MEDICINA REPRODUTIVA

Ovodoação redefine a forma como mulheres encaram a maternidade

Doação de óvulos é voluntária e anônima; ginecologista e psicóloga explicam por que a técnica não afeta o vínculo com o filho

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Entre 2024 e 2025, o número de tratamentos com ovodoação cresceu 27,8%, segundo levantamento do Grupo Huntington. O dado reflete uma transformação na forma como muitas mulheres compreendem a maternidade. Cada vez mais, ser mãe deixa de estar associado exclusivamente à genética e passa a ser entendido como um projeto construído pelo desejo, gestação e cuidado.

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Indicada para mulheres com baixa reserva ovariana, falência ovariana precoce, histórico de tratamentos oncológicos ou que iniciaram o projeto reprodutivo mais tarde, a ovodoação ainda desperta inseguranças. A mais comum delas é direta e emocional: “o filho é realmente meu mesmo quando o óvulo é doado?”

A resposta, segundo especialistas, é sim. E não apenas do ponto de vista legal, mas também biológico e psicológico. “A mulher que engravida por ovodoação vive todas as transformações hormonais, físicas e emocionais da gravidez. É esse processo que constrói o vínculo materno”, afirma a ginecologista Laura Maia, especialista em reprodução assistida da Huntington Pró-Criar.

Na prática clínica, é comum que essas dúvidas surjam antes do tratamento e percam força ao longo da gestação. O corpo que recebe o embrião passa por mudanças profundas, produz os hormônios da gravidez, sente os movimentos do bebê e estabelece uma conexão diária ainda no período intrauterino. A maternidade se consolida no tempo da gestação e segue sendo construída após o nascimento, no cuidado cotidiano.

Relatos públicos de mulheres que recorreram à ovodoação também têm ajudado a ampliar esse debate de forma positiva. A atriz Viviane Araújo, por exemplo, já compartilhou sua experiência ao engravidar por ovodoação, descrevendo a maternidade como algo vivido plenamente na gestação e na relação diária com o filho.

Do outro lado desse processo, mulheres que escolhem doar óvulos também contribuem para ressignificar o tema. A também atriz Yana Sardenberg tornou pública sua decisão de se tornar ovodoadora após congelar seus óvulos, destacando o desejo de ajudar outras mulheres a realizarem o sonho de ser mãe.

Para especialistas, histórias como essas ajudam a desconstruir o mito social de que o vínculo materno depende do DNA. “A parentalidade e a filiação não são aspectos somente biológicos, pois é o desejo e o discurso dos pais que irá definir o lugar que o filho ocupará na família”, afirma Cássia Avelar, psicóloga da Huntington Pró-Criar.

Como funciona a ovodoação?

A ovodoação é um tratamento de reprodução assistida no qual uma mulher recebe óvulos doados de forma voluntária e anônima. Esses óvulos são fertilizados em laboratório e o embrião é transferido para o útero da paciente, que vivencia toda a gestação. A doadora não tem vínculo legal ou parental com o bebê, e o processo segue critérios médicos rigorosos, incluindo avaliação clínica, genética e acompanhamento psicológico.

Para a mulher que engravida, isso significa viver a maternidade desde o início. “É o corpo dela que sustenta a gravidez, produz os hormônios, nutre o bebê e constrói o vínculo. Independentemente da origem do óvulo, a experiência da maternidade é plena”, reforça Laura.

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O crescimento da ovodoação mostra que, para muitas mulheres, ser mãe vai além da genética. “O que sustenta a maternidade é a presença emocional, o cuidado, a disponibilidade afetiva e a construção desse laço ao longo do tempo”, afirma Cássia.

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