O carnaval está entre os feriados prolongados que mais mobilizam famílias no Brasil. Viagens, mudanças de rotina, exposição ao calor e circulação intensa em praias, ruas e locais cheios fazem com que pais e responsáveis se vejam, muitas vezes, longe do pediatra de referência e de serviços de saúde conhecidos. Nesse cenário, situações comuns da infância ganham peso e explicam o aumento da procura por pronto-atendimentos pediátricos durante o período.

Segundo o pediatra Carlos Henrique Silva Pedrazas, do Prontobaby Hospital da Criança, os atendimentos mais frequentes neste período envolvem acidentes simples. “Quedas, cortes e arranhões são muito comuns, principalmente porque a criança está correndo e brincando em ambientes diferentes do habitual. Também vemos muitos casos de desidratação e insolação, já que faz calor e, muitas vezes, a criança não interrompe a brincadeira para pedir água”, explica.

O médico ressalta ainda que o período favorece outras ocorrências. “Aumentam as picadas de insetos, as reações alérgicas provocadas por maquiagens e fantasias, e as intoxicações acidentais, seja por medicamentos, bebidas ou produtos que deveriam estar fora do alcance. Em locais cheios, há também o risco de a criança se perder, o que gera muito estresse para a família”, afirma.

Para reduzir essas ocorrências e evitar deslocamentos desnecessários a hospitais, o pediatra orienta que as famílias viagem com um kit básico de primeiros socorros. “Termômetro, antitérmico adequado à idade, curativos, gaze, antisséptico, soro fisiológico, protetor solar e repelente infantil não podem faltar”, diz.

Crianças que fazem uso contínuo de medicamentos devem levar a quantidade suficiente para todo o período da viagem. “Vale também ter anotado o contato do pediatra, do plano de saúde e saber quais são as unidades de atendimento mais próximas do local onde a família ficará”, orienta.

Quedas, cortes e escoriações comuns durante a folia, em geral, podem ser manejados no próprio local, com cuidados básicos. “Lavar bem o machucado com água corrente e sabonete, fazer compressão se estiver sangrando, usar um antisséptico e cobrir com um curativo limpo costuma ser suficiente”, explica.

No entanto, ele faz um alerta. “Quando o corte é profundo, o sangramento não cessa ou a criança bate forte a cabeça, fica sonolenta ou vomita, é fundamental procurar avaliação médica presencial”.

A desidratação e a insolação também merecem atenção especial. De acordo com o pediatra, os sinais nem sempre são óbvios. “A criança pode ficar mais quieta ou irritada, apresentar boca seca e urinar menos, com xixi mais escuro. A insolação pode causar febre, dor de cabeça, tontura e mal-estar”, afirma.

A prevenção passa por oferecer líquidos com frequência, mesmo sem a criança pedir, e evitar exposição ao sol nos horários mais quentes. “A estratégia do ‘brinca e pausa’ ajuda muito nesse período”, acrescenta.

Diante de febre ou mal-estar longe de casa, a recomendação é manter a calma e medir a temperatura. “Nem toda criança quente está com febre. Consideramos febre a partir de 37,8ºC, e muitas vezes o calor ambiente confunde”, explica.

Hidratação adequada e uso de antitérmico compatível com a idade e o peso costumam resolver quadros leves. “Crianças com mais de 40 quilos, em relação ao antitérmico, já podem usar dose de adulto”, orienta.

No entanto, febre alta persistente ou acompanhada de prostração, dor intensa ou dificuldade para respirar exige avaliação médica. “A regra é clara: prostração, mesmo depois que a febre cede, é sinal de alarme”, alerta.

As picadas de insetos, comuns nessa época do ano, geralmente causam apenas coceira e vermelhidão, mas também exigem observação. “Dor intensa, febre, secreção no local ou sinais de alergia, como inchaço no rosto e nos lábios, precisam de atenção, porque podem anteceder dificuldade respiratória”, diz.

O uso de repelente adequado para a idade e roupas leves ajuda na prevenção, mas a piora progressiva dos sintomas indica a necessidade de procurar assistência.

Outro erro frequente em situações de emergência é o uso de medicamentos de adultos em crianças. “Criança não é um adulto pequeno. Muitos remédios que ingerimos não são seguros para crianças, nem mesmo em dose menor”, afirma o pediatra.

Segundo ele, medicamentos pediátricos têm formulações específicas, geralmente em apresentações líquidas, com doses ajustadas ao peso. “A orientação é usar sempre o que o pediatra já recomendou e manter consultas regulares para não ter dúvidas em momentos de urgência”, orienta.

Casos de ingestão acidental de alimentos ou substâncias desconhecidas devem ser tratados como urgência. “Não se deve provocar vômito nem oferecer leite ou líquidos sem orientação. O correto é levar a criança imediatamente para atendimento médico e, se possível, levar a embalagem ou o nome do produto ingerido”, explica.

A prevenção é fundamental. “Produtos que a criança não pode usar devem ficar fora do alcance. Embalagens coloridas e chamativas sempre atraem a atenção dos pequenos”, alerta.

Há situações em que a ida imediata ao pronto-socorro é indispensável. “Dificuldade para respirar, convulsão, desmaio, sangramento intenso, dor forte, febre alta com prostração mesmo após medicação ou suspeita de intoxicação não permitem espera. É pronto-socorro imediatamente”, afirma.

Em praias, piscinas e locais com grandes aglomerações, a supervisão constante dos adultos é indispensável. “Boias não substituem um adulto atento”, reforça.

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Protetor solar deve ser reaplicado com frequência, a hidratação precisa ser contínua e a alimentação deve ser leve. Em ambientes cheios, identificar a criança e combinar pontos de referência ajuda a evitar situações de risco. “No carnaval, diversão e segurança precisam caminhar juntas.”

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