Congelamento de óvulos: planejamento reprodutivo ou ilusão de controle?
Bruna Coimbra, ginecologista e especialista em fertilidade da Clínica Origen BH, tira as dúvidas
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Cada vez mais mulheres têm recorrido ao congelamento de óvulos para adiar a maternidade. A proposta parece simples: preservar a fertilidade hoje para usar no futuro. Mas até que ponto essa decisão garante uma gravidez mais adiante?
O principal fator que influencia a fertilidade feminina é a idade. A partir dos 35 anos, há uma queda importante na quantidade e na qualidade dos óvulos. O congelamento preserva a qualidade dos óvulos no momento em que são coletados — mas não rejuvenesce o ovário nem assegura sucesso futuro.
Uma questão fundamental para definir qual melhor estratégia e planejamento para o congelamento de óvulos é a avaliação da reserva ovariana. Ela permite estimar o número de óvulos ainda presentes nos ovários e, assim, personalizar as formas de estimulação hormonal e congelamento para cada paciente.
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Exames
Os dois principais exames utilizados na avaliação da reserva ovariana são a contagem de folículos antrais, feito por ultrassonografia pélvica transvaginal, e a dosagem do Hormônio Anti-Mülleriano (AMH), produzido pelos folículos em desenvolvimento. Esses exames são complementares e, juntos, oferecem uma visão confiável da situação atual da reserva ovariana. No entanto, o resultado da avaliação tende a sofrer alterações ao longo dos anos, quando pode ocorrer a queda da reserva ovariana e a qualidade dos óvulos.
Outro ponto pouco divulgado é que não basta congelar poucos óvulos. Para aumentar as chances de um nascimento, geralmente é necessário armazenar um número adequado de óvulos, o que pode exigir mais de um ciclo de estimulação hormonal. Além disso, se a mulher decidir utilizá-los no futuro, por se deparar com a infertilidade ou desejar a produção independente, precisará passar por fertilização in vitro — e cada etapa do processo envolve probabilidades, não garantias. É também importante levar em consideração o número de filhos desejados pelo casal para que se possa propor um número de óvulos a ser congelados.
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Planejamento
Nos últimos anos, o procedimento passou a ser associado à ideia de autonomia e planejamento. De fato, ele amplia possibilidades, especialmente para quem deseja postergar a maternidade ou enfrentará tratamentos que podem comprometer a fertilidade. No entanto, é importante evitar a falsa impressão de que a tecnologia elimina o impacto do tempo e que procurar engravidar mais cedo deixa de ser importante.
O congelamento de óvulos não é uma promessa de gravidez futura — é uma estratégia de preservação de chances. A verdadeira autonomia reprodutiva começa com informação clara e expectativas realistas.
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