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Estado de Minas

Dilemas diários

Para o psicanalista e escritor Contardo Calligaris, criador e roterista de Psi, série pode ajudar o brasileiro a se relacionar melhor com a diversidade do mundo


postado em 24/03/2019 05:08

Contardo Calligaris (D) participa da série sobre as aventuras de um psiquiatra(foto: Fotos: ARIELA BUENO/HBO )
Contardo Calligaris (D) participa da série sobre as aventuras de um psiquiatra (foto: Fotos: ARIELA BUENO/HBO )

Criada, roteirizada e codirigida pelo psicanalista e escritor Contardo Calligaris, Psi  volta à programação do canal HBO a partir deste domingo (24), às 21h, para a sua quarta temporada. Nesta fase, a cada dois episódios – a série terá 10 –, uma nova história será contada ao telespectador. A paranoia, apresentada em facetas distintas, como o ciúme patológico, a síndrome de perseguição e a hipocondria, irá alinhavar as tramas e levará o terapeuta Carlo Antonini, papel de Emílio de Mello, a se embrenhar pelas aventuras que os fãs da atração já estão acostumados a acompanhar.

Personagens das temporadas anteriores voltam à cena, como a colega terapeuta Maria Clara (Liliana de Castro), o padre Miguel (Marcelo Airoldi), Severino (Raul Barreto), Taís (Paula Picarelli), Elisa (Karen Menatti) e a moradora de rua Malu (Renata Becker). Entre um caso e outro, as agruras, os questionamentos, as dúvidas e os dilemas diários que afligem Antonini assumem um papel importante e, vez ou outra, se confundem com os problemas de seus pacientes.

A intensa paisagem urbana de São Paulo, cenário das filmagens que terminaram em outubro de 2018, também continua como relevante coadjuvante da série. A reportagem conversou com Emílio de Mello e Contardo Calligaris sobre a atração. Confira ao lado os principais trechos da entrevista.

Por que uma série sobre psicanálise interessa tanto à audiência brasileira? Psi ajuda as pessoas a se reconhecerem e a se entenderem melhor?
Emílio de Mello – Penso que a psicanálise nos ajuda a enfrentar a complexidade, a hostilidade e as armadilhas do mundo onde vivemos. Acredito que sem arte e psicanálise, o mundo seria insuportável Assim, Psi, que junta essas duas coisas, pode trazer muito interesse, não só aos brasileiros, mas ao público em geral. Aliás, a receptividade de Psi na América Latina é enorme. Na minha maneira de ver, a série pode ajudar o público a se entender melhor e, sobretudo, a entender melhor os outros.
Contardo Calligaris – Psi é uma série sobre a vida e as aventuras de um psiquiatra, psicoterapeuta e psicanalista. Então, é uma série sobre a variedade da experiência humana, como ela se revela na clínica. Neste momento específico, é interessante, sim, que os brasileiros possam se relacionar com a diversidade do mundo. Na segunda temporada, um dos episódios era a história de um hermafrodita real e, hoje, a nossa inapagável ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (Damares Alves) e ideóloga de gênero nos ‘explica’ que só há dois gêneros, enquanto há mais de 10 condições médicas, sem contar as psicológicas, que produzem incerteza de atribuição de gênero. Quanto a se reconhecerem, sim, se elas não se retraírem no ‘aquele é louco, nada a ver comigo’, que é a defesa mais trivial. Quanto a se entenderem, talvez.

Você se reconheceu em algum caso?
Emílio de Mello – Eu me reconheço em vários deles. Acho que, se isso não acontecesse, me divertiria menos.
Contardo Calligaris – Todos os casos são reais ou inspirados em casos reais que atendi. Alguns são compostos a partir de dois ou três pacientes com uma patologia próxima. Eu me reconheço em todos os meus pacientes.

Qual é o feedback que vocês têm de quem assiste à série?
Emílio de Mello – Sem dúvida, Psi é uma série de grande êxito, premiada e respeitada internacionalmente, com ótima resposta de aceitação e audiência, bem produzida, bem elaborada, feita com muito empenho, seriedade e inspiração por parte de toda a equipe. O que podemos querer mais? Fazer mais e mais temporadas! Fico sempre feliz com a resposta do público, seja na rua ou nas redes sociais. Recebo muito carinho e essa é uma das maiores gratificações que um artista pode ter.
Contardo Calligaris – Constato que Psi é praticamente “adotada” em várias universidades do país. Há cursos de psicopatologia que usam os episódios como introdução às patologias, que são sempre construídas de maneira rigorosa. Os fãs do seriado me escrevem para saber quando uma nova temporada vai começar, como achar um episódio e para comentar, perguntar como acabou a história depois do fim do episódio, se é verdade o que aconteceu. Eu sempre respondo. (Estadão Conteúdo)

PSI 
Estreia: hoje, às 21h
Quarta temporada
Canal HBO


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