QUALIDADE DE VIDA

Oscilações hormonais podem atrasar diagnóstico de TDAH em mulheres

No Mês da Mulher, especialistas alertam para impacto de mudanças hormonais ao longo da vida em condições do neurodesenvolvimento

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Durante a perimenopausa e a menopausa, a redução dos níveis de estrogênio pode intensificar sintomas como dificuldade de concentração, lapsos de memória e alterações na regulação emocional. Além disso, as oscilações hormonais ao longo deste período podem influenciar tanto a intensidade dos sintomas quanto o diagnóstico do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) em mulheres.

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Segundo Fabrícia Signorelli, psiquiatra e pesquisadora no Ambulatório de Transtorno do Déficit de Atenção (TDAH) com Hiperatividade da Universidade Federal de São Paulo, em pacientes que já têm diagnóstico, as alterações hormonais desse período tendem a agravar os sintomas.

“A perimenopausa e a menopausa podem piorar dificuldades de concentração, memória e regulação emocional. Por isso, manter o acompanhamento médico e o tratamento adequado é essencial para preservar a qualidade de vida e o funcionamento no dia a dia”, afirma Fabrícia. 

A especialista completa que alguns sintomas típicos dessa fase são frequentemente confundidos com características do transtorno. No caso das mulheres com diagnóstico de TDAH, as alterações hormonais podem gerar diferentes impactos ao longo das diversas fases da vida.

Na puberdade, alterações hormonais associadas ao início da atividade ovariana podem influenciar a intensidade sintomática. Durante o ciclo menstrual, flutuações de estrogênio e progesterona tendem a associar-se a variações na intensidade dos sintomas do TDAH. A maior prevalência de transtorno disfórico pré-menstrual é descrita em mulheres com TDAH.

Na gravidez e no puerpério, recomenda-se monitoramento individualizado, considerando alterações hormonais significativas. Na perimenopausa e na menopausa, a redução progressiva de estrogênio pode impactar a memória, a atenção e a regulação emocional.

Diagnóstico tardio em mulheres

Historicamente, o TDAH foi mais associado ao público masculino, principalmente porque muitos critérios diagnósticos foram desenvolvidos a partir de estudos com meninos. Como resultado, meninas e mulheres com sintomas menos evidentes - muitas vezes relacionados à desatenção e à sobrecarga mental - foram menos identificadas ao longo das últimas décadas.

Isso faz com que muitas mulheres cheguem à idade adulta sem diagnóstico formal, mesmo convivendo desde a infância com dificuldades relacionadas à atenção, organização e regulação emocional. Estudos indicam que os sintomas podem persistir até a vida adulta em cerca de 60% dos casos. 

“Nos últimos anos, o diagnóstico tem se tornado mais frequente no gênero feminino na vida adulta. Muitas convivem com dificuldades de atenção e organização ao longo da vida, mas só passam a buscar avaliação médica quando esses sintomas se tornam mais evidentes ou impactam de forma significativa a rotina, por conta do aumento de demandas que ocorre de forma expressiva na vida adulta, bem como do impacto dos hormônios no período de perimenopausa e menopausa”, explica a psiquiatra Fabrícia Signorelli.

O cenário do TDAH no Brasil

De acordo com a Associação Brasileira do Déficit de Atenção, o TDAH pode afetar entre 5% e 8% da população mundial, e estimativas indicam que cerca de 11 milhões de brasileiros convivem com o transtorno. A condição é caracterizada principalmente por três grupos de sintomas: desatenção, hiperatividade e impulsividade, que podem impactar diferentes áreas da vida, como desempenho profissional, organização da rotina e relações interpessoais.

O diagnóstico do TDAH em adultos deve ser criterioso. Ferramentas como a escala ASRS-18, desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), podem auxiliar na triagem inicial, mas a confirmação depende de uma avaliação clínica detalhada, que considere o histórico de sintomas desde a infância, o impacto funcional em diferentes contextos e a exclusão de outras condições neurológicas ou psiquiátricas.

O tratamento pode incluir acompanhamento psicológico, intervenções comportamentais e, em alguns casos, medicação. A identificação precoce e o manejo adequado do transtorno ao longo da vida podem contribuir para melhor qualidade de vida e para a redução de impactos funcionais associados às dificuldades cognitivas e emocionais do transtorno.

No tratamento com medicamentos, além dos psicoestimulantes, existem opções não estimulantes indicadas para o tratamento do TDAH. Entre elas está a atomoxetina, um inibidor seletivo da recaptação de noradrenalina, disponibilizado no Brasil em 2023.

TDAH, TEA e saúde mental feminina

Especialistas também destacam a importância da compreensão de outras condições do neurodesenvolvimento historicamente subdiagnosticadas no público feminino, como o transtorno do espectro autista (TEA). Meninas e mulheres com autismo muitas vezes não são diagnosticadas, são mal diagnosticadas ou recebem o diagnóstico em idade mais avançada. Isso pode resultar em impactos adversos no bem-estar, na saúde mental, na educação, no emprego e na independência.

O autismo no sexo feminino apresenta sintomatologia própria e pode se manifestar de forma diferente e mais sutil, especialmente em meninas e mulheres de alto desempenho, ou seja, aquelas com fala fluente e QI médio ou acima da média.

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Pesquisadores discutem o fenômeno chamado “camuflagem social”, quando mulheres aprendem a mascarar dificuldades sociais ao longo da vida, o que pode atrasar o reconhecimento do transtorno.
“Esse fenômeno pode contribuir para diagnósticos tardios e para uma maior sobrecarga emocional ao longo da vida, reforçando a importância de ampliar o olhar da saúde para as particularidades da saúde mental feminina.”

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