Participantes da raça boston terrier com os autores do estudo (E-D): David Sargan, Fran Tomlinson e Jane Ladlow, de Cambridge crédito: Fran Tomlinson/Divulgação
Tutores de cães como pug e buldogue estão sempre atentos à respiração dos animais, conhecidos pelo focinho extremamente achatado, o que pode resultar na obstrução das vias aéreas. Um estudo publicado na revista "Plos One" mostra, porém, que o risco não depende apenas da anatomia do crânio, variando amplamente segundo fatores individuais, inclusive em uma mesma linhagem. De acordo com os autores, essa é a primeira pesquisa a investigar as taxas de comprometimento respiratório em um número significativo de raças.
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Os pesquisadores da Universidade de Cambridge e do Kennel Clube do Reino Unido avaliaram quase 900 cães em consultas em um hospital veterinário universitário na cidade inglesa. Eles constataram que a chamada síndrome obstrutiva das vias aéreas bovinas (Boas) varia consideravelmente em prevalência e gravidade entre as raças de focinho achatado, conhecidas como braquicefálicos, e também em uma mesma linhagem.
Sobrepeso, narinas estreitas ou cabeça mais larga e curta associam-se a casos mais complexos, assim como caudas mais curtas e pescoços mais grossos em determinadas raças. "A Boas existe em um espectro. Alguns cães são afetados apenas levemente, mas, para aqueles no extremo mais grave, pode reduzir significativamente a qualidade de vida e se tornar um sério problema de bem-estar animal", explicou, em nota, Fran Tomlinson, cientista da Escola de Medicina Veterinária de Cambridge, que co-liderou o estudo.
Os pesquisadores lembram que pesquisas anteriores sobre Boas se concentraram em raças "mais achatadas": buldogue francês, buldogue inglês e pug. De fato, essas estão entre as com maior incidência, confirma Brener Amadeu, professor do curso de medicina veterinária do Centro Universitário Una, em Minas Gerais. "Esses animais têm uma anatomia que dificulta a respiração, com narinas estreitas, palato alongado e traqueia menor, o que os torna mais vulneráveis", explica.
A equipe de Cambridge, porém, decidiu incluir outras raças com graus variáveis de braquicefalia:
Affenpinscher
Boston terrier
Boxer
Cavalier king charles spaniel
King charles spainel (também conhecido como "spaniel toy")
Chihuahua
Dogue de Bordeaux
Griffon de Bruxelas
Chin japonês
Maltês
Pequinês
Spitz alemão anão
Shih tzu
Staffordshire bull terrier
Doze das 14 linhagens investigadas tinham algum nível detectável de anormalidade respiratória, sendo que duas apresentaram os riscos mais altos de Boas: pequinês (89% dos examinados) e chin japonês (82%). As taxas são comparáveis às de pug e buldogue.
Cinco raças foram consideradas de risco moderado para a síndrome obstrutiva das vias aéreas bovinas, king charles spaniel, shih tzu, griffon de Bruxelas, boston terrier e dogue de Bordeaux, com metade a três quartos dos cães estudados afetados.
Já os staffordshire bull terrier, cavalier king charles spaniel, chihuahua, boxer e affenpinscher apresentaram risco leve, com 50% dos cachorros com algum grau de respiração ruidosa e poucos com doença clinicamente significativa. Nenhum dos exemplares de spitz alemão ou maltês demonstraram sintomas clínicos.
Um golden retriever chamou a atenção da internet recentemente nos Estados Unidos graças a uma cena curiosa. Afinal, Leo, de três anos, viralizou ao interagir com uma estátua, que segurava uma bolinha, e ficar no aguardo de um arremesso. O caso se deu em Denver, no Colorado.
Instagram/itstheleos
A tutora gravou o vídeo da reação do cachorro, que latia e aguardava ansiosamente pelo lançamento, sem se dar conta de que tratava-se de uma estátua. Como a própria dona afirmou em sua rede social, “Leo está aprendendo da maneira mais difícil o quão irritante é quando alguém não escuta quando você diz ‘solta'”.
Instagram/itstheleos
Essa, porém, não foi a primeira vez que o golden chamou a atenção. Isso porque o pequeno Atlas Hill, de apenas 9 meses, viralizou na internet com sua expressão de tristeza após voltar de férias com seus tutores. “Eu nasci para ser um cão de lago, isso não é justo”, diz a legenda.
Foto: Reprodução vídeo Instagram Atlas.The.Golden.boy
Essa raça de cães, por exemplo, é conhecida por ser dócil e não latir muito. Sua boca em forma de “sorriso” é um colírio para os olhos dos fãs dos golden. Espaçoso e brincalhão, esse cachorro necessita de muita atenção e exercícios físicos, a fim de gastar sua vasta energia.
Imagem de Magnus por Pixabay
E outra vantagem da raça é que costuma ser discreta, sem latir demais. Além do golden retriever, veja outras raças de cachorro conhecidas por não latirem muito.
Dálmatas são cachorros adaptáveis, adoram se exercitar e têm 13 anos de expectativa de vida. Medem 61 centímetros e pesam 32 kg em média e não são conhecidos por latir muito.
Imagem de Kev por Pixabay
Mas as principais características desse dog são suas manchas pretas na pele. A raça é uma das mais famosas muito por conta do clássico filme 101 Dálmatas, de 1961.
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Beagles não são tão silenciosos em geral, mas, como essa tendência é atrelada à sua condição de vida, é possível encontrar uns bem quietos.
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Apesar do tamanho ser, à primeira vista, um pouco assustador, os boxers são muito sociáveis e não latem muito. Em média, medem 58 cm e pesam 27 kg.
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Uma de suas principais características é ser muito fiel ao dono. É um cachorro bastante protetor a toda família e um verdadeiro amigão.
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O basenji é uma das raças mais antigas do mundo, com raízes nas cabeceiras dos rios Nilo e Congo, na África. Requer muita atenção e adora exercícios, sendo um legítimo cão de guarda.
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A principal característica do basenji é que ele não late, mas emite grunhidos peculiares que se assemelham ao uivo.
Imagem de Aleksandr Tarlõkov por Pixabay
O whippet, originário nos campos do norte da Inglaterra, é um cão de caça e bom de corrida. Sua velocidade fazia com que os camponeses os utilizassem como caçadores – chegam até a 60km/h!
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Mas se você quiser ter um whippet, cuidado! Eles são frágeis ao frio, já que são muito magros e possuem pelos finos. Em baixas temperaturas é necessário agasalhá-los.
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A cara de mau pode até enganar, mas os buldogues ingleses são muito afetivos e adoram receber – e dar – amor. Os primeiros registros desse doguinho vêm da Inglaterra, datando da década de 1630.
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Uma característica, além de ele não latir muito, são as dobras de pele ao longo do corpo. Portanto, cuidado, já que é necessário que o dono limpe constantemente essas áreas, a fim de evitar irritações, alergias ou sobras de sujeiras.
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Originário do Japão, o Shiba Inu é provavelmente o menor cachorro asiático. Esses cães são extremamente resistentes e muito fiéis.
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Eles não são muito de latir e adoram aventuras, visto que dispõem de muita energia e agilidade. Você deve se lembrar de ter visto essa raça em memes, que tomaram a internet por conta de suas expressões adoráveis e, claro, engraçadas.
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Chegou a hora dos inconfundíveis pugs! Esses cachorros extremamente dóceis e amáveis se originam da China e são das raças mais antigas do mundo.
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O focinho achatado, o fato de latir pouco (com barulho de ronco) e o rabinho enrolado são apenas algumas das características desse adorável cachorrinho.
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Procure não deixá-lo muito tempo sozinho, já que é um dog muito ligado à presença humana. Leve-o para passear para gastar um pouco de sua energia e distraí-lo, já que se entedia muito facilmente.
Imagem de Alexa por Pixabay
Você sabia que o cachorro mais alto registrado no Guiness Book (Livro dos recordes) é um dogue alemão? Zeus, de Otsego, nos Estados Unidos, media 111,8 cm. A raça ficou popularizada pelo personagem Scooby Doo, um dogue alemão marrom.
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Apesar do porte grande, o Dogue Alemão tem uma alma brincalhona e não aparenta ter a noção de seu tamanho. Ele faz brincadeiras típicas de cachorros menores, como pular no colo do dono.
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Uma das raças mais antigas do mundo e também mais rápidas! O galgo consegue correr até 72 km/h, sendo um dos mais talentosos do mundo na corrida.
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Por ser uma raça discreta e reservada, o galgo inglês (também conhecido por greyhoud) não late muito, fazendo pouco barulho. É, também, muito obediente.
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Tanto entre os shih tzu quanto nos staffordshire bull terrier, os pesquisadores descobriram que caudas mais curtas estavam associadas a um risco aumentado de Boas. No segundo caso, a probabilidade de sofrer da síndrome foi 30% menor quando o rabo era mais longo, por exemplo. Já os cães boston terrier e staffordshire bull terrier com pescoços mais grossos tinham maior probabilidade de serem afetados — isso já foi verificado anteriormente em relação aos buldogues.
Entre os chihuahua e king charles spaniel, o corpo relativamente mais longo e estatura mais baixa tinham elevavam o risco. O excesso de peso contou mais para cavalier king charles spaniel, shih tzu e affenpinscher. "A perda de peso pode ser usada como uma ferramenta de controle para reduzir o risco de Boas nessas três raças, assim como acontece com o Pug", disse Jane Ladlow, veterinária que coliderou o estudo.
Para Jane, o estudo pode ajudar a testar mais cães de focinho achatado para verificar a probabilidade de sofrerem da síndrome e de outros problemas de saúde associados à braquicefalia. "Ter conhecimento dos fatores de risco pode ser útil tanto para criadores quanto para futuros tutores na escolha de cães com menor probabilidade de serem afetados pela síndrome", acredita.
Os pesquisadores destacam que o peso, o estreitamento das narinas e a proporção craniofacial representaram apenas 20% da variação de risco de desenvolvimento da Boas entre as diferentes raças. "Por ora, a avaliação respiratória continua sendo a maneira mais precisa de determinar esse risco e, portanto, quais cães devem ser selecionados para reprodução ou cujo bem-estar se beneficiaria de intervenção veterinária", informaram.