Brasil terá quase 100 mil casos anuais de câncer urológico até 2028
Estimativas do Inca apontam crescimento de tumores como próstata, bexiga, rim e testículo; diagnóstico precoce é decisivo para aumentar chances de cura
compartilhe
SIGA
Nesta quarta-feira (8/4), será lembrado o Dia Mundial de Combate ao Câncer, e o Brasil deve registrar quase 100 mil novos casos anuais de cânceres urológicos em homens até 2028. A estimativa é baseada nas projeções do Instituto Nacional de Câncer (Inca) para o triênio 2026–2028. O principal alerta dos especialistas é para o diagnóstico tardio, que pode comprometer as chances de tratamento.
De acordo com o Inca, o câncer de próstata continua sendo o mais frequente entre os homens, com estimativa de 77.920 novos casos por ano. Em seguida, aparecem o câncer de bexiga, com cerca de nove mil casos anuais em homens, o câncer de rim, com aproximadamente 6,5 mil asete mil casos, e o câncer de testículo, com cerca de 1,8 mil novos diagnósticos por ano.
- Câncer de bexiga: o que é a doença de Roberto Justus e Celso Portiolli
- Câncer de próstata cresce entre os mais jovens, de 20 a 49 anos
Segundo o urologista, uro-oncologista e cirurgião robótico Luís César Zaccaro, o número expressivo de casos demonstra a importância da informação e da atenção aos sinais iniciais. “Estamos falando de doenças que, em muitos casos, têm alto potencial de cura quando identificadas precocemente. O problema é que boa parte dos tumores urológicos evolui de forma silenciosa, o que faz com que muitos pacientes só procurem ajuda em fases mais avançadas”, afirma.
Próstata lidera e exige atenção contínua
Responsável por cerca de três em cada dez casos de câncer em homens, o tumor de próstata tem forte relação com o envelhecimento. Além disso, fatores como predisposição genética e maior detecção por exames contribuem para os números elevados.
“O acompanhamento regular, especialmente após os 50 anos ou antes, em grupos de risco, é fundamental. O exame clínico associado ao PSA permite identificar alterações ainda em fases iniciais, quando as chances de cura são significativamente maiores”, explica o médico.
Bexiga: relação com o tabagismo
O câncer de bexiga também apresenta números relevantes e está fortemente associado ao tabagismo, responsável por cerca de 50% a 70% dos casos. Exposições ocupacionais a substâncias químicas também aumentam o risco.
Leia Mais
“O principal sinal de alerta é a presença de sangue na urina, mesmo sem dor. Esse sintoma nunca deve ser ignorado. Quanto antes investigado, maiores são as chances de controle da doença”, destaca Luís César.
Rim: tumor ligado ao estilo de vida
O câncer renal é frequentemente diagnosticado de forma incidental, em exames realizados por outros motivos. Entre os fatores de risco estão obesidade, hipertensão e tabagismo.
“Esse é um exemplo claro de como o estilo de vida impacta diretamente o risco de câncer. Controlar o peso, a pressão arterial e abandonar o cigarro são medidas que reduzem o risco de tumores renais, e não apenas das doenças cardiovasculares”, afirma o médico.
Testículo: atenção aos jovens
Embora menos frequente em números absolutos, o câncer de testículo é o tumor sólido mais comum em homens jovens e apresenta altas taxas de cura quando diagnosticado precocemente.
- Abril Lilás: o câncer que atinge homens jovens e ainda é cercado por tabus
- Por que exames para detectar doenças não são 100% confiáveis
“Alterações como aumento de volume, endurecimento ou dor testicular devem ser avaliadas rapidamente. O diagnóstico precoce faz toda a diferença no sucesso do tratamento”, orienta o especialista.
Prevenção e diagnóstico precoce são decisivos
De forma geral, especialistas destacam que a prevenção passa por hábitos saudáveis e pela atenção aos sinais do corpo. Entre as principais medidas estão evitar o tabagismo, manter alimentação equilibrada, controlar doenças crônicas, praticar atividades físicas e realizar acompanhamento médico regular.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
“Mais do que tratar, precisamos antecipar. A informação ainda é uma das ferramentas mais eficazes para reduzir o impacto desses tumores. Quando o paciente entende os sinais e busca avaliação no momento certo, temos a chance de mudar completamente o desfecho da doença”, ressalta o uro-oncologista.