AUTISTA

O que pode explicar o aumento de diagnósticos de TEA?

Para pediatra, avanço nos critérios e maior compreensão do desenvolvimento infantil reforçam a importância de avaliações cuidadosas

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O Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, lembrado nesta quinta-feira (2/4), reforça a importância de ampliar o debate sobre diagnóstico, acesso e cuidado. Cada vez mais, se fala sobre o transtorno do espectro autista (TEA) e o aumento de diagnósticos ao redor do mundo.

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Nos Estados Unidos, a estimativa mais recente do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), divulgada em 2025, aponta que 1 em cada 31 crianças está no espectro autista, um crescimento expressivo em comparação com os anos 2000, quando a prevalência era de 1 para cada 150, e na década de 2010, quando passou para 1 em cada 69.

Esse cenário levanta dúvidas frequentes: estamos, de fato, diante de um aumento real de casos? Ou há outros fatores envolvidos? Segundo a pediatra Anna Dominguez Bohn, duas principais hipóteses ajudam a explicar esse fenômeno. “O aumento dos diagnósticos está muito relacionado ao avanço da ciência, com melhores ferramentas e maior compreensão do desenvolvimento infantil. Além disso, fatores ambientais e do estilo de vida moderno ainda estão sendo estudados e podem ter influência, embora não estejam totalmente esclarecidos”, afirma.

O TEA não é identificado por exames laboratoriais ou de imagem. O diagnóstico é clínico e baseado em critérios internacionais que avaliam o comportamento e o desenvolvimento da criança. “Não existe um exame único que confirme o autismo. O diagnóstico exige uma avaliação criteriosa, feita ao longo do tempo e em diferentes contextos, observando padrões de comportamento e interação social”, explica a médica.

Um espectro, múltiplas formas

O TEA é caracterizado por grande diversidade de manifestações. Hoje, o diagnóstico considera principalmente dois grandes grupos de sinais: dificuldades na comunicação social e padrões de comportamento repetitivos ou interesses restritos. “Cada criança dentro do espectro é única. Algumas podem ter linguagem altamente desenvolvida, mas apresentar dificuldades na interação social ou na compreensão de sinais não verbais”, destaca Anna.

A pediatra Anna Dominguez Bohn atua nos hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês e Vila Nova Star
A pediatra Anna Dominguez Bohn atua nos hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês e Vila Nova Star Arquivo pessoal

Essa variabilidade torna o diagnóstico um desafio, especialmente nos casos mais leves, que podem passar despercebidos ou, ao contrário, receberem um avaliação equivocada.

Diagnóstico precoce faz diferença

Um estudo publicado em junho de 2025 no Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry demonstrou que a aplicação sistemática de triagem para autismo em consultas pediátricas pode antecipar o diagnóstico em meses decisivos para o desenvolvimento infantil.

A pesquisa, que acompanhou cerca de 5 mil crianças, mostrou que aquelas submetidas a rastreio padronizado foram encaminhadas para avaliação mais cedo, em média aos 20 meses, contra 24 meses no grupo sem triagem sistemática. “Essa diferença de poucos meses é extremamente relevante. Estamos falando de um período de intensa plasticidade cerebral, em que intervenções precoces podem mudar significativamente o desenvolvimento da criança”, afirma a pediatra.

Além disso, o rastreamento precoce permitiu identificar crianças com sinais mais sutis, que provavelmente demorariam mais para receber diagnóstico.

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Mais do que um diagnóstico

Apesar das discussões sobre aumento de casos, especialistas reforçam que o diagnóstico não deve ser visto como um rótulo, mas como uma ferramenta. “O diagnóstico não é o fim, e sim um ponto de partida. Ele permite entender as necessidades e potencialidades de cada criança, direcionando intervenções mais adequadas e promovendo melhor qualidade de vida”, afirma a pediatra.

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