Níveis altos de testosterona podem aumentar o risco de trombose: entenda
Comum em academias e terapias não indicadas, uso indiscriminado do hormônio pode provocar alterações no sangue e favorecer eventos cardiovasculares graves
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O uso de testosterona sem indicação médica tem se tornado cada vez mais comum, seja com finalidade estética, ganho de massa muscular ou promessa de melhora da disposição. No entanto, o excesso do hormônio no organismo pode trazer riscos importantes para a saúde, incluindo trombose, infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
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De acordo com o cirurgião vascular Marcio Steinbruch, níveis elevados de testosterona podem alterar a viscosidade do sangue e favorecer a formação de coágulos, aumentando o risco de eventos cardiovasculares potencialmente fatais.
“A testosterona em excesso estimula a produção de glóbulos vermelhos, o que deixa o sangue mais espesso. Esse aumento da viscosidade facilita a formação de trombos, que podem obstruir veias e artérias, levando a quadros como trombose venosa profunda, embolia pulmonar, infarto e AVC”, explica o especialista.
Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, a trombose venosa profunda ocorre quando há formação de coágulo dentro das veias, geralmente nas pernas, podendo evoluir para embolia pulmonar, uma condição grave e potencialmente fatal.
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Estudos publicados em periódicos como o Journal of the American Heart Association e o The New England Journal of Medicine apontam que terapias hormonais com testosterona, quando usadas sem controle médico, podem aumentar o risco de eventos cardiovasculares, especialmente em pessoas com fatores de risco como sedentarismo, obesidade, tabagismo ou histórico familiar de doença cardíaca.
Além do uso estético, outro problema frequente é a chamada reposição hormonal feita sem necessidade clínica comprovada. “A reposição de testosterona só deve ser feita quando existe deficiência comprovada por exames e avaliação médica. O uso por conta própria, com doses elevadas ou sem acompanhamento, pode trazer consequências graves para o sistema vascular”, alerta Marcio.
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Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo, responsáveis por cerca de 17,9 milhões de óbitos por ano, e fatores que aumentam o risco de formação de coágulos devem ser monitorados com atenção.
O especialista orienta que qualquer terapia hormonal deve ser feita com acompanhamento médico, exames periódicos e avaliação individualizada dos riscos. “Sintomas como dor e inchaço nas pernas, falta de ar súbita, dor no peito, tontura ou fraqueza em um lado do corpo podem indicar trombose, embolia, infarto ou AVC e precisam de atendimento imediato”, destaca.
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O alerta vale principalmente para homens jovens que utilizam testosterona para fins estéticos ou esportivos, muitas vezes sem conhecer os efeitos que o excesso do hormônio pode causar no sistema circulatório.