DOENÇA RESPIRATÓRIA

Bombinha de asma: 87% dos pacientes comete pelo menos um desses erros

Pneumologista destaca que problemas no disparo, abandono do tratamento e uso sem indicação médica estão entre os principais complicadores

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Com a chegada do frio e tempo seco, pacientes com problemas respiratórios, como a asma, tendem a sofrer mais. Dados do Ministério da Saúde apontam que a doença atinge 20 milhões de brasileiros.

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Observando esse cenário de maior incidência para inflamações e sensibilidade brônquica, o pneumologista e professor da Faseh/Inspirali, Antônio Braz, chama atenção para o uso inadequado do dispositivo inalatório, cometido por 87% dos pacientes conforme o boletim do Instituto para Práticas Seguras no Uso de Medicamentos (ISMP Brasil).

São muitos os modelos de dispositivos inaladores disponíveis – o aerossol pressurizado é o mais conhecido. Um dos erros mais comuns, como explica o médico, ainda é a falta de coordenação entre o disparo da dose e a inalação, "levando a um desperdício e impacto negativo na resposta ao tratamento". 

Outra falha citada pelo especialista é a troca entre a bombinha de alívio (broncodilatadores inalados), indicada apenas para crises, e a de controle ou resgate (corticóides inalados), usada na prevenção da inflamação das vias aéreas.

“Vale lembrar que, desde 2019, a comunidade científica internacional e a brasileira não recomendam usar broncodilatadores isolados para aliviar sintomas, mas sempre em conjunto com as de controle. Inclusive, há medicações contendo as duas substâncias”, alerta. A prática leva à falta de controle da doença, ao aumento do risco de efeitos colaterais pelo uso excessivo e a falsa sensação de "estar viciado" com a medicação.

Como medida complementar ao tratamento, Antônio recomenda a hidratação frequente e, se possível, manter o ambiente de casa e do trabalho umidificado. “Mas é preciso atenção ao desenvolvimento de mofo, que também é um agente desestabilizador da asma”, orienta.

Agitar o dispositivo antes da aplicação; manter-se em pé ou sentado com o tronco reto; esvaziar os pulmões antes de disparar o jato e inspirar o ar lentamente e de forma profunda pela boca, mantendo-o nos pulmões por cerca de 10 segundos, são recomendações gerais do uso correto dos dispositivos inaladores.

Antônio reforça que, quando houver prescrição de mais de um jato, é preciso um intervalo de 30 segundos. Após o uso, o profissional também indica lavar a boca com água, bochechar, gargarejar e jogar fora para evitar possíveis efeitos colaterais.

Por que a asma muda de perfil com a idade?

Frequentemente, a doença é mais comum entre meninos na infância, mas passa a afetar mais mulheres a partir da adolescência e na idade adulta. O pneumologista afirma que a mudança de padrão provavelmente acontece por uma combinação de fatores anatômicos, hormonais, imunológicos e ambientais.

“Na infância, os meninos tendem a apresentar vias aéreas proporcionalmente menores em relação ao tamanho pulmonar, o que contribui para maior predisposição à sibilância viral ou alérgica, popularmente conhecida como 'chiado no peito'”, explica.

“Após a puberdade, as mulheres passam a apresentar maior prevalência de asma, fenômeno associado, entre outros fatores, à influência do estrogênio e da progesterona sobre a inflamação das vias aéreas. Já a testosterona parece exercer um efeito relativamente protetor sobre a resposta inflamatória brônquica”, complementa.

Crise asmática ou de ansiedade?

Uma questão que tem gerado dúvidas é se o uso de bombinhas pode ser indicado para quem sofre falta de ar em crises de ansiedade. Segundo o professor, apesar de os dois quadros apresentarem dificuldade respiratória, causas e tratamentos são distintos. “Uma história clínica detalhada, associada ao exame físico e a exames complementares, é essencial para o diagnóstico diferencial”, afirma o especialista.

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O uso indiscriminado da bombinha sem indicação médica adequada pode mascarar diagnósticos, atrasar tratamentos corretos e, em casos de ansiedade, reforçar uma dependência psicológica do dispositivo sem benefício clínico real.

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