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Estado de Minas

Faça uma viagem interior para dentro de si mesmo


postado em 24/09/2019 04:00 / atualizado em 25/09/2019 14:11

Em Jaffa, antigo porto bíblico, é um prazer contemplar o Mar Mediterrâneo(foto: Gustavo Werneck/em/d.a press)
Em Jaffa, antigo porto bíblico, é um prazer contemplar o Mar Mediterrâneo (foto: Gustavo Werneck/em/d.a press)


Cidade com pouco mais de 100 anos, a cosmopolita Tel-Aviv ostenta modernidade de sobra, noite movimentada, vida cultural intensa (o Museu da Diáspora deve ser visitado) e juventude explodindo de energia: para o visitante se situar, vale saber que a maioria da população da capital está na faixa de 35 a 37 anos, e há muitas empresas do setor de alta tecnologia. Público e notório, e o guia Elias vai logo informando, a capital israelense tem a maior parada gay do Oriente Médio, o que nem surpreende tal o número de bandeiras com as cores do arco-íris nas janelas e portas de apartamento e lojas.
 
Atente para os prédios no estilo Bauhaus, vanguarda alemã da arquitetura que, aqui, ganhou reconhecimento como patrimônio da humanidade. A grande concentração dos edifícios na Cidade Branca decorreu da perseguição dos nazistas aos judeus, obrigando arquitetos europeus a bater em retirada na década de 1930.
 
Igreja São Pedro, em Jaffa, acolhe visitantes para orações e descanso(foto: Gustavo Werneck/em/d.a press)
Igreja São Pedro, em Jaffa, acolhe visitantes para orações e descanso (foto: Gustavo Werneck/em/d.a press)
 
 
Nas andanças pela cidade, entre visitas a museus e curtição nos restaurantes, é um dever passear no Mercado Carmel, quase um túnel no tempo pela profusão de mercadorias, temperos aromáticos, produtos típicos, lembrancinhas para os amigos e familiares (pechinchar é preciso!), música ritmada e todos os idiomas se entrelaçando no ar.
 
O dinheiro local é o shekel, mas os comerciantes, em todo o país, aceitam tranquilamente o dólar. Compra-se até tâmaras nas barraquinhas. O dono de uma loja de artesanato, Moshe, judeu nascido na Argentina, dá a dica, em espanhol, de restaurante. Sigo na companhia do casal carioca Leonardo e Danielle Garcia, também em sua primeira incursão ao país. “Esta é uma experiência bem interessante: vir ao Oriente Médio e conhecer um mercado típico, com todas as características”, diz Leonardo enquanto bebe uma cervejinha gelada. Uma boa dica: para facilitar a vida dos brasileiros, há voos diretos da Latam para Tel-Aviv saindo de Guarulhos (SP).
 
CONTRASTE Bem perto da modernidade da capital israelense, e num contraste espetacular com a diversidade, fica a antiga Jaffa, com cerca de 3 mil anos, que se tornou bairro da capital e esbanja charme. Jaffa é a cidade-porto bíblica de Joppa e teria sido fundada por Jafé, filho de Noé. Com ruelas de pedra e arcos talhados para dar boas-vindas, o lugar tem muitas lojinhas, ateliês de artistas e vista magnífica. No alto da Igreja de São Pedro, num trecho ornamentado por jardins, o visitante desfruta da visão do Mediterrâneo. Sempre é bom ficar esperto e olhar bem onde pisa, pois as pedras são lisas demais e o visitante, num vacilo, pode cair. Portanto, vale um tênis de boa aderência, nada de mocassins e sapatos derrapantes.
 
Na volta para o hotel, caminhe pela praia ou calçadão. São alguns quarteirões que merecem o esforço, mesmo se a perna cansar. Há muito ainda para conhecer – e tudo vale a pena, se a alma não é pequena, já dizia o poeta. No caminho, ouço um israelense comentar com um brasileiro: “Tel-Aviv é leve, Jerusalém tem um clima mais forte”. Entendo o “forte” como a intensidade dos acontecimentos milenares e mantenho a certeza de que, neste lado do mundo, todos os caminhos conduzem a Jerusalém, independentemente da fé. Quem guia, mesmo, é o coração.

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