Teste do pezinho: gota de sangue que pode mudar uma vida
Especialistas destacam que a realização do exame deve vir acompanhada de acesso rápido a atendimento especializado para garantir melhores desfechos às crianças
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Um exame simples, rápido e realizado nos primeiros dias de vida pode fazer toda a diferença no futuro de uma criança. Lembrado neste sábado (6/7), o Dia Nacional do Teste do Pezinho chama a atenção para a importância da triagem neonatal na identificação precoce de doenças genéticas, metabólicas, endocrinológicas e infecciosas que, quando diagnosticadas a tempo, podem ter tratamento iniciado antes mesmo do surgimento dos primeiros sintomas.
Apesar dos avanços da medicina e da ampliação gradual do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), especialistas alertam que a coleta do exame é apenas o primeiro passo. O verdadeiro impacto do teste do pezinho depende da rapidez na confirmação diagnóstica e do acesso da criança a uma rede de atendimento especializada.
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Segundo o Ministério da Saúde, o exame deve ser realizado preferencialmente entre o terceiro e o quinto dia de vida do bebê. Atualmente, a rede pública conta com milhares de postos de coleta distribuídos pelo país e trabalha para ampliar progressivamente o número de doenças rastreadas por meio da triagem neonatal.
A relevância do tema cresce à medida que a genética médica avança e amplia as possibilidades de diagnóstico e tratamento. Estima-se que cerca de 80% das doenças raras tenham origem genética e que muitas delas apresentem melhores resultados clínicos quando identificadas ainda nos primeiros dias ou meses de vida.
Para o geneticista Paulo Zattar Ribeiro, especialista em doenças raras, o exame continua sendo uma das ferramentas mais importantes da medicina preventiva infantil. “O teste do pezinho é uma das estratégias mais eficazes de diagnóstico precoce que temos na saúde pública.”
“Muitas doenças raras não apresentam sinais evidentes ao nascimento, mas já estão causando alterações no organismo. Quando conseguimos identificar essas condições antes do aparecimento dos sintomas, aumentamos significativamente as chances de um desenvolvimento mais saudável e reduzimos o risco de sequelas permanentes”, explica.
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O especialista ressalta que a triagem neonatal não encerra a jornada do cuidado. “Receber um resultado alterado não significa necessariamente um diagnóstico confirmado, mas exige investigação imediata. O tempo entre a suspeita e o início do acompanhamento especializado pode ser determinante para o prognóstico da criança. Por isso, é fundamental que as famílias tenham acesso rápido a médicos geneticistas, neurologistas, endocrinologistas e outros profissionais capacitados para conduzir cada caso”, afirma.
O desafio não termina com o diagnóstico
Para muitas famílias, o momento em que surge a suspeita de uma condição rara marca o início de uma trajetória repleta de dúvidas, inseguranças e busca por informação.
A fundadora da plataforma Voz das Mães, Natália Lopes, conhece essa realidade de perto. Mãe atípica e atuante no acolhimento de famílias que convivem com condições raras e transtornos do neurodesenvolvimento, ela destaca que o acesso à informação pode ser tão importante quanto o próprio diagnóstico.
“Quando falamos sobre o teste do pezinho, estamos falando sobre oportunidade. Oportunidade de iniciar um tratamento antes que a doença avance, de preservar o desenvolvimento da criança e de preparar a família para os desafios que podem surgir. Muitas mães chegam até nós depois de uma longa jornada em busca de respostas e costumam dizer que gostariam de ter recebido orientação mais cedo. Informação e acolhimento também fazem parte do cuidado”, destaca.
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Segundo ela, ainda existe desconhecimento sobre a importância da triagem neonatal e sobre o que fazer quando um resultado aponta alguma alteração.
“O diagnóstico precoce salva vidas, mas também reduz sofrimento. Quanto mais cedo a família entende o que está acontecendo e consegue acessar profissionais especializados, maiores são as chances de oferecer à criança o suporte necessário para seu desenvolvimento. É uma diferença que pode impactar toda a vida daquela pessoa”, acrescenta.
Avanços da genética ampliam perspectivas
Nos últimos anos, a genética médica tem transformado a forma como doenças raras são identificadas e tratadas. Tecnologias como o sequenciamento genético avançado vêm reduzindo o tempo necessário para esclarecer casos complexos e oferecendo novas possibilidades terapêuticas para pacientes e famílias.
Embora nem todas as doenças raras possam ser identificadas pelo teste do pezinho, especialistas reforçam que a triagem neonatal continua sendo a principal porta de entrada para o diagnóstico precoce de diversas condições que podem causar deficiência intelectual, comprometimento neurológico, alterações metabólicas graves e até óbito quando não tratadas adequadamente.
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“O grande objetivo da triagem neonatal é evitar que a criança só seja diagnosticada quando os sintomas já estão instalados. Em muitas doenças, cada semana faz diferença. Por isso, o teste do pezinho permanece como uma das políticas públicas mais importantes para a saúde infantil e para o futuro dessas famílias”, reforça Paulo.