SAÚDE MENTAL MATERNA

O termo que toda recém-mãe precisa conhecer: "Rede de desapoio"

Cuidado! Frases disfarçadas de conselho e cobranças disfarçadas de ajuda estão adoecendo mulheres no momento mais vulnerável da vida

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No pós-parto, é comum ouvir que a mulher precisa de uma rede de apoio. A frase está correta, mas nem toda presença ajuda. Em alguns casos, familiares, amigos e visitas que deveriam aliviar a rotina acabam aumentando a culpa, a insegurança e o cansaço da mãe.

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Segundo Rafaela Schiavo, psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline, a rede de apoio tem papel importante na saúde mental materna, mas precisa funcionar como suporte real. Quando a ajuda vem acompanhada de críticas, palpites ou invasões, pode ter o efeito contrário.

“Às vezes, essa rede de apoio pode ser uma rede de desapoio. Se a mulher conta com alguém muito invasivo, que humilha, critica ou diz que ela não sabe fazer nada direito, a saúde mental dela pode ficar prejudicada”, afirma. 

O problema não está apenas em comentários agressivos. Frases aparentemente comuns também podem pesar, como “no meu tempo era diferente”, “você está mimando esse bebê”, “dá água que não mata”, “deixa que eu faço porque você não sabe” ou “você está exagerando”.

Para uma mulher que dorme pouco, ainda se recupera fisicamente e tenta se adaptar à chegada do bebê, esse tipo de intervenção pode aumentar a sensação de incapacidade.

Quando a ajuda vira desapoio

A rede deixa de apoiar quando passa a disputar decisões com a mãe, desautorizar suas escolhas ou criar mais trabalho para ela. Isso pode acontecer quando visitas chegam sem combinar horário, esperam ser servidas, pegam o bebê sem consentimento ou dão palpites sobre amamentação, banho, sono e colo.

Também há desapoio quando a mulher não tem espaço para dizer que está cansada, triste ou insegura. Muitas mães escutam que deveriam estar felizes, mesmo quando estão emocionalmente sobrecarregadas. 

Rafaela explica que o pós-parto é um período de adaptação intensa. Além das mudanças físicas, há privação de sono, medo de não dar conta, dificuldade na amamentação, excesso de responsabilidade e perda temporária de autonomia. Por isso, a qualidade da ajuda importa tanto quanto a presença de pessoas ao redor.

Como ajudar de verdade

Apoiar uma mãe no pós-parto pode ser mais simples do que parece. Preparar uma refeição, cuidar da casa, lavar louça, organizar roupas, acompanhar uma consulta ou segurar o bebê para que ela tome banho ou durma são formas concretas de reduzir a sobrecarga.

A escuta também faz diferença. Perguntar como a mulher está, respeitar suas decisões e evitar julgamentos pode ser mais útil do que oferecer conselhos não solicitados.

Para a psicóloga, uma boa rede de apoio não substitui a mãe, não compete com ela e não transforma o cuidado em cobrança. O papel da rede é criar condições para que a mulher descanse, se alimente, seja ouvida e peça ajuda sem vergonha. 

O que evitar no pós-parto

Comentários sobre o corpo da mulher, críticas à forma de amamentar, comparações com outras mães e visitas longas podem aumentar o desconforto. Também é importante evitar frases que minimizem o sofrimento, como “toda mãe passa por isso” ou “logo você acostuma”. 

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"Quando a mãe apresenta tristeza persistente, choro frequente, irritabilidade intensa, culpa, isolamento ou dificuldade para realizar tarefas básicas, a família deve incentivar a busca por ajuda profissional. No pós-parto, estar perto não basta. A ajuda precisa aliviar, não pesar." 

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