Menopausa e colesterol: a conexão silenciosa que muita mulher desconhece
Queda hormonal pode interferir no metabolismo, na gordura abdominal e no risco cardiovascular feminino
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Quando se fala em colesterol alto, a primeira associação costuma ser com alimentação inadequada, sedentarismo ou histórico familiar. Mas existe uma conexão menos conhecida, especialmente entre as mulheres: a relação entre colesterol e menopausa. Com a chegada do climatério e da menopausa, a queda do estrogênio pode interferir na forma como o organismo distribui gordura, regula o metabolismo e protege o sistema cardiovascular.
O tema ganha ainda mais relevância em 8 de agosto, Dia Nacional de Combate ao Colesterol, data que chama atenção para um fator de risco silencioso e diretamente associado a doenças cardiovasculares. Embora o colesterol seja necessário para funções importantes do organismo, como a produção de determinados hormônios, o desequilíbrio entre suas frações pode trazer riscos. O LDL, conhecido como “colesterol ruim”, favorece o acúmulo de placas nas artérias, enquanto o HDL, chamado de “colesterol bom”, atua de forma mais protetora.
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O ponto curioso é que, na menopausa, o colesterol pode subir mesmo quando a mulher não faz grandes mudanças na alimentação. Isso acontece porque a redução hormonal pode favorecer o aumento da gordura abdominal, a perda de massa muscular e alterações metabólicas que impactam diretamente os exames laboratoriais.
“É muito comum a mulher chegar ao consultório dizendo que não mudou a alimentação, mas percebeu piora no colesterol. A menopausa não é a única explicação, mas é uma fase em que o corpo passa por mudanças importantes, inclusive na forma como metaboliza gorduras e protege o sistema cardiovascular”, explica a endocrinologista do Grupo Santa Joana, Maira Brandão.
A transição menopausal também costuma vir acompanhada de outros sinais, como ondas de calor, alterações no sono, irritabilidade, irregularidade menstrual, cansaço, ganho de peso e maior dificuldade para manter a composição corporal. Muitas vezes, essas mudanças são tratadas apenas como incômodos da idade, quando, na verdade, podem indicar a necessidade de uma avaliação mais ampla da saúde da mulher.
Segundo a endocrinologista, o colesterol não deve ser analisado de forma isolada. Pressão arterial, glicemia, triglicérides, circunferência abdominal, histórico familiar, tabagismo, sedentarismo, qualidade do sono e acúmulo de gordura abdominal também ajudam a compor o risco cardiovascular. Na menopausa, esse olhar integrado se torna ainda mais importante.
“Não basta olhar apenas para um número no exame. A mulher precisa ser avaliada dentro do seu contexto: idade, fase hormonal, sintomas, rotina, histórico familiar e outros fatores de risco. É essa leitura completa que permite uma prevenção mais eficaz”, afirma a médica.
Outro ponto que merece atenção é que a menopausa não começa apenas quando a menstruação para definitivamente. A perimenopausa, fase de transição que pode durar anos, já pode provocar oscilações hormonais, alterações menstruais e mudanças metabólicas. Por isso, mulheres a partir dos 40 anos devem manter acompanhamento regular e incluir a saúde cardiovascular nas consultas de rotina.
A prevenção passa por hábitos conhecidos, mas que ganham ainda mais importância nessa fase: alimentação equilibrada, rica em fibras, frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas de qualidade; prática regular de atividade física, incluindo exercícios de força; controle do peso; abandono do tabagismo; moderação no consumo de álcool; sono adequado e acompanhamento médico periódico.
Em alguns casos, mudanças no estilo de vida podem ser suficientes para melhorar os níveis de colesterol. Em outros, pode ser necessário o uso de medicamentos. A terapia hormonal da menopausa também pode ser indicada para mulheres com sintomas específicos, mas sua decisão deve ser individualizada e não deve ser vista como estratégia única para prevenção cardiovascular.
“A mensagem principal é que a mulher não deve naturalizar alterações importantes nos exames apenas porque entrou na menopausa. Essa fase pode ser uma oportunidade de prevenção, diagnóstico precoce e reorganização do cuidado com a saúde”, destaca Maira.
No Dia Nacional de Combate ao Colesterol, a relação entre menopausa e saúde cardiovascular reforça um alerta importante: cuidar do colesterol não é apenas uma questão de dieta. Para muitas mulheres, ele pode ser um sinal de que o corpo está atravessando uma nova fase e precisa de uma abordagem mais completa, preventiva e personalizada.
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