A queda de cabelo costuma ser associada ao estresse, alterações hormonais ou deficiência de vitaminas. No entanto, quando ela surge em falhas arredondadas e bem delimitadas no couro cabeludo, pode ser um sinal de alopecia areata, uma doença autoimune que tem como característica um comportamento imprevisível: ela pode desaparecer, permanecer controlada por meses ou anos e voltar a se manifestar.

Segundo a tricologista Marcia Dertkigil, essa recorrência é uma das principais dúvidas entre os pacientes. "A alopecia areata é uma condição crônica, que pode entrar em remissão e depois voltar. Isso acontece porque o organismo continua com essa predisposição autoimune, mesmo quando o cabelo cresce novamente", explica.

A doença ocorre quando o sistema imunológico passa a atacar os folículos capilares, estruturas responsáveis pelo crescimento dos fios. Como consequência, o cabelo deixa de crescer temporariamente nas áreas afetadas, formando placas de queda que podem surgir de forma repentina.

De acordo com a especialista, o retorno da doença não significa que o tratamento anterior tenha falhado. "Muitas pessoas acreditam que a volta da alopecia significa que o tratamento não funcionou, mas não é assim. A doença pode ser reativada diante de determinados gatilhos, mesmo após um período de controle", afirma.

Entre os fatores mais frequentemente associados ao surgimento de novas crises estão o estresse emocional, infecções, alterações hormonais, privação de sono e períodos de intensa sobrecarga física ou emocional. "Situações de estresse importante podem desencadear uma resposta inflamatória no organismo e favorecer o aparecimento de novos episódios em pessoas predispostas", explica Marcia.

Embora seja mais conhecida pelas falhas no couro cabeludo, a alopecia areata também pode comprometer sobrancelhas, cílios, barba e outros pelos do corpo. Em casos mais graves, pode haver perda total dos cabelos ou de toda a pilosidade corporal.

A médica ressalta que a doença não é contagiosa e que o diagnóstico precoce aumenta as chances de controlar rapidamente a inflamação e reduzir a progressão das lesões. "Quanto antes iniciamos o tratamento, maiores são as chances de recuperar os fios e impedir que a doença avance", orienta.

Tratamento

Atualmente, existem diferentes opções terapêuticas para controlar a alopecia areata. A escolha depende da extensão das lesões, da idade do paciente e das características individuais de cada caso.

"Dispomos de tratamentos como corticoides tópicos e injetáveis, imunoterapia e outras abordagens que ajudam a controlar a resposta inflamatória e estimular o crescimento dos fios. A conduta deve ser sempre individualizada", destaca.

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Além das manifestações físicas, a especialista chama atenção para os impactos emocionais provocados pela doença. "O cabelo faz parte da identidade e da autoestima de muitas pessoas. Por isso, a alopecia areata não deve ser encarada apenas como uma questão estética. O cuidado precisa ser integral, considerando também o impacto psicológico que a condição pode causar", destaca.

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