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Estado de Minas

Só no mundo da fantasia

Versão supostamente aventureira do compacto traz apenas adereços e sistema multimídia de melhor qualidade, mas o acabamento é espartano e o preço alto demais pelo que oferece


postado em 13/07/2019 04:10



Quando a Renault lançou o Kwid, em 2017, a ideia era colocar no mercado um carro de entrada com preço competitivo. Realmente, o subcompacto é um dos modelos mais baratos do país, mas pelo que oferece, poderia ser bem mais. Se a versão de entrada tem preço sugerido de R$ 33.290, a Outsider se aproxima dos R$ 44 mil. É muito dinheiro por um projeto simples, com acabamento espartano, poucos equipamentos e alguns adereços. Testamos a versão “aventureira”, que tem como principal destaque o baixo consumo do motor.
 
Desde o lançamento do Kwid, a Renault associa o carrinho a personagens do mundo dos quadrinhos e do universo RPG. Primeiro, o subcompacto foi mostrado em um filme publicitário com o Incrível Hulk, que tentava salvar a Terra de um impacto com um meteoro. Na ficção, o carrinho supera obstáculos, buracos e outras dificuldades, para fazer valer a afirmação de que é o “SUV dos compactos”. Agora, o comercial do Kwid Outsider coloca o pequeno hatch como a solução para que os seis personagens da Caverna do Dragão escapem do mundo mágico onde estão presos.
 
Por mais que o mundo da fantasia tenha o seu lado lúdico, não dá para acreditar em tudo o que se vê nos comerciais. Portanto, é importante deixar claro que o Renault Kwid não é o SUV dos compactos. É apenas um hatch simples que não está capacitado a enfrentar as tranqueiras do fora de estrada. E por ter dimensões reduzidas, não é o carro de fuga mais apropriado para Eric, Presto, Hank, Diana, Bobby e Sheila, mesmo que esta esteja invisível, na tentativa de retorno ao mundo real. Sem falar no Mestre dos Magos e o unicórnio. Definitivamente, não tem espaço pra tanta gente. Mesmo com o assoalho praticamente plano no banco traseiro, o espaço ali acomoda apenas dois com relativo conforto.

NA REAL Mas, deixando o imaginário de lado e encarando a realidade, o que traz de diferente o Kwid Outsider? Trata-se do mesmo hatch subcompacto, com o mesmo conjunto mecânico, mas que traz adereços como skis (defletor de ar pintado de cinza) nos para-choques dianteiro e traseiro, barras longitudinais no teto, novas molduras dos faróis de neblina, almofadas de plástico nas laterais no lugar dos adesivos, calotas pintadas de preto e a inscrição Outsider nas portas dianteiras.
 
Por dentro, a principal novidade é a central multimídia Media Evolution, além do revestimento em tecido diferenciado dos bancos, com detalhe alaranjado e inscrição Outsider bordada no encosto. O alaranjado aparece novamente em detalhes nas portas dianteiras, no volante e na manopla do câmbio. O modelo tem quatro airbags, sistema Isofix de fixação de cadeiras infantis no banco traseiro e alertas visual e sonoro do uso do cinto de segurança. São equipamentos que, em parte, contribuíram para que o Kwid recebesse três estrelas no teste de impacto do LatinNCAP. O modelo tem três apoios de cabeça atrás e dois cintos de segurança retráteis, mas o central é subabdominal.

SIMPLES DEMAIS Fora isso, o pequeno hatch tem acabamento muito simples, com plástico duro de qualidade questionável predominando por todos os lados. O painel conta com instrumentos analógicos e um pequeno mostrador digital com as informações do computador de bordo. O volante não tem regulagem de altura e nem de distância, dificultando o posicionamento, principalmente para pessoas mais altas. O pequeno puxador para abertura do capô lembra o afogador do Fusca. Já a abertura do porta-malas é elétrica, por meio de uma tecla no painel, mas para fechar a tampa é preciso paciência, pois o bagagito (que cobre o compartimento) atrapalha. Sem falar que na unidade testada, ao bater a tampa do porta-malas a cobertura de plástico do Brake Light (terceira luz de freio) estava se soltando.
Para uma versão que tem pretensão de ser aventureira, o Kwid Outsider ficou devendo também a suspensão elevada e pneus de uso misto, além de controles de tração e estabilidade, que podem ser encontrados na concorrência. O motor é um três-ciclindros de 66cv (gasolina)/70cv (etanol), um dos mais fracos do segmento, associado ao câmbio manual de cinco marchas. Mas por ser mais leve, o modelo apresenta boa relação peso/potência e o desempenho é satisfatório.

CONSUMO Quando vazio, o carrinho desenvolve bem, principalmente em cidades mais planas, com boas arrancadas e retomadas de velocidade. Porém, com peso, ar-condicionado ligado e em subidas, exige mais esforço do motor, que passa a produzir um ruído incômodo e muita vibração. Nessa condição, as trocas de marchas são constantes. Os engates do câmbio são razoáveis, mas o curso da alavanca é um pouco longo. Mas o hatch encara subidas sem medo e se mostra um compacto ideal para o trânsito urbano, graças às suas dimensões compactas. No nosso teste, o Kwid Outsider apontou consumo de 14km/l em percurso misto de cidade e estrada, com gasolina.
 
A direção com assistência elétrica foi bem calibrada, facilitando as manobras em espaços apertados e garantindo firmeza em velocidades mais altas. As suspensões proporcionam boa estabilidade, mas transferem para dentro do carro as imperfeições do solo, causando certo desconforto. O sistema de freios conta com discos na frente, tambores na traseira e ABS. Exige um pouco de cuidado, pois o pedal é esponjoso e precisa de imprimir mais força na perna para frear.
 
O Kwid Outsider tem como base a versão Intense, que custa R$ 41.890. Com os R$ 2.100 dos adereços, chega a R$ 43.990. Seus concorrentes diretos são o Fiat Mobi Way (R$ 42.690) e o Ford Ka FreeStyle (R$ 56.690), que oferecem mais conteúdo e acabamento melhor. A versão “aventureira” deve ajudar a Renault a manter os bons números de vendas do Kwid, que desponta entre os mais emplacados do segmento, ficando atrás apenas do Ford Ka.


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