NEOPLASIA CERVICAL

O sinal indolor no pescoço que mudou a rotina de Luis Roberto

Termo médico usado para Luis Roberto é apenas o início de uma busca pelo "sítio primário"; entenda por que o pescoço funciona como um filtro de alerta

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O afastamento do narrador Luis Roberto das transmissões esportivas após o diagnóstico de uma neoplasia na região cervical - destaca que um termo médico amplo e, muitas vezes, pouco compreendido fora do contexto clínico.

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Identificada em exames de rotina de Luis, a condição ainda está em fase de avaliação para definição do tratamento, o que é comum em quadros desse tipo. “Depois do susto, está tudo sob controle. Tenho ao meu lado o que a ciência tem de melhor. Melhores médicos, hospitais. Tenho uma família amorosa seguindo ao meu lado”, contou para o Globo Esporte.  

Entendendo o termo 

Na prática, o diagnóstico de “neoplasia cervical” não determina, por si só, o tipo de tumor nem sua origem. Trata-se de uma descrição inicial que indica a presença de um crescimento celular anormal na região do pescoço e que exige investigação detalhada para definição do quadro. 

De acordo com a oncologista Aline Lauda, co-líder nacional de oncologia de cabeça e pescoço da Oncoclínicas, um dos principais pontos de atenção nesses casos é que o pescoço nem sempre é o local onde a doença começa. “A região cervical concentra cadeias linfáticas importantes, que funcionam como uma espécie de filtro do organismo. Por isso, alterações identificadas ali frequentemente representam tumores que tiveram origem em outras áreas da cabeça e pescoço.”

Esse grupo inclui diferentes tipos de câncer que podem acometer estruturas, como: 

  • Cavidade oral

  • Garganta

  • Laringe

  • Tireoide 

  • Glândulas salivares

Investigação mais ampla

Outras doenças também podem se manifestar como uma neoplasia cervical e entram no diagnóstico diferencial, como os linfomas, tumores que se originam no sistema linfático e também podem causar aumento de linfonodos nesta região. Por essa razão, o diagnóstico não se encerra na identificação do nódulo: ele marca o início de uma investigação mais ampla.

Um dos sinais mais comuns nesses casos é o aparecimento de um caroço no pescoço, geralmente indolor. Apesar de, na maioria das vezes, estar relacionado a processos infecciosos benignos, a persistência do sintoma é o principal critério de alerta. “O que orienta a necessidade de investigação é a duração e a evolução do quadro. Um nódulo que não regride após algumas semanas ou que apresenta crescimento progressivo precisa ser avaliado.”

Dependendo da origem do tumor, outros sintomas podem surgir de forma associada, como:

  • Rouquidão persistente

  • Dificuldade para engolir

  • Feridas na boca que não cicatrizam 

  • Dor de garganta prolongada

Isoladamente, esses sinais podem parecer comuns, mas sua persistência exige atenção.

Sítio primário 

A confirmação do diagnóstico envolve uma combinação de exames clínicos, de imagem e, em muitos casos, biópsia. Mais do que identificar a presença do tumor, o objetivo é localizar o chamado sítio primário e entender a extensão da doença. “Definir de onde esse tumor se origina é fundamental. Isso impacta diretamente na escolha do tratamento e na avaliação do prognóstico.”

Entre os fatores de risco, dois seguem como protagonistas: o tabagismo e o consumo excessivo de álcool. No entanto, especialistas observam uma mudança no perfil dos pacientes, com aumento dos casos relacionados ao HPV (papilomavírus humano). “Temos visto uma transição importante no padrão desses tumores. Hoje, o HPV tem um papel relevante, especialmente em tumores de orofaringe, o que reforça a importância da vacinação.”

O prognóstico varia conforme o tipo e o estágio da doença no momento do diagnóstico. De forma geral, tumores identificados precocemente apresentam maiores chances de controle e tratamento bem-sucedido. “Quanto mais cedo conseguimos identificar a doença, maiores são as possibilidades de tratamento eficaz e de preservação de funções essenciais, como fala e deglutição.”

A abordagem terapêutica é individualizada e pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou imunoterapia, muitas vezes de forma combinada. Além disso, o acompanhamento não se restringe ao tratamento oncológico, exigindo suporte multiprofissional.

Embora o caso de Luis Roberto ainda esteja em avaliação, especialistas reforçam que o cenário ilustra a importância do diagnóstico precoce, muitas vezes possível justamente por meio de exames de rotina, como ocorreu com o narrador. 

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Do ponto de vista preventivo, evitar o tabagismo, reduzir o consumo de álcool e aderir à vacinação contra o HPV seguem como as principais estratégias para diminuir o risco destes tumores. “Prevenção e informação caminham juntas. Reduzir fatores de risco e ampliar o acesso à vacinação são medidas fundamentais para mudar o panorama dessas doenças”, destaca a oncologista.

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