Lembrado nesta quinta-feira (7/5), o Dia Internacional da Luta contra a Endometriose acende um alerta fundamental sobre essa condição que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo. Apesar de ser comum, a doença ainda é cercada de desinformação, o que faz com que muitas pacientes convivam com dores incapacitantes por anos até receberem o diagnóstico correto.
A endometriose ocorre quando o endométrio – tecido que reveste o interior do útero – cresce fora do órgão, atingindo regiões como ovários, trompas, intestino e bexiga. Esse processo gera uma inflamação crônica que, além de comprometer severamente a qualidade de vida, é uma das principais causas de infertilidade feminina.
Segundo Alessandra Evangelista, ginecologista especialista em reprodução humana da Clínica Vida (RJ), que integra o Fertgroup, "o ambiente inflamatório gerado pela doença pode prejudicar a qualidade dos óvulos e dificultar a implantação do embrião no útero.
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A endometriose também pode criar cicatrizes internas, que obstruem as trompas, ou atingir os ovários, formando cistos. "Neste caso, tanto a própria doença quanto as cirurgias necessárias para removê-la levam à diminuição da quantidade de óvulos disponíveis", explica.
Para ajudar a identificar o problema precocemente, a especialista elenca os cinco principais sinais de alerta da endometriose:
1. Cólicas menstruais intensas
A dor da endometriose é progressiva e incapacitante. Ela impede a mulher de realizar suas atividades diárias e pode piorar com o passar dos anos.
2. Dor durante a relação sexual
Muitas pacientes relatam uma dor no "fundo da pelve" durante a penetração. Isso ocorre devido à inflamação e às aderências causadas pela doença em estruturas próximas ao canal vaginal e ao colo do útero.
3. Alterações intestinais ou urinárias no período menstrual
Se ir ao banheiro durante a menstruação for sinônimo de dor, é preciso investigar. O sangramento nas fezes ou na urina, acompanhado de dor ao evacuar ou urinar, pode indicar que focos de endometriose atingiram o intestino ou a bexiga.
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4. Dor pélvica crônica
Em estágios mais avançados, a dor deixa de ser exclusiva do período menstrual e passa a ser constante. É uma dor na região do baixo ventre que se mantém presente na maior parte do mês, afetando diretamente a saúde mental e física da mulher.
5. Dificuldade para engravidar
Muitas mulheres só descobrem a endometriose quando tentam engravidar e não conseguem. Segundo a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), cerca de 30% a 50% das mulheres com a doença enfrentam a infertilidade.
É possível ser mãe
O diagnóstico de endometriose não significa o fim do sonho da maternidade. A medicina reprodutiva moderna oferece diversos caminhos para possibilitar a gravidez e proteger a saúde da mulher.
Para as pacientes que têm a doença, mas não planejam engravidar no momento, o congelamento de óvulos surge como indicação preventiva. "Ele funciona como uma excelente opção e, mesmo que a doença progrida ou exija cirurgias que afetem a reserva ovariana, com a quantidade de óvulos disponíveis, essa mulher terá a chance de planejar sua maternidade no futuro", esclarece Alessandra.
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Já para aquelas que desejam engravidar imediatamente e enfrentam dificuldades, os tratamentos disponíveis incluem:
- Fertilização in Vitro (FIV): É o tratamento mais eficaz, pois o encontro do óvulo com o espermatozoide é feito em laboratório, "pulando" as barreiras anatômicas e inflamatórias que a endometriose causa na pelve
- Cirurgia especializada (laparoscopia): Em alguns casos, remover as lesões de endometriose pode restaurar a anatomia e aliviar o ambiente inflamatório, facilitando a gravidez natural ou melhorando as taxas de sucesso de uma futura FIV
- Inseminação artificial: Pode ser recomendada apenas em casos de endometriose muito leve, onde as trompas não foram afetadas pela doença
Quando buscar ajuda?
Ao identificar um ou mais dos sintomas de alerta, o primeiro passo é buscar um ginecologista. O diagnóstico inicial é clínico, baseado no histórico da paciente, e pode ser confirmado por exames de imagem especializados, como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal ou ressonância magnética da pelve.
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Embora a endometriose seja uma condição crônica, o acompanhamento médico adequado e os tratamentos personalizados permitem controlar a progressão da doença, devolver a qualidade de vida e, principalmente, proteger a capacidade reprodutiva da mulher.
