MONITORAMENTO

SOP pode levar ao diabetes tipo 2 e exige diagnóstico precoce

Distúrbio endócrino afeta até 13% das mulheres e está ligado à resistência à insulina; dados do Vigitel 2025 acendem alerta

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A pesquisa Vigitel 2025, do Ministério da Saúde, aponta que o diabetes registrou aumento de 135% entre 2006 e 2024. Nesse período, a prevalência passou de 5,5% para 12,9%. No último ano, 14,3% das mulheres relataram diagnóstico da doença, ante 11,2% dos homens, um cenário que acende o sinal de alerta para fatores de risco muitas vezes negligenciados, como a síndrome do ovário policístico (SOP).

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Frequentemente associada apenas à acne ou à irregularidade menstrual, a SOP é um distúrbio endócrino que pode esconder uma importante ameaça metabólica. A condição atinge entre 6% e 13% das mulheres em idade reprodutiva e está diretamente relacionada ao desenvolvimento de pré-diabetes e diabetes tipo 2.

Falta de diagnóstico

Apesar de ser uma das alterações ginecológicas mais comuns, até 70% das mulheres com SOP não recebem diagnóstico. “Como cistos são frequentes ao longo da vida reprodutiva, muitas mulheres desconhecem suas características e não percebem a necessidade de acompanhamento”, explica Marcos Tcherniakovsky, diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE).

Com base em referências da World Health Organization (WHO), o especialista detalha que, na SOP, os folículos não amadurecem adequadamente, formando pequenos cistos. Entre os principais gatilhos estão:

Essa resistência está associada a diversas enfermidades crônicas. Entre elas, a síndrome metabólica - caracterizada por aumento da circunferência abdominal, pressão arterial elevada e alterações nos níveis de colesterol e triglicerídeos - além do maior risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Também há forte ligação com o desenvolvimento do diabetes tipo 2 e da esteatose hepática não alcoólica.

O diagnóstico da SOP pode ser feito por meio da história clínica e de exames laboratoriais complementares, como a dosagem de glicose e insulina em jejum. A hemoglobina glicada, embora não identifique diretamente a resistência à insulina, auxilia na avaliação do controle glicêmico dos últimos meses e pode reforçar a suspeita clínica. Identificar e tratar precocemente a condição é essencial para reduzir o risco de complicações e melhorar a qualidade de vida.

Janela de oportunidade

Considerado por especialistas como uma fase decisiva, o pré-diabetes, quando a glicemia em jejum fica entre 100 e 125 mg/dl - é um estágio que indica risco elevado de progressão para o diabetes tipo 2, mas ainda permite reversão.

“O cenário da SOP no Brasil é de alerta vermelho. Estudos indicam que 50% das mulheres com a condição podem evoluir para o pré-diabetes e o diabetes tipo 2 antes mesmo dos 40 anos”, afirma Roberta Brito, líder da área terapêutica de cardiometabolismo e endocrinologia da Merck Brasil.

Segundo ela, o problema central é a resistência à insulina, presente em 75% das pacientes com SOP, independentemente do peso corporal. “As células do corpo de mulheres com o distúrbio metabólico não respondem adequadamente à insulina, o que força o pâncreas a produzir o hormônio em excesso. Esse bombardeio de insulina não apenas desregula os hormônios ovarianos, mas coloca a paciente em uma rota direta para o pré-diabetes e o diabetes tipo 2”, destaca. 

Vigilância constante

A jornalista Maria Beatriz Melero, de 32 anos, conhece bem essa realidade. Diagnosticada com SOP ainda na adolescência, ela viu seus exames entrarem na faixa do pré-diabetes durante a pandemia, quando o ganho de peso e o sedentarismo elevaram suas taxas glicêmicas acima de 100 mg/mL.

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Com mudanças estratégicas no estilo de vida e uso de metformina, conseguiu reverter o quadro. Ainda assim, mantém monitoramento rigoroso. “Foi um susto saber do diagnóstico de pré-diabetes, especialmente por conhecer as consequências do diabetes no longo prazo. Por isso, busco manter a rotina de alimentação e atividades físicas sempre que possível, assim como a SOP sob controle”, relata. 

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