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Estado de Minas

Murilo Benício: "Ainda vivemos em uma cultura machista"

Ator analisa atitudes de Raul em "Amor de mãe". Para ele, personagem só não foi "cancelado" porque, apesar do machismo, estava aberto a aprender e a mudar


04/04/2021 04:00

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Em "Amor de mãe", Raul (Murilo Benício) encontrou o amor sem machismo ao lado de Vitória (Taís Araujo) (foto: Victor Pollak/globo)

 
Para Murilo Benício, Raul tinha todas as chances de ser “cancelado” em “Amor de mãe”. Na novela das 21h da Globo, o personagem traía Lídia (Malu Galli) durante o casamento e depois teve um relacionamento conturbado com Érica (Nanda Costa), tomando algumas decisões questionáveis. No entanto, seu intérprete aponta a mudança no comportamento do empresário, que está aberto a aprender e a se desconstruir. Na reta final da história, ele parece ter encontrado a felicidade ao lado de Vitória (Taís Araujo) e do filho Sandro (Humberto Carrão). Apesar de a trama de Manuela Dias estar na reta final, o ator continuará no ar com a reprise de “Ti ti ti”, exibida originalmente entre 2010 e 2011, no “Vale a pena ver de novo”. Na entrevista a seguir, Murilo, de 49 anos, comenta o que aprendeu com Raul. Por fim, ele relata a alegria de ver Ariclenes/Victor Valentim de volta em “Ti ti ti” e a saudade que sente do diretor Jorge Fernando, falecido em 2019, após sofrer parada
cardíaca.
 

"O que eu achei interessante é que meu personagem poderia ser cancelado a qualquer momento, porque ele era machista"

 


O que você aprendeu com o Raul de “Amor de mãe”?
O que eu achei interessante é que meu personagem poderia ser cancelado a qualquer momento, porque ele era machista. Mas, ao mesmo tempo, estava aberto a aprender. Lembro-me de falas que a gente ponderava na hora da gravação se deveria suavizar, mas pedi que não. Demos a ele a oportunidade de aprender, pois, mal ou bem, ainda vivemos em uma cultura machista, principalmente os homens. Eu me via muito parecido com ele.

Por quê?
A gente ia aprendendo conforme o Raul ia errando, com os textos, as situações, vendo a forma como a Manu (Manuela Dias, autora) desenvolveu o personagem e a história dele até o final. Achei isso legal. Era um machista querendo se modernizar e viver os tempos de hoje. Tinha um sentimento aflorado, uma coisa delicada, não estava fechado em uma ideia só. Isso me chamava muito a atenção quando fazia a novela.
 
Como se sentiu no período em que ficou afastado das gravações?

Toda novela que a gente faz, por mais que você esteja amando o trabalho, dá uma canseira. Mas aí, de repente, paramos as gravações e nem deu para ficar cansado. “Amor de mãe” foi a primeira que falei que não fiquei dessa forma porque foi interrompida. Foram férias forçadas e senti saudade de algo que não terminou, uma aflição para conseguir finalizar.
 
Qual é a primeira lembrança que você tem da volta às gravações?
Acho que teve essa euforia de carinho na nossa volta. Trouxe essa elevação de cuidado que a gente sentia pelos outros. Parecia que éramos os sobreviventes de uma bomba, tudo muito reduzido, com pessoas explicando como tínhamos de proceder dali para frente. Mas também deu uma coragem. A cultura foi importante para sobrevivermos, a música, as séries... Isso deu um alento para ficarmos dentro de casa.
 
“Ti ti Ti” está de volta em um momento em que a sociedade precisa sorrir, mesmo em meio a tantas tragédias. Como avalia o impacto da trama na vida das pessoas?
Fico muito feliz de a novela ser reprisada neste momento. Ainda mais quando é uma história leve como essa, uma trama carregada de humor. Acredito que vai repassar para todos a alegria, a graça, o riso.

O que mais te marcou em “Ti ti ti”?
Foi ter conhecido o Luis Gustavo, que, desde criança, sempre achei um ator incrível, um gênio. Eu assisti à primeira versão da novela (escrita por Cassiano Gabus Mendes), principalmente por causa dele (que deu vida a Ariclenes/Victor Valentim em 1985). O que levei e guardo desse projeto com muito carinho foi ter essa possibilidade.

Como era ser dirigido por Jorge Fernando?
Incrível! Esse trabalho foi a minha terceira parceria com ele. Lembro muito do Jorge Fernando sempre, sinto muita falta dele. Um diretor engraçado, com seu humor escrachado e ao mesmo tempo carinhoso. (Estadão Conteúdo)
 
 


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