O mês de fevereiro marca a renovação de um compromisso vital com a saúde pública brasileira através da campanha Fevereiro Laranja, que ganha contornos de urgência diante dos dados mais recentes publicados pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca).
No relatório "Estimativa 2026–2028: incidência de câncer no Brasil", divulgado no início deste mês, projeta-se a ocorrência de 12.220 novos casos de leucemia para cada ano do triênio, um cenário que exige atenção redobrada. A incidência mantém-se ligeiramente superior na população masculina, com 6.540 casos previstos, contra 5.680 em mulheres, reforçando a necessidade de políticas públicas que alcancem diferentes perfis demográficos.
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Enquanto a leucemia linfoide aguda (LLA) permanece como o subtipo predominante entre crianças e adolescentes, a leucemia mieloide aguda (LMA) consolida-se como o desafio mais comum entre o público adulto, exigindo estratégias de tratamento cada vez mais personalizadas.
A hematologista da Afya Ipatinga, Marita de Novais Costa Salles, comenta que a leucemia apresenta diferenças importantes conforme a faixa etária, tanto em relação ao tipo mais frequente quanto ao comportamento da doença, às estratégias terapêuticas e ao prognóstico.
“Na infância, a leucemia linfoide aguda (LLA) é a forma mais comum. Felizmente, nessa faixa etária, os índices de cura são elevados. As crianças, em geral, toleram melhor esquemas intensivos de quimioterapia e, quando indicado, o transplante de medula óssea. Além disso, os protocolos pediátricos são bastante estruturados e apresentam excelentes resultados, o que contribui para um prognóstico mais favorável”.
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Entre a população adulta, a hematologista informa que, especialmente acima dos 60 anos, a leucemia mieloide aguda (LMA) torna-se mais frequente. Nessa população, o tratamento precisa ser individualizado, levando em consideração o estado clínico, doenças associadas e alterações genéticas da leucemia. Sendo necessário ajustar a intensidade da quimioterapia para reduzir riscos de complicações.
Em pacientes idosos, o transplante de medula óssea, que pode ser potencialmente curativo, nem sempre é viável devido às condições clínicas e aos riscos do procedimento, o que pode impactar o prognóstico.
O cenário internacional corrobora a gravidade global das neoplasias hematológicas. De acordo com a organização Blood Cancer United, estima-se que quase 1,76 milhão de pessoas vivam com cânceres no sangue nos Estados Unidos, onde uma nova pessoa é diagnosticada a cada três minutos. A organização estima que a leucemia e doenças correlatas causaram mais de 56 mil mortes no território americano no ano passado, o que equivale a um óbito a cada nove minutos.
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Sinais que podem salvar vidas
Ficar atento aos sinais que o corpo apresenta é fundamental para possibilitar o diagnóstico precoce da leucemia, o que aumenta significativamente as chances de sucesso no tratamento. Marita explica que, muitas vezes, os sintomas podem ser confundidos com problemas comuns do dia a dia, mas quando são persistentes ou aparecem de forma associada, merecem investigação médica.
“Alguns sinais e sintomas são comuns às leucemias agudas e devem servir de alerta. Entre eles estão cansaço excessivo, fraqueza e palidez, geralmente relacionados à anemia. Podem ocorrer infecções frequentes ou de difícil controle, já que os leucócitos (células de defesa do organismo) passam a não funcionar adequadamente”.
Outro sintoma importante são os sangramentos, como gengivais ou nasais, e o aparecimento de manchas roxas na pele, decorrentes da queda no número de plaquetas. “Além disso, pode haver aumento dos linfonodos (popularmente conhecidos como “ínguas”).
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Em crianças, a dor óssea também pode ser um sinal de alerta. Ao perceber a combinação desses sintomas, é fundamental procurar avaliação médica para investigação adequada e diagnóstico precoce”, alerta a hematologista.
