metabolismo lipídico, reduzindo a esteatose hepática. As fontes são: vegetais, frutas com casca, grãos integrais (aveia, quinoa, arroz integral), leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico).”
- Evite alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, gorduras saturadas e sódio
Itens como refrigerantes, fast food, biscoitos recheados e embutidos estão associados ao aumento de gordura no fígado, obesidade e inflamação sistêmica. “Substitua por alimentos in natura ou minimamente processados”, comenta Ramon.
- Modere o consumo de álcool (ou evite, se possível)
O álcool é um agente hepatotóxico independente, mas seu efeito é potencializado quando combinado com obesidade ou MASLD. “Mesmo pequenas quantidades podem ser prejudiciais para quem já tem alterações hepáticas”, comenta.
- Inclua fontes de gorduras boas na dieta
“Abacate, azeite de oliva extra virgem, castanhas e sementes são aliados na redução da inflamação hepática, pois são gorduras que não são saturadas e, juntamente com peixes ricos em ômega-3 (salmão, sardinha, atum), ajudam a melhorar o perfil lipídico e a reduzir a gordura no fígado”, explica.
- Mantenha uma rotina alimentar com baixo índice glicêmico
“Evite picos de glicemia, que agravam a resistência à insulina, contribuindo para a esteatose hepática. Priorize carboidratos complexos e inteiros, como arroz integral, batata-doce, legumes e vegetais”, diz o médico.
- Pratique atividade física regular
O exercício físico aumenta a sensibilidade à insulina e contribui para a redução da gordura hepática mesmo sem perda de peso expressiva. “Tanto exercícios aeróbicos quanto os exercícios de força devem fazer parte da rotina. Recomenda-se pelo menos 150 minutos por semana de atividade física moderada.”
- Faça exames de rotina
Peça uma avaliação da saúde hepática se você tiver obesidade, diabetes ou dislipidemia. “O rastreio precoce de alterações hepáticas permite intervenção antes da progressão para cirrose ou câncer”, diz o oncologista.
- Consuma probióticos e alimentos fermentados (quando indicados)
O eixo intestino-fígado pode influenciar na inflamação hepática. “Iogurtes naturais, kefir e kombucha podem ajudar, mas devem ser escolhidos sem adição de açúcar”, recomenda.
- Hidrate-se adequadamente e evite bebidas adoçadas
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A ingestão de água é essencial para o metabolismo hepático. “Evite sucos industrializados e bebidas açucaradas, pois elas contêm frutose concentrada e sem fibras. Diferentemente da frutose das frutas, a dessas bebidas sobrecarregam o fígado.”