SAÚDE MASCULINA

Brasil terá quase 100 mil casos anuais de câncer urológico até 2028

Estimativas do Inca apontam crescimento de tumores como próstata, bexiga, rim e testículo; diagnóstico precoce é decisivo para aumentar chances de cura

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Nesta quarta-feira (8/4), será lembrado o Dia Mundial de Combate ao Câncer, e o Brasil deve registrar quase 100 mil novos casos anuais de cânceres urológicos em homens até 2028. A estimativa é baseada nas projeções do Instituto Nacional de Câncer (Inca) para o triênio 2026–2028. O principal alerta dos especialistas é para o diagnóstico tardio, que pode comprometer as chances de tratamento.

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De acordo com o Inca, o câncer de próstata continua sendo o mais frequente entre os homens, com estimativa de 77.920 novos casos por ano. Em seguida, aparecem o câncer de bexiga, com cerca de nove mil casos anuais em homens, o câncer de rim, com aproximadamente 6,5 mil asete mil casos, e o câncer de testículo, com cerca de 1,8 mil novos diagnósticos por ano.

Segundo o urologista, uro-oncologista e cirurgião robótico Luís César Zaccaro, o número expressivo de casos demonstra a importância da informação e da atenção aos sinais iniciais. “Estamos falando de doenças que, em muitos casos, têm alto potencial de cura quando identificadas precocemente. O problema é que boa parte dos tumores urológicos evolui de forma silenciosa, o que faz com que muitos pacientes só procurem ajuda em fases mais avançadas”, afirma.

Luís César Zaccaro é uro-oncologista e cirurgião robótico
Luís César Zaccaro é uro-oncologista e cirurgião robótico Arquivo pessoal

Próstata lidera e exige atenção contínua

Responsável por cerca de três em cada dez casos de câncer em homens, o tumor de próstata tem forte relação com o envelhecimento. Além disso, fatores como predisposição genética e maior detecção por exames contribuem para os números elevados.

“O acompanhamento regular, especialmente após os 50 anos ou antes, em grupos de risco, é fundamental. O exame clínico associado ao PSA permite identificar alterações ainda em fases iniciais, quando as chances de cura são significativamente maiores”, explica o médico.

Bexiga: relação com o tabagismo

O câncer de bexiga também apresenta números relevantes e está fortemente associado ao tabagismo, responsável por cerca de 50% a 70% dos casos. Exposições ocupacionais a substâncias químicas também aumentam o risco.

“O principal sinal de alerta é a presença de sangue na urina, mesmo sem dor. Esse sintoma nunca deve ser ignorado. Quanto antes investigado, maiores são as chances de controle da doença”, destaca Luís César.

Rim: tumor ligado ao estilo de vida

O câncer renal é frequentemente diagnosticado de forma incidental, em exames realizados por outros motivos. Entre os fatores de risco estão obesidade, hipertensão e tabagismo.

“Esse é um exemplo claro de como o estilo de vida impacta diretamente o risco de câncer. Controlar o peso, a pressão arterial e abandonar o cigarro são medidas que reduzem o risco de tumores renais, e não apenas das doenças cardiovasculares”, afirma o médico.

Testículo: atenção aos jovens

Embora menos frequente em números absolutos, o câncer de testículo é o tumor sólido mais comum em homens jovens e apresenta altas taxas de cura quando diagnosticado precocemente.

“Alterações como aumento de volume, endurecimento ou dor testicular devem ser avaliadas rapidamente. O diagnóstico precoce faz toda a diferença no sucesso do tratamento”, orienta o especialista.

Prevenção e diagnóstico precoce são decisivos

De forma geral, especialistas destacam que a prevenção passa por hábitos saudáveis e pela atenção aos sinais do corpo. Entre as principais medidas estão evitar o tabagismo, manter alimentação equilibrada, controlar doenças crônicas, praticar atividades físicas e realizar acompanhamento médico regular.

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“Mais do que tratar, precisamos antecipar. A informação ainda é uma das ferramentas mais eficazes para reduzir o impacto desses tumores. Quando o paciente entende os sinais e busca avaliação no momento certo, temos a chance de mudar completamente o desfecho da doença”, ressalta o uro-oncologista.

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