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Estado de Minas BEM-ESTAR

Viagem solidária

As novas tendências no turismo, chamadas incursões transformadoras, podem indicar um novo rumo na vida das pessoas


postado em 03/03/2020 04:00

Erika Manhatys*
 
Turistas visitam países pobres da África com a ajuda de ONGs. Angola e Moçambique são os destinos mais procurados por brasileiros (foto: CDI/Divulgação)
Turistas visitam países pobres da África com a ajuda de ONGs. Angola e Moçambique são os destinos mais procurados por brasileiros (foto: CDI/Divulgação)
 

Sair da zona de conforto e abdicar do lazer geram muitas recompensas, como a sensação de dever cumprido e de coração aquecido por ajudar o próximo. Não por acaso, cresce o número de turistas que buscam o voluntariado.
 
Turistas ao redor de todo o mundo dedicam seu tempo de descanso à troca de experiências que façam a diferença em suas vidas e na de pessoas que estão em situação de vulnerabilidade. O mesmo vale para áreas cujas fauna e flora estejam ameaçadas.
 
Apesar de a prática existir há cerca de 50 anos, o termo volunturismo ainda segue pouco co- nhecido. Entre os tipos mais comuns estão as viagens mediadas por organizações não governamentais (ONGs), que levam turistas a países pobres, com altas taxas de órfãos abrigados em instituições comunitárias. Também fazem sucesso as saídas a nações pobres para a construção de casas, escolas e poços para pessoas desabrigadas.
 
No Vale do Jequitinhonha, crianças mineiras fazem apresentação de dança para os visitantes solidários(foto: Elizabeth Colares/EM/D.A Press)
No Vale do Jequitinhonha, crianças mineiras fazem apresentação de dança para os visitantes solidários (foto: Elizabeth Colares/EM/D.A Press)
 
 
Na prática, nas grandes cidades, o volunturista, normalmente, dedica metade do seu dia a atividades benevolentes e passa o restante do tempo explorando o local a lazer. Em locais mais isolados, cujo acesso é mais difícil, como em áreas naturais de preservação, o trabalho voluntário dura o dia inteiro e o viajante tem reservado alguns dias livres da viagem para as atividades turísticas.
 
O tempo utilizado efetivamente no trabalho voluntário depende de sua natureza, podendo levar de quatro a oito horas. Os pacotes sempre incluem acomodação, que pode ser dos mais variados gêneros: alojamentos compartilhados e preparados exclusivamente para o grupo de volunturistas; casas de famílias locais; repúblicas estudantis ou hostels.
 
A alimentação geralmente está incluída no programa, sendo possível que os próprios viajantes sejam responsáveis por cozinhar. Por outro lado, as passagens aéreas não fazem parte do pacote, devendo ser adquiridas à parte pelo interessado. Os passeios e excursões no tempo livre são opcionais nos serviços oferecidos. O viajante tem liberdade de fazer essas contratações isoladamente.
 
Para embarcar neste tipo de aventura existem regras. O interessado deve ser maior de 18 anos e apresentar à agência de intercâmbio sua ficha de antecedentes criminais, além de uma apólice de seguro para a viagem. A depender do destino, o viajante também deverá ter o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia, emitido pela Anvisa, isso para garantir proteção contra o vírus da febre amarela, muito comum em zonas tropicais.
 
A proficiência intermediária em inglês também é uma exigência em grande parte dos programas. Em alguns casos, o idioma pode ser substituído pelo espanhol básico.

Escolhas diversas Segundo pesquisa da Booking.com, quatro em 10 brasileiros declararam estar dispostos a utilizar até 50% de tempo de férias em função de atividades voluntárias. As razões para a escolha são diversas: 67% afirmam fazê-lo por satisfação pessoal; 64% pela possibilidade de conhecer profundamente o destino visitado; e 57% disseram que escolheriam investir o tempo no volunturismo por gostar de ajudar. Para os brasileiros, outro ponto também se mostra bastante importante: o peso que o volunturismo pode ter no currículo profissional. Pelo levantamento, 30% afirmaram que valorizam este aspecto. O número é mais alto quando comparado com colombianos (21%), mexicanos (17%) e argentinos (12%), para quem o enriquecimento profissional não é tão marcante.

*Estagiária sob a supervisão de Taís Braga

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