RESISTÊNCIA À INSULINA

Obesidade é um dos principais fatores de risco do diabetes tipo 2

Especialistas destacam a importância do tratamento da obesidade para controlar a glicemia, reduzir o excesso de peso e melhorar a qualidade de vida

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No Brasil, milhões de pessoas convivem com o diabetes, sendo o tipo 2 responsável por cerca de 90% dos casos. A doença está fortemente associada ao excesso de peso e à obesidade, condição que favorece a resistência à insulina e dificulta o controle da glicemia

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Próximo ao Dia Nacional do Diabetes, lembrado nesta sexta-feira (26/6), especialistas alertam que tratar a obesidade é uma das estratégias mais eficazes para prevenir, controlar e até promover a remissão do diabetes tipo 2 em muitos pacientes.

Segundo dados de 2025 da Federação Internacional de Diabetes (IDF), aproximadamente 16,6 milhões de brasileiros entre 20 e 79 anos vivem com diabetes, colocando o país entre os que concentram o maior número de casos no mundo. Paralelamente, dados do Ministério da Saúde mostram que a obesidade continua crescendo na população, reforçando a necessidade de estratégias integradas de prevenção e tratamento.

Para a nutróloga Andrea Pereira, presidente do Instituto Obesidade Brasil, controlar o diabetes vai muito além da redução do açúcar no sangue. "A obesidade e o diabetes tipo 2 compartilham mecanismos metabólicos importantes. Por isso, tratar apenas a glicemia não é suficiente. Uma alimentação individualizada, rica em alimentos naturais, fibras e proteínas de qualidade, associada à redução de ultraprocessados e prática regular de exercícios físicos, melhora a sensibilidade à insulina, favorece a perda de peso e reduz o risco de complicações", explica.

Além da alimentação, o cuidado com a saúde mental também influencia diretamente os resultados. Pessoas com obesidade frequentemente enfrentam estigma, culpa e frustrações decorrentes de tentativas anteriores de emagrecimento, fatores que podem comprometer a adesão ao tratamento.

Segundo a psicóloga Andrea Levy, cofundadora do Instituto Obesidade Brasil, o acompanhamento psicológico ajuda o paciente a desenvolver uma relação mais saudável com a alimentação e com o próprio corpo. "Muitos pacientes chegam emocionalmente exaustos após anos de tentativas frustradas para perder peso. O suporte psicológico contribui para fortalecer a autoestima, reduzir a culpa, lidar com recaídas e construir mudanças de comportamento que possam ser mantidas ao longo da vida", afirma.

Cirurgia bariátrica pode levar à remissão?

Nos casos de obesidade grave associada ao diabetes tipo 2, a cirurgia bariátrica representa uma alternativa. Além da perda de peso, o procedimento provoca alterações hormonais que melhoram rapidamente o metabolismo e o controle da glicose.

De acordo com o cirurgião bariátrico Carlos Schiavon, cofundador do Instituto Obesidade Brasil, muitos pacientes apresentam melhora da glicemia poucos dias após a cirurgia. "A cirurgia bariátrica modifica o funcionamento do trato gastrointestinal e estimula hormônios relacionados ao controle da glicose e da saciedade. Em muitos casos, o paciente consegue reduzir ou até suspender os medicamentos para diabetes, alcançando a remissão da doença quando há indicação adequada e acompanhamento multiprofissional", destaca.

O especialista lembra que o procedimento não representa uma cura definitiva, mas uma ferramenta importante dentro de um tratamento contínuo, que envolve acompanhamento médico, nutricional e psicológico.

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Embora os avanços no tratamento sejam significativos, os especialistas reforçam que a prevenção continua sendo o melhor caminho. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono de qualidade e acompanhamento profissional ajudam tanto a prevenir a obesidade quanto a reduzir o risco de desenvolvimento do diabetes tipo 2 e de suas complicações.

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