ASSIMETRIA

Confusão com obesidade liga alerta sobre lipedema

Chegada do Junho Roxo amplia campanhas de conscientização sobre aspectos da doença e formas de tratamento

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A assimetria é uma característica comum a qualquer pessoa. Afinal, existem manchas, pintas, cicatrizes e outros detalhes mais salientes que dão a cada corpo muitas peculiaridades. Mas, quando se trata do lipedema, essa assimetria alcança uma desproporcionalidade que merece atenção do indivíduo portador da doença.

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A médica Camila Caetano, cirurgiã vascular pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), adverte que o problema não é apenas estético. “O lipedema é geralmente identificado pelo aspecto visual. Pessoas que possuem pernas mais grossas e flácidas, enquanto a parte superior do corpo é mais esguia, ou que possuem glúteos mais salientes e com excesso de gordura, ao passo que a cintura é mais fina, são exemplos típicos de lipedema. Por conta da gordura localizada, é facilmente confundida com obesidade, mas são coisas bastante diferentes”, afirma.



Ela esclarece que a obesidade consiste no acúmulo de gordura em qualquer parte do corpo, incluindo o tronco, os membros superiores e inferiores e o pescoço. Por isso, tem um caráter mais uniforme. Já o lipedema tem como principal sintoma o acúmulo desproporcional em partes específicas, principalmente nas pernas e nos glúteos. O problema também pode surgir nos braços, mas com menor frequência. Outra característica é que a doença aparece quase que exclusivamente nas mulheres.

Mas, alerta Camila Caetano, a principal diferença é aquela que mais incomoda as portadoras da doença. “Os efeitos físicos da obesidade são o cansaço, a sobrecarga articular e as dores mecânicas, mas a gordura em si não provoca dores. Já o lipedema provoca uma sensação de peso, queimação, sensibilidade e desconforto. Por isso, pode até haver um incômodo estético, mas o que mais costuma preocupar são as dores e a sensibilidade até mesmo ao toque”, compara.

A boa notícia é que, embora seja um problema crônico, existem tratamentos que ajudam a frear os efeitos. O primeiro deles é manter uma dieta adequada, rica em alimentos anti-inflamatórios, como aqueles ricos em ômega 3, e em vegetais e folhas escuras, frutas vermelhas e cítricas. Além disso, a recomendação é de hidratação constante e fugir de alimentos ultraprocessados e ricos em sódio e gordura.

“Além da alimentação saudável e da hidratação, é recomendável fazer atividades físicas regulares, usar meias compressoras e submeter-se a sessões de drenagem linfática e de medicamentos que reduzam o inchaço. Mas tudo isso só deve ser feito sob recomendação médica, pois cada caso merece ser observado antes pelo profissional, que saberá indicar o que pode proporcionar melhor qualidade de vida à paciente”, atenta a médica.

Conscientização no Junho Roxo

Camila Caetano esclarece que o cenário mais comum em se tratando do lipedema é o diagnóstico tardio, que decorre justamente da confusão com a obesidade e até com a celulite. Por isso, o Junho Roxo reforça as campanhas de conscientização em torno da doença e dos tratamentos disponíveis. O que também eleva os cuidados da medicina com os sintomas é a incidência de casos no Brasil e até na Europa.

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Um artigo publicado na edição de janeiro-fevereiro deste ano nos Anais Brasileiros de Dermatologia, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), aponta que, entre os países europeus, a recorrência de lipedema varia entre 0,06% e 39% da população. Já no Brasil, segundo os autores, estima-se que a doença acometa 12,3% das mulheres, o equivalente a uma população de aproximadamente 8,8 milhões de pessoas.

“Muitas mulheres sofrem com a doença sem sequer já ter ouvido falar nela. Existe o impacto estético? Sim, e isso também gera efeitos para a autoestima, mas é preciso distinguir os quadros e mostrar para as pessoas que há formas de minimizar as dores, a sensibilidade e as preocupações com os sintomas”, reforça a especialista.

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