Mpox: Brasil mantém vigilância diante de casos esporádicos e nova variante
Em 2025, foram 1.047 notificações no Brasil; no mesmo ano, foi identificado uma nova variante no Reino Unido, em dezembro, e na Índia, em setembro
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Após o pico registrado entre 2022 e início de 2023, a Mpox segue sob monitoramento das autoridades sanitárias. Segundo o Ministério da Saúde, em 2025, foram 1.047 notificações. Agora, em 2026, o Painel Mpox da pasta registra 46 casos oficiais.
Embora o número de casos no Brasil esteja atualmente em patamar mais baixo, a identificação recente de uma nova variante no Reino Unido e na Índia, de origem híbrida, reforça a importância da vigilância epidemiológica e do diagnóstico laboratorial preciso.
O que é Mpox?
De acordo com a infectologista do Lab-to-Lab Pardini, Melissa Valentini, a Mpox é causada por um vírus da mesma família da varíola humana, doença erradicada globalmente em 1980. Os principais sintomas são:
- Febre
- Aumento dos gânglios linfáticos, chamados de linfadenomegalia
- Lesões de pele (manchas, pápulas ou vesículas)
"Muitas vezes essas lesões são confundidas com catapora ou até herpes genital”, explica.
Anteriormente chamada de monkeypox, a mudança de nomenclatura, adotada internacionalmente, teve como objetivo evitar estigmatização associada ao nome anterior. Segundo a especialista, trata-se de um vírus já conhecido há décadas, com origem no continente africano.
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“Até 2022, eram raríssimos os casos fora da África e geralmente estavam associados ao contato com animais infectados. A partir daquele ano, houve uma mudança no padrão de transmissão, com disseminação principalmente por contato íntimo e relações sexuais desprotegidas”, afirma.
Comportamento clínico
O vírus da Mpox possui dois principais clados (linhagens genéticas):
- Clado 1: originário da África Central, historicamente associado a quadros mais graves e maior mortalidade
- Clado 2: da África Ocidental, tradicionalmente relacionado a formas mais brandas
O surto global, iniciado em 2022, esteve majoritariamente ligado ao clado 2B, com transmissão predominante por contato íntimo. “A maioria dos casos ocorreu em homens que fazem sexo com homens. Em geral, eram quadros não graves, mas com lesões muito dolorosas, principalmente na região anal e perianal”, detalha a infectologista.
Pacientes imunossuprimidos, especialmente pessoas vivendo com HIV e com baixa imunidade, apresentaram maior risco de complicações. O Brasil foi um dos países mais afetados em 2022 e registrou óbitos associados à infecção. Atualmente, segundo a infectologista, o país segue registrando casos esporádicos, sem o mesmo volume observado no auge do surto.
Nova variante identificada no exterior
Recentemente, pesquisadores identificaram uma nova variante resultante da combinação genética entre linhagens dos clados 1 e 2. Casos foram detectados no Reino Unido, em dezembro de 2025, e na Índia, em setembro do mesmo ano.
“Esses dois casos não têm correlação epidemiológica entre si, o que indica transmissões independentes. Ainda não sabemos se essa variante é mais transmissível, mais grave ou se mantém o padrão de transmissão sexual observado anteriormente. Isso precisa ser acompanhado”, ressalta Melissa Valentini.
Até o momento, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a Mpox como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII). "O alerta é feito para criar uma resposta internacional coordenada e colaborativa para lidar com a doença e não significa que necessariamente ocorrerá uma nova pandemia", destacou o Ministério da Saúde em comunicado.
Isolamento e vacinação
A Mpox é considerada altamente infecciosa e o diagnóstico é realizado por meio da coleta de material das lesões, com identificação do vírus pela técnica de PCR. “O diagnóstico é feito a partir da secreção das lesões, utilizando PCR para detectar o material genético do vírus. Diante da suspeita, o paciente deve permanecer isolado até que todas as lesões desapareçam”, orienta a infectologista.
Em relação à prevenção, a vacina utilizada é a mesma originalmente desenvolvida contra a varíola. No Brasil, as doses foram disponibilizadas por meio de doações internacionais, com prioridade para grupos mais vulneráveis, especialmente pessoas imunossuprimidas.
“O Brasil recebeu vacinas por doação e priorizou grupos de maior risco, como pacientes vivendo com HIV com baixa imunidade. Atualmente, não há disponibilidade ampla de vacina nem na rede pública nem na privada”, afirma.
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Redução de riscos
A especialista reforça que, diante de febre associada a lesões cutâneas e aumento de gânglios, é fundamental buscar avaliação médica, especialmente em casos com histórico recente de contato íntimo desprotegido ou exposição a pessoas com lesões suspeitas. “O reconhecimento precoce e o isolamento adequado são essenciais para interromper a cadeia de transmissão”, reforça.