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Estado de Minas

Em dois tempos

Aos 29 anos, Barbara Reis vive Shirley, uma experiente mãe de família em Éramos seis, na Globo. Atriz interpreta papel nas duas partes da trama


postado em 13/10/2019 04:00

(foto: Raquel Cunha/Globo)
(foto: Raquel Cunha/Globo)


''Não fico colocando uma emissora em um patamar e a concorrente em outro.... Busco uma maneira de poder brilhar no lugar em que me colocarem''



Entrevista/Barbara Reis
Intérprete de Shirley em Èramos seis se sente privilegiada por viver uma mulher madura

'Nasci para ser atriz'

Todas as atrizes vivem momentos de transição na carreira, dependendo da faixa etária em que estão. Para Barbara Reis, no entanto, a fase de interpretar mulheres mais maduras e experientes veio cedo. Em Éramos seis, novela das 18h da Globo, aos 29 anos, ela vive Shirley, mãe de Inês, que, na segunda parte da trama, será defendida por Carol Macedo. O inusitado é que Carol é apenas três anos mais nova. "Os atores entram com a técnica e a caracterização complementa o trabalho. A Carol já aparenta ser mais nova no vídeo e eu sou alta, tenho 1,75m. Tudo isso nos favorece. Nessa novela, estou saindo dessa zona de papéis mais jovens, que é uma coisa normal também, que acontece na vida de qualquer atriz. Vou fazer 30 anos, acho que posso me aventurar tanto em personagens mais novas quanto um pouco mais velhas", analisa a artista. Na entrevista a seguir, Barbara comenta sobre a forte carga de frustração que carrega nas cenas de Shirley, em função do passado da baiana. E revela que ainda gravava o folhetim bíblico Jesus, na Record, quando recebeu o convite para atuar no folhetim global. Além disso, defende a postura rígida de Shirley na criação de sua única filha, Inês, que na primeira fase é interpretada por Gabriella Saraivah.

Você vive Shirley em diferentes fases. O fato de começar em uma idade mais próxima da sua ajudou?

A Shirley é uma mulher jovem, que deve ter uns 27 anos quando a história começa. Mas, devido a tudo que passou, acabou amadurecendo cedo demais. Ela é de origem humilde e se apaixonou, mas esse sentimento não teve futuro porque a mãe do cara que ela amava, o João Aranha (Caco Ciocler), separou o casal com uma mentira. A filha dos dois nasceu sem que o pai soubesse. Ou seja, era uma mulher de 1908, mais ou menos, mãe solteira. No fundo, ela teve muita sorte ao se juntar com o Afonso (Cássio Gabus Mendes), que a salvou de um triste fim.

Mas ela não parece feliz...

A Shirley é muito agradecida ao Afonso, só que não sabe expressar. Até em função de uma preocupação exagerada que tem com a filha. Ficou um fantasma, porque ela não se conforma com o abandono que sofreu e isso a marcou. Daí, vem esse lado mais duro e amargo, que se reflete na relação com a Inês. É por tentar proteger a filha de tudo que ela sofreu na adolescência que existe esse cuidado todo, de uma maneira mais chata.

O que o aparecimento de João Aranha na trama provoca em Shirley?

Essa personagem até vem da adaptação de 1994, produzida pelo SBT, mas foi totalmente mexida. Então, essa trama vai ser uma novidade para o público. O João aparece e quer que Shirley saiba que a separação deles ocorreu por causa de uma mentira. E existe algo que não foi resolvido ainda ali. Tanto que a Shirley quase não sorri. Isso só muda um pouco quando o João reaparece.

O fato de Shirley ser negra foi uma questão no romance?

Acho que isso pesou para a armação feita pela mãe do João, mas a relação inter-racial não chega a ser uma questão tão explorada na novela. Ela é citada, mas é algo muito mais psicológico do que externo. Assim como a posição da mulher naquela época, por exemplo. Ao mesmo tempo em que ela está ali, inserida no século 20, servindo o jantar e cuidando da casa, a Shirley também trabalha no armazém

Por se tratar de uma história de época demandou uma preparação específica?

Meus trabalhos na TV foram de época. O que muda é estudar as características de cada período. Tem o figurino para auxiliar. Precisei cortar o cabelo também, mas isso eu amei. Acho até que nunca mais vou deixar crescer, pois descobri outra faceta minha e me deu um ar mais solar, que adorei de cara. Esse início foi muito bom. Como a Shirley está ligada ao armazém e esse é um cenário importante, por onde passam diversos personagens, fui uma das pessoas que mais teve material para gravar. Acho que essa rotina mais intensa, mesmo nos primeiros dias, me fez encontrar melhor esse papel. Até porque a Shirley é muito distante de mim, é triste.

Você teve um papel de destaque em Os dias eram assim (Globo, 2017), que retratou uma fase de forte repressão e ditadura. Éramos seis vai ser uma oportunidade para os mais jovens aprenderem sobre a história do Brasil?

A década em que o texto se passa é sempre um pano de fundo, mas acho que alguns personagens contarão melhor isso do que o meu núcleo. E tem uma coisa: não estamos aqui com essa função, necessariamente. A ideia é abordar mesmo as relações familiares e, principalmente, dentro de casa, entre quatro paredes. A mãe com os filhos, a esposa com o marido, nesse sentido.

Antes de Éramos seis, você estava na Record, fazendo Jesus. Como se deu essa transição?

Fui convidada para atuar na Record e, agora, me chamaram para voltar. Considero essa movimentação muito normal e não fico colocando uma emissora em um patamar e a concorrente em outro. Nasci para ser atriz, trabalho com isso e busco uma maneira de poder brilhar no lugar em que me colocarem. Quando ainda estava lá, já sabia daqui. Foi graças ao Carlos (Araújo, diretor): nós trabalhamos em Velho Chico, depois em Os dias eram assim e, agora, em Éramos seis.

Ser uma adaptação tão bem-sucedida em outras emissoras e épocas mexeu com você?

Olha, é claro que qualquer personagem deixa a gente com expectativas. Mas Éramos seis é diferente. Pela força dessa história, por ser baseada em um livro importante da nossa literatura, pelo apego emocional que as pessoas têm com os personagens, enfim, eu amei esse convite. (Estadão Conteúdo)


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