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Estado de Minas CUIDADOS AO VISITAR UM BEBÊ

Especialistas dão dicas de comportamento para não ser inconveniente na hora de conhecer um recém-nascido

A visita, que deveria ser um momento agradável, pode acabar se tornando cansativa e, em alguns casos, até aterrorizante


postado em 14/08/2019 17:25 / atualizado em 14/08/2019 17:30

Com 1 mês de vida, Arthur tem recebido visitantes aos poucos, a pedido da mãe, Maria Mourão, de 24 anos (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Com 1 mês de vida, Arthur tem recebido visitantes aos poucos, a pedido da mãe, Maria Mourão, de 24 anos (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

A chegada de um bebê sempre gera alegria e, por que não, curiosidade nos amigos e parentes. Basta a notícia do nascimento vir à tona que todos já se programam para ir conhecer o neném. Mas será que sabemos nos comportar nesse momento? Para algumas mães, a resposta é não. A visita, que deveria ser um momento agradável, acaba se tornando cansativa e, em alguns casos, até aterrorizante.

A supervisora de loja Keila de Paula, de 36 anos, não pensou duas vezes antes de dar um tempo nas visitas a João Pedro, hoje com 3 meses. Mãe de primeira viagem e com dificuldades para amamentar, ela conta que não aguentava mais os palpites das pessoas. “Fiz um texto, como se fosse o bebê falando, em que ele dizia que não ia receber visitas agora porque ainda estava se adaptando e conhecendo a casa, que a mamãe e o papai estavam se esforçando e, quando as visitas estivessem liberadas, a gente avisava”, relata.

A mensagem foi enviada para todos os grupos da família e de amigos. Keila comenta que recebeu respostas de apoio e compreensão. João só voltou a receber visitas próximo dos 2 meses de vida. Mesmo assim, cuidados foram tomados. A supervisora colocou álcool em gel à disposição e sempre apresentava o lavabo aos visitantes que queriam pegar o neném.

Segundo o pediatra Alexandre Nikolay, coordenador da pediatria do Hospital Santa Lúcia, o ideal é evitar visitas até os 28 dias de vida da criança e deixar as hospitalares apenas para os familiares mais próximos. “Nesse período inicial, o bebê tem uma imunidade muito frágil e está mais vulnerável a doenças”, justifica.

Isso não significa que as pessoas estejam completamente proibidas de ver o neném. Mas, se for visitar, é preciso ficar atento à saúde e à higiene, além de aguardar a sinalização positiva dos pais. O pequeno Arthur, filho da autônoma Maria Mourão, de 24, por exemplo, está com menos de 1 mês de vida e tem recebido os visitantes aos poucos. “Até agora, não estamos tendo muitas visitas, estamos esperando ele ficar maior. Estão vindo mais os parentes, a maioria dos amigos deixou para vir mais pra frente”, conta a mãe.

Para Maria, o que mais incomoda é quando as pessoas querem ficar o tempo todo com o neném no colo. “Tem gente que tem mania de querer ficar cheirando o rosto e a mão. Fico agoniada, porque o bebê coloca a mão na boca. Para evitar, já não deixo que as pessoas fiquem com ele no colo, coloco-o no bebê-conforto ou no berço”, complementa.

A preocupação de Maria não é à toa. Segundo o pediatra Alexandre, a região do rosto deve sempre ser preservada, não apenas por beijos e cheiros. Falar perto do rosto também não é recomendado, devido à possibilidade de transmissão de doenças pela via respiratória. Os convidados também devem evitar o contato com as mãozinhas da criança, pois os pequenos as levam à boca com frequência.

Outro ponto importante que está longe de ser “frescura” é a higienização. O álcool em gel ganha mesmo espaço no meio da decoração do quarto. E não é para menos. Segundo especialistas, estar limpo ao pegar o neném é algo básico. “Jamais se deve chegar da rua e já ir pegando o bebê. Evite o contato se não estiver limpo. O ideal é trocar de roupa, lavar as mãos e o rosto para, só então, pegar na criança. Isso, inclusive para os pais”, destaca.

APOIO 

Se tem alguém que sofre com o entra e sai de gente em casa é a mãe. Nessa fase da maternidade, as mulheres sofrem alterações físicas e hormonais, ficando mais emotivas e sensíveis. Nessa hora, apoio e compreensão são fundamentais. “Pergunte se ela precisa de ajuda ou seja proativo e faça alguns afazeres de casa, como preparar refeições para ela, ficar cuidando do bebê, enquanto ela pode descansar ou tomar um banho”, aconselha José. O pediatra destaca que dizer não para pessoas próximas pode ser difícil, mas é necessário.

Ele ainda aconselha aos pais imporem e defender os pilares que traçaram para a educação do bebê. “Devem procurar seguir e agir com naturalidade quando se sentirem importunados com algum tipo de comentário, palpites, conselhos e atitudes e posturas das visitas”, indica.

O beijo em bebês tem sido algo polêmico. Especialistas explicam que a boca e a saliva são transmissores de doenças, e o contato merece cuidados. Para o pediatra José Gabel, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), ele só é permitido se os membros da família, cuidadores, parentes próximos e amigos estiverem saudáveis e, mesmo assim, é importante procurar as regiões de couro cabeludo.

Vai visitar um neném?

O que fazer

• Ligue para a mãe antes e pergunte se ela está disposta a receber visitas

• Pergunte o melhor horário

• Faça uma visita breve

• Ofereça-se para ajudar, seja lavando uma louça, seja olhando o bebê etc.

• Deixe as visitas hospitalares apenas para os mais próximos

• Higienize as mãos antes de entrar em contato com o bebê


O que não fazer

• Não visite se estiver com algum sintoma de doença

• Não beije, cheire ou fale perto do rosto do neném

• Evite pegar na mãozinha da criança

• Evite levar outras crianças. Segundo o pediatra José Gabel, como elas estão em contato com outros meninos e meninas em creches e escolas, podem ser portadoras de doenças, mesmo sem apresentar sintomas

• Evite comentários desnecessários, que possam incomodar os pais

• Não pegue o neném caso tenha usado algum creme com medicação


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