Tratamento de diabetes tipo 2: pesquisa aponta novas perspectivas
Combinação de dois medicamentos com boa tolerabilidade já disponíveis no país se mostrou eficaz na redução da hemoglobina glicada; Brasil participou do estudo
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Um trabalho de pesquisa internacional, com participação de pesquisadores e pacientes brasileiros, traz novas perspectivas de tratamento para aqueles que convivem com o diabetes tipo 2. Conduzido em 25 centros de saúde do Brasil, China, Filipinas, Arábia Saudita e Turquia, o estudo ADD2DIA, publicado em novembro de 2025, contou com a participação de 537 pacientes.
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No Brasil, foram 89 participantes e, dentre as conclusões, a associação de dois medicamentos seguros, bem tolerados e já amplamente usados para o tratamento da diabetes tipo 2 no país – a gliclazida de liberação modificada (MR) e o inibidor de SGLT2 (dapaglifozina/empaglifozina) - melhora os níveis de hemoglobina glicada.
O estudo retrospectivo teve apoio da Servier, farmacêutica que produz um dos medicamentos de referência estudados, a gliclazida MR. Todos os participantes usavam o medicamento há pelo menos dois anos, com dose diária igual ou superior a 60mg.
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Os resultados do estudo realizado no Brasil apontam que, quando iniciada a associação com o inibidor de SGLT2 por pelo menos 60 dias, há uma redução da hemoglobina glicada em 0,8 ponto percentual e perda de peso média de 4,0 kg. A gliclazida MR atua no pâncreas, auxiliando o órgão a liberar mais insulina e, assim, diminuir a glicose circulando no sangue. Já o inibidor de SGLT2 atua ajudando o rim a eliminar parte do excesso de açúcar pela urina.
A idade média dos participantes do estudo foi de cerca de 62 anos, com aproximadamente 13 anos desde o diagnóstico de diabetes. Dentre eles, 30% eram portadores de doença cardiovascular, 76% tinham hipertensão arterial, 71% dislipidemia e 84% sobrepeso ou obesidade.
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A médica Renata Lima, gerente de assuntos médicos da Servier do Brasil, ressalta a importância do acompanhamento regular da pessoa com diabetes para eventuais ajustes no plano terapêutico. “Os participantes do estudo apresentaram melhor controle do diabetes e redução média no peso corporal, além da combinação ter sido bem tolerada. As evidências dos benefícios dessa associação de medicamentos são importantes para a prática clínica, à medida que trazem uma perspectiva de melhora da qualidade de vida das pessoas com diabetes, que geralmente apresentam também outras comorbidades”, explica.
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O endocrinologista Rodrigo Moreira, coordenador do estudo nacional e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), pontua que a associação desses medicamentos funciona na vida real, mas alcançar as metas de controle ainda é um desafio no Brasil. “Um dos pontos-chave para o sucesso do tratamento é a adesão correta, e terapias orais e de custo acessível tendem a favorecer o engajamento e reduzir as chances de abandono”, afirma.