Barriga grande é sinal de gordura no fígado? Entenda a relação
A gordura visceral libera substâncias inflamatórias e favorece a resistência à insulina, dois fatores centrais no desenvolvimento da esteatose hepática
compartilhe
SIGA
A presença de uma barriga mais volumosa vai muito além de uma questão estética. Em muitos casos, ela pode ser um sinal de alerta para problemas metabólicos, incluindo a esteatose hepática, conhecida popularmente como gordura no fígado. Mas será que toda barriga grande indica que o fígado está comprometido?
Segundo o endocrinologista e nutrólogo Vagner Chiapetti, a relação existe, mas precisa ser bem compreendida. “A gordura abdominal, especialmente a gordura visceral, é metabolicamente ativa e está diretamente associada ao acúmulo de gordura no fígado. Por isso, uma barriga aumentada pode, sim, ser um indicativo de risco”, explica.
- 5 sinais que seu fígado não está saudável
- Composição corporal e gordura abdominal: verdadeiros marcadores de saúde
Diferentemente da gordura subcutânea, aquela que fica logo abaixo da pele, a gordura visceral se acumula profundamente no abdômen, ao redor dos órgãos. “Essa gordura libera substâncias inflamatórias e favorece a resistência à insulina, dois fatores centrais no desenvolvimento da esteatose hepática”, afirma o médico.
Por esse motivo, pessoas com circunferência abdominal aumentada apresentam maior risco de desenvolver não apenas gordura no fígado, mas também diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares.
Apesar da associação, o especialista ressalta que nem toda pessoa com abdômen aumentado tem gordura no fígado. “Existem diferenças individuais, genéticas e hormonais. Além disso, fatores como consumo excessivo de álcool, alimentação rica em ultraprocessados e sedentarismo também influenciam diretamente o fígado, independentemente do tamanho da barriga”, explica.
Leia Mais
Por isso, o diagnóstico da esteatose não deve ser feito apenas pela aparência física. “Exames de sangue e de imagem, como ultrassonografia, são fundamentais para confirmar o quadro”, reforça.
Para o endocrinologista, o aumento da gordura abdominal deve ser encarado como um sinal de atenção. “A barriga grande, muitas vezes, é o primeiro aviso visível de que algo no metabolismo não está indo bem. Ignorar esse sinal pode permitir que a esteatose avance silenciosamente”, alerta.
A boa notícia é que o quadro pode ser revertido, especialmente quando identificado precocemente. “A redução da gordura abdominal, por meio de alimentação equilibrada, atividade física e, quando indicado, tratamento médico, costuma levar também à melhora da gordura no fígado”, comenta o especialista.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Vagner destaca que o acompanhamento médico é essencial para avaliar riscos e definir a melhor estratégia de tratamento. “Cuidar da saúde metabólica é cuidar do fígado. Pequenas mudanças no estilo de vida já podem trazer grandes benefícios a curto e longo prazo”, afirma.