Colocar as mãos na massa, cheirar e até fazer um pouco de bagunça pode ser uma ferramenta poderosa para aproximar crianças de hábitos alimentares saudáveis. Um estudo publicado na revista científica "Appetite" confirma que essa exploração sensorial com a comida ajuda na aceitação de novos alimentos.

A pesquisa analisou o comportamento de crianças entre 3 e 4 anos e descobriu que atividades sensoriais com frutas e vegetais aumentam a disposição delas em experimentar esses alimentos mais tarde. O interesse despertado pelo toque e cheiro se estendeu até para vegetais que não faziam parte da brincadeira.

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Isso ocorre porque, para a criança, o conhecimento precede a alimentação. Olhar cores, sentir formatos e explorar texturas ajuda a quebrar a barreira da neofobia alimentar, a fase comum na infância em que tudo o que é novo no prato gera resistência.

Essa mudança de comportamento é urgente. Dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI) mostram que alimentos ultraprocessados já ocupam quase um quarto da rotina alimentar de crianças de até 5 anos. Na faixa etária dos 2 aos 5 anos, o número sobe para 30,4%.

Parceria na cozinha e na rotina

Carolina Donan, nutricionista da Papapá, marca especializada em alimentação infantil saudável, explica que a pressão na hora da refeição costuma ter o efeito contrário. "Muitas vezes os adultos focam apenas no momento exato em que a criança está com a colher na boca, mas a construção dessa relação começa muito antes da primeira mordida", afirma.

Segundo a especialista, quando a criança tem liberdade para observar, tocar e cheirar de forma lúdica, a estranheza diante do novo diminui. A aproximação pode ser feita de forma simples e afetiva, como montar desenhos com frutas no prato ou deixar o filho participar de pequenas etapas no preparo das receitas.

O objetivo não é o desperdício, mas a conquista da confiança e da curiosidade. "Nutrição infantil vai muito além de vitaminas e minerais. É sobre a experiência, o aprendizado e a construção de memórias felizes ao redor da comida. Quanto mais positiva for essa interação desde cedo, mais duradoura e saudável será a relação deles com o prato no futuro", conclui Carolina.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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