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Estado de Minas

Cesareia, Haifa e Cafarnaum: registros bíblicos no mar de cultura em Israel


postado em 24/09/2019 04:00 / atualizado em 25/09/2019 14:17

Em Cesareia Marítima não pode faltar o momento dedicado às selfies e à comunhão com a paisagem(foto: gustavo werneck/em/d.a press)
Em Cesareia Marítima não pode faltar o momento dedicado às selfies e à comunhão com a paisagem (foto: gustavo werneck/em/d.a press)

 
 
A viagem segue, agora, rumo a outras cidades banhadas pelo Mediterrâneo – e é como se o viajante conhecesse cada vez mais sobre história sagrada, lugares descritos na Bíblia e, claro, fizesse descobertas sobre o legado dos césares – a região foi província do império romano. Em Cesareia Marítima, bom mesmo é se espalhar, com prazer, pelo anfiteatro, curtir o mar, ficar alguns momentos com os olhos fixos na linha do horizonte. Logo na entrada, há esculturas romanas em exposição ao ar livre, uma delas um pé gigantesco que pode ter sido de um monumento, claro, de grandes proporções.
 
Vamos à história? Cesareia foi construída por Herodes, o Grande, em 20 a.C. e tem esse nome em homenagem ao imperador César Augusto. Conforme os estudos, foi uma das mais espetaculares cidades da antiguidade, com todos os luxos que formavam a cultura greco-romana. Além do anfiteatro, havia um hipódromo e banhos quentes. O turista atento vai ver, à beira-mar, um arqueólogo sob uma barraca fazendo escavações para jogar mais luz sobre o passado de Israel.
 
 As tradicionais tâmaras são vendidas em mercados e nas ruas(foto: gustavo werneck/em/d.a press)
As tradicionais tâmaras são vendidas em mercados e nas ruas (foto: gustavo werneck/em/d.a press)
 
 
Por 600 anos, Cesareia foi capital da província da Judeia e residência oficial dos governantes, incluindo Pôncio Pilatos, e palco da Revolta Judaica, em 66 a.C., contra os romanos, que terminou na destruição de Jerusalém. Muitos séculos depois, os cruzados a reconstruíram como cidade-fortaleza. Em Cesareia, comprei um livro ilustrado, em português, A vida diária nos tempos de Jesus, de Miriam Feinberg-Vamosh. Nesta viagem, misto de turista e peregrino, é fundamental consultar os mapas e ler mais sobre os lugares visitados. Mas não se esqueça, em Cesareia, de tirar muitas fotos perto do aqueduto.

PERTO DO CÉU  A próxima parada será Haifa (pronuncia-se Raifa), merecedora de muitas horas de contemplação, reza e conhecimento. Para quem pretende comprar escapulários, uma dica valiosa: só aqui eles são encontrados, mais exatamente no monastério carmelita Stella Maris (Estrela do Mar), no alto do Monte Carmelo. A igreja, centro mundial da ordem dos carmelitas, foi erguida sobre uma caverna associada aos profetas Elias e Eliseu. Fique com o celular a postos para registrar a escultura de Elias.
 
Em Haifa, jardins espetaculares se unem à cidade e ao mar(foto: gustavo werneck/em/d.a press)
Em Haifa, jardins espetaculares se unem à cidade e ao mar (foto: gustavo werneck/em/d.a press)
 
 
Importante lembrar que, do alto do Monte Carmelho, a paisagem se completa com o domo dourado do templo da fé Bahai. Nos jardins persas, fica o túmulo do Báb – A Porta ou o Precursor. A fé Bahai prega a unidade de Deus a fraternidade da humanidade. Ao longe, como moldura, a vastidão do mar.
 
Seguimos agora em direção a Acre, também uma cidade portuária dos tempos antigos. Com o calor, nada mais convidativo do que levantar a barra da calça e molhar os pés no mar – sempre vale lembrar que, em visita à Terra Santa, homens e mulheres devem usar roupas mais comportadas para entrar nas igrejas, sinagogas e outros lugares sagrados. O auge da cidade ocorreu na época das Cruzadas: em 1.104, foi estabelecido aí o Reino do Acre, comandado pelos Cavaleiros de São João.
 
A cada parada, o visitante não tem dúvida: a viagem é mesmo “interior”, pois cada um vai entrando numa espiral de espiritualidade, história, cultura e, de forma plena, encantamento. Rumo à Galileia, chegamos a Safed, centro de religiosidade e cidade no ponto mais alto da região (800 metros acima do nível do mar). Quem saúda é a estátua do Judeu Errante e, um pouco mais além, me deparei com uma cena inesquecível: a comemoração do Bar Mitzvá ou cerimônia de entrada do menino de 13 anos, com todas as responsabilidades, na comunidade judaica. Foi vibrante: o menino sorridente sob um pálio e os parentes caminhando e cantando Hava Nagila (Vamos ficar felizes, em português).
 
Confesso que sempre tive vontade de conhecer Cafarnaum, a cidade onde Jesus morou durante três anos. Lá estão as ruínas de uma sinagoga, onde grupos procuram uma sombra para suas orações. Estão aqui também as ruínas da casa de São Pedro, visíveis, embora com uma igreja construída nos locais, e uma imagem do apóstolo com as chaves. Nem precisa dizer que os turistas se esbaldam para eternizar os bons momentos na tela do celular. Na hora do almoço, à beira do Mar da Galileia, tem filé de peixe, salada, arroz, almôndegas de carne de cordeiro, peito de frango e batatas assadas. Tem gente que reclama do excesso de coentro na comida, mas não tenho nada para reclamar.

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