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Estado de Minas DELTA DO PARNAÍBA

Conheça a força de um rio chamado Parnaíba

No embate antes de enfrentar o mar, o caudaloso rio do Piauí contorna ilhas. As mais conhecidas são a do Caju, do Igaraçu, das Canárias e da Melancieira


postado em 04/02/2020 04:00 / atualizado em 05/02/2020 17:14

Entre tantas belezas no caminho do Parnaíba se encontra a Ilha do Caju, no litoral piauiense. Refúgio perfeito para relaxar (foto: Bertha Maakaroun/em/d. a press)
Entre tantas belezas no caminho do Parnaíba se encontra a Ilha do Caju, no litoral piauiense. Refúgio perfeito para relaxar (foto: Bertha Maakaroun/em/d. a press)

 
No Piauí, o Porto dos Tatus, em Ilha Grande, a 14 quilômetros da cidade de Parnaíba, é o fio que desata a meada das paisagens do santuário onde o rio desemboca no oceano. Pelo afluente Tatu, assim batizado em homenagem ao “guisado” predileto dos primeiros habitantes da ilha, a embarcação desliza e emborca no paredão de areia, o primeiro de uma infinidade de outros, que se intercalam entre braços, canais e ilhas do delta, em paragens incertas entre os estados do Piauí e do Maranhão. São paisagens mutantes, que decorrem da movimentação das areias oceânicas, açoitadas pelos fortes ventos. Dunas espetaculares que hoje se elevam a 40 metros em pequenas ilhas ora soterram canais, ora se amontoam e criam novas ilhas, ora despem antigas.
 
“Quando era criança e vinha aqui, havia um sítio com coqueirais e carnaúbas. As dunas soterraram”, explica Lidedon da Silva, de 45 anos, conhecido por Dion (mas também frequentemente chamado por “John”), que cresceu acompanhando o pai pescador pelas paisagens do delta do Velho Monge, como também é conhecido o Parnaíba. Piloto de voadoras e guia turístico, Dion leva os incautos pelos humores desse paraíso, enquanto despeja a memória de fotografias de antigas paisagens. “O sítio ficava por ali”, aponta ele para o topo de dunas douradas, ao aportar na ilha chamada Caída do Morro, primeira parada de um dos passeios clássicos pelo delta.
 
Praia de Barra Grande, paraíso tropical no Norte do Piauí(foto: Bertha Maakaroun/em/d. a press)
Praia de Barra Grande, paraíso tropical no Norte do Piauí (foto: Bertha Maakaroun/em/d. a press)
Saltamos da lancha. Alvas, íngremes e magníficas, as montanhas de areia nos desafiam. A cada passada, os pés afundam até meia canela. Se antes intocadas, nossos passos, por instantes, tornam-se presença. Mas não por muito tempo. Dançam com o vento, limpando pegadas e amenizando o sol inclemente sobre a cobertura. Do alto das dunas, abrem-se horizontes espetaculares. O rio escuro é o cenário que surge ao fundo, por detrás dos declives e desníveis das montanhas de areias, que aprisionam em pequenos lagos as águas das chuvas e os transbordamentos de lençóis freáticos.
 
O Parnaíba são muitos. Na segunda parada, na Ilha das Canárias, no município de Araioses, já no Maranhão, no topo de um mirante, abre-se novo horizonte: um dos cinco braços do delta se lança sobre o Atlântico, depois de uma longa luta, que, para o rio, sempre se anuncia perdida. De um lado da ilha, praias salgadas. Do outro, nossa lancha corta o Parnaíba, pegando também carona em outros de seus braços em direção à Ilha do Caju, onde os mais belos cenários misturam o assombramento deserto de areia, povoado por límpidas lagoas, cercada de um lado pelo oceano e do outro pelo rio. A parada é estratégica.
 
Para além do encantamento exótico das paisagens gestadas entre dunas viajantes, lagos e rios, aproxima-se o pôr do sol. Adiante, na Ilha dos Guarás, arma-se novo espetáculo. Chegam suavemente, aos bandos, de todos os lados, avermelhando as copas verdes da ilhota. São os guarás ou íbis-escarlates, de longos bicos, comedores de caranguejos, aos quais é creditada o tom da plumagem. É o momento de retorno à segurança dos ninhos. Entre o alarido dos pássaros e a penumbra que chega, a natureza se despede do sol. Nós, que estamos a 1h30min de lancha rápida do Porto Tatu, iniciamos pelas mãos do Dion o nosso retorno. Já no escuro, olhos treinados, nosso piloto vai se esgueirando pelo delta e seus segredos.

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