MENOPAUSA

Modulação hormonal: nutrição é aliada estratégica

Escolhas adequadas reduzem o risco de doenças comuns nessa fase, como obesidade, aumento de gordura visceral, osteoporose e doença cardiovascular isquêmica

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A queda acentuada dos níveis de estrogênio durante a menopausa está associada a uma série de efeitos indesejados que impactam diretamente a saúde da mulher. Entre os principais estão obesidade, aumento de gordura visceral, osteoporose e doença cardiovascular isquêmica. Nessa fase, e até mesmo na perimenopausa, a nutrição representa um importante componente de proteção ao modular os hormônios femininos e contribuir para a redução dessas e de outras doenças, a manutenção do peso e o alívio de sintomas físicos e psicológicos característicos do período.

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Segundo a professora do curso de nutrição da Estácio BH e doutora em nutrição em saúde pública, Isis Tande da Silva, hormônios relacionados ao metabolismo, como insulina, grelina, leptina e adiponectina, regulam o apetite, o armazenamento de gordura e a saúde reprodutiva. “A ingestão alimentar aumentada costuma elevar os níveis de insulina, GIP, GLP-1 e leptina, e reduzir os hormônios do crescimento, da fome (grelina) e da gordura saudável (adiponectina).”

“Cada um deles têm efeitos próprios, participam de interações complexas entre diferentes vias de sinalização e estabelecem comunicação cruzada com outros hormônios. Mulheres na perimenopausa e menopausa devem evitar o consumo energético excessivo e alimentos que piorem o estado metabólico”, esclarece.

O papel da nutrição

A recomendação é seguir uma dieta metabolicamente saudável, considerando que o sistema reprodutivo feminino é muito influenciado pelo equilíbrio energético. A nutricionista orienta evitar o excesso de:

  • Gordura saturada (manteiga, carnes gordas, cremes de leite, banha de porco, embutidos, linguiças)
  • Carboidratos simples (pães, bolos, biscoitos, bolachas feitas com farinha branca, amido)
  • Açúcar (doces, balas, biscoitos, chocolates)
  • Sal (enlatados, embutidos)

Por outro lado, a Isis indica priorizar o consumo abundante de frutas e hortaliças, pois são ricas em vitaminas, minerais, fibras e compostos bioativos. “Vitaminas provindas desses alimentos, como C, E e carotenoides são essenciais na proteção antioxidantes, assim como os polifenóis das frutas vermelhas, uva, chá-verde e cacau.”

“Carboidratos integrais, como aveia, farinha integral, grãos de trigo, centeio, cevada e arroz integral, consumidos com frutas, hortaliças e cereais integrais favorecem a ingestão adequada de fibras, essencial para o controle da glicemia e dos lipídios séricos”, complementa.

A especialista acrescenta que também é importante incluir na alimentação gorduras benéficas, especialmente as mono e polinsaturadas, que auxiliam no controle do colesterol. “Destacam-se o azeite de oliva, rico em gordura monoinsaturada, e os peixes, fontes de ômega-3 com ação antinflamatória, além de sementes e oleaginosas, ricas em ômega-6”, ilustra.

Os fitoestrógenos

Ensaios clínicos e estudos epidemiológicos sugerem associação de dietas ricas em fitoestrógenos a um menor risco de algumas condições relacionadas à deficiência estrogênica, como sintomas vasomotores, perda óssea e possivelmente doença cardiovascular. “Os fitoestrógenos são compostos bioativos de origem vegetal, com estrutura química semelhante ao 17-estradiol – o principal estrogênio humano. Sua fonte são soja e derivados, linhaça, sementes e cereais integrais, brotos e leguminosas”, informa Isis.

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No entanto, a professora pondera que “os mecanismos biológicos e a magnitude clínica desses efeitos ainda não estão completamente estabelecidos em humanos”. Além disso, não há evidência robusta e consistente de que a ingestão de fitoestrógenos promova aumentos clinicamente significativos nos níveis circulantes de estradiol em mulheres na pós-menopausa.

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