O senso comum ainda associa a cirrose exclusivamente ao consumo excessivo de álcool. No entanto, especialistas alertam para uma mudança importante nesse cenário: o crescimento dos casos relacionados à esteatose hepática. O acúmulo de gordura no fígado é hoje uma das principais causas da doença no mundo e pode atingir inclusive pessoas que não consomem bebidas alcoólicas.

Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam a dimensão do problema. O número de mortes por hepatite viral aumentou de 1,1 milhão em 2019 para 1,3 milhão em 2022. Desse total, 83% foram causadas pela hepatite B e 17% pela hepatite C. Atualmente, cerca de 254 milhões de pessoas vivem com hepatite B e 50 milhões com hepatite C no mundo. Todos os dias, aproximadamente 3.500 pessoas morrem em decorrência dessas infecções.

O Relatório Global sobre Hepatite aponta que, apesar da existência de vacina para hepatite B e de tratamentos eficazes, as hepatites ainda representam um desafio para a saúde pública. A meta da OMS é eliminar a doença até 2030, o que depende da ampliação do diagnóstico e do acesso ao tratamento.

O que é a cirrose e suas causas

De acordo com o gastroenterologista da Hapvida, José Carlos Cardoso, a cirrose é caracterizada por alterações na estrutura do fígado. “Trata-se de uma mudança na arquitetura microscópica na estrutura do órgão, com formação de tecido de cicatrização que substitui o tecido saudável, podendo levar à insuficiência hepática”, explica.

A relação entre hepatite e cirrose é direta. A hepatite consiste em uma inflamação prolongada das células do fígado. Quando persiste por muito tempo, seja por vírus (B e C), gordura ou álcool, o órgão tenta se regenerar, formando cicatrizes (fibroses). “A cirrose é o estágio avançado desse processo. O excesso de cicatrizes endurece o fígado e compromete suas funções vitais”, destaca o especialista. Atualmente, a esteatose hepática é a causa mais prevalente de cirrose no mundo.

Doença também atinge quem não bebe

Um dos pontos que mais chamam a atenção é que a cirrose pode se desenvolver mesmo em pessoas que nunca ingeriram álcool. Isso ocorre porque diferentes condições podem provocar inflamações persistentes no fígado ao longo dos anos.

“Essas inflamações, muitas vezes silenciosas, aumentam a produção de fibrose, que é o tecido cicatricial. Com o tempo, esse processo pode evoluir para a cirrose, estágio mais avançado da fibrose hepática”, afirma o médico.

Diagnóstico

Por apresentar poucos sintomas iniciais, a doença costuma ser identificada em exames de rotina. Alterações laboratoriais e exames de imagem podem indicar comprometimento do fígado. O diagnóstico inclui ultrassonografia, elastografia hepática e, em alguns casos, biópsia.

Prevenção e tratamento

O acompanhamento médico regular é recomendado, sobretudo para pessoas com fatores de risco como obesidade, sedentarismo e alimentação inadequada. Quando detectada precocemente, a progressão pode ser controlada. Mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada e prática regular de atividade física, estão entre as principais medidas.

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O tratamento varia conforme a causa e a gravidade do quadro. Em casos avançados, o transplante hepático pode ser indicado. Especialistas reforçam que a prevenção não deve se limitar a quem consome álcool. Hábitos saudáveis e diagnóstico precoce são fundamentais para reduzir a evolução da doença.

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