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Estado de Minas GOIÁS

Conheça a cidade onde nasceu a poetisa brasileira Cora Coralina

Goiás Velho é patrimônio da humanidade e guarda a literatura e a arquitetura do Brasil do século 18


postado em 05/09/2019 14:00 / atualizado em 05/09/2019 15:05

 
O casarão do lado esquerdo onde viveu a poetisa e doceira fica na cabeceira da ponte de madeira sobre o Rio Vermelho(foto: Renato Alves/CBD.A. Press)
O casarão do lado esquerdo onde viveu a poetisa e doceira fica na cabeceira da ponte de madeira sobre o Rio Vermelho (foto: Renato Alves/CBD.A. Press)
Goiás tem duas cidades históricas que valem uma visita. A mais famosa é Pirenópolis, a 150 quilômetros de Brasília. A outra (distante 310 quilômetros da capital do país e a 140 quilômetros de Piri), no entanto, tem muito mais atrações, por muito menos.

Mais conhecida como Goiás Velho, a cidade de Goiás, com 22 mil habitantes, foi a primeira capital do estado. Desde 2001, ostenta o título de patrimônio da humanidade, concedido pela Unesco. Ela conserva mais de 90% de sua arquitetura barroco-colonial original. Uma vitrine do Brasil do século 18. Tudo em meio a um vale envolvido pelos morros verdes e ao sopé da lendária Serra Dourada.

Há outro bom motivo para visitar Goiás Velho. Ela é a cidade de Cora Coralina. Uma das mais admiradas poetisas brasileiras completaria 130 anos neste mês. A mulher que estudou apenas até a terceira série do curso primário criou versos preciosos. Nascida em 20 de agosto de 1889 e batizada Anna Lins dos Guimarães Peixoto, começou a publicar seus trabalhos aos 75 anos. As letras eram um passatempo. Ganhava a vida como doceira.
Nos versos bordados, o legado da poetisa brasileira Cora Coralina(foto: Renato Alves/CBD.A. Press)
Nos versos bordados, o legado da poetisa brasileira Cora Coralina (foto: Renato Alves/CBD.A. Press)

A cidade descrita por Cora em seus poemas e contos pode ser contemplada e explorada em um passeio pelas ruas e pelos becos de pedra ladeados pelo casario dos séculos 18 e 19, onde mulheres bordam e fazem doces cristalizados. Ou nas praças, nas lojas, nos bares e à beira do Rio Vermelho.

A vida sem pressa 

Construções, como a do antigo coreto, estão cuidadosamente preservadas e formam um cenário bucólico(foto: Renato Alves/CBD.A. Press)
Construções, como a do antigo coreto, estão cuidadosamente preservadas e formam um cenário bucólico (foto: Renato Alves/CBD.A. Press)

Longe da agitação de Pirenópolis, Goiás tem uma atmosfera bucólica. Suas ruas silenciosas e o seu casario colonial bem conservado convidam para caminhadas sem roteiros predefinidos. Feitas de pau-a-pique, sem muros ou grades e unidas umas às outras, as casas centenárias do Centro Histórico chamam a atenção de quem está acostumado com asfalto e arranha-céus.

O calçamento de pedra – construído com o suor e o sangue de escravos – e a arquitetura são testemunhas de outros tempos, iniciados com o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, que liderou um grupo de desbravadores do Brasil Central, que capturavam índios e buscavam ouro para enriquecer os colonizadores portugueses.
Mercado Municipal de Goiás Velho abriga a Livraria Leodegária(foto: Renato Alves/CBD.A. Press)
Mercado Municipal de Goiás Velho abriga a Livraria Leodegária (foto: Renato Alves/CBD.A. Press)

Goiás cresceu às margens do Rio Vermelho, tornando-se um dos primeiros municípios fundados no Brasil colonial. A cidade foi a capital do estado de Goiás por mais de 200 anos. Perdeu o posto com a inauguração de Goiânia, em 1933.

A cidade de Goiás, que originalmente se chamava Vila Boa, também oferece aos turistas rica arte sacra nas seculares igrejas e nos museus. De todos, o mais visitado é o Museu Casa de Cora Coralina, também conhecido como Casa Velha da Ponte. Ele fica à margem do Rio Vermelho, ao lado de uma ponte de madeira.

Após a morte da poetisa, amigos e parentes se reuniram e criaram, em 1989, o museu em sua homenagem. A família doou o acervo: objetos pessoais, fotos, utensílios domésticos, livros e imóveis. Por meio de visitas guiadas, os turistas conhecem detalhes da vida e da obra de Cora.

Museus 

Igreja da Boa Morte, no Centro Histórico, em Goiás Velho(foto: Renato Alves/CBD.A. Press)
Igreja da Boa Morte, no Centro Histórico, em Goiás Velho (foto: Renato Alves/CBD.A. Press)

Alguns dos prédios históricos mais importantes de Goiás estão ao redor da praça. Entre eles, a Igreja Nossa Senhora da Boa Morte, construída em 1779, com arquitetura religiosa e fachada com elementos característicos do Barroco. O templo foi tombado pelo Iphan em 1950 e passou a museu em 1968, com o nome de Museu da Boa Morte.

Seu acervo inclui os altares da igreja, diversas imagens sacras do escultor goiano Veiga Valle, além de uma Nossa Senhora do Rosário de origem portuguesa, único bem móvel tombado individualmente pelo Iphan, em Goiás. O Museu de Arte Sacra também tem pratarias e telas de cunho religioso, terços e coroas dos séculos 18 e 19 e mobiliário do século 19, entre outros.

Outra atração é o Palácio Conde dos Arcos. Antigo Palácio dos Governadores da Província de Goiás, guarda vestígios da passagem de dom Marcos de Noronha, o conde dos Arcos. No jardim, há o brasão do conde dos Arcos, daí o nome do edifício. Abriga coleções de móveis, quadros e outros objetos.
 

O que visitar, ver e fotografar



A antiga cidade fundada no Ciclo do Ouro retrata o período colonial brasileiro de uma maneira muito particular, razão pela qual é patrimônio cultural da humanidade pela Unesco.  Ao percorrer  as ruas e becos de pedra, o turista surpreende-se com a arquitetura dos séculos 18 e 19 e com as belezas da primeira capital do estado de Goiás.

Casa de Cora Coralina


O casarão onde viveu a poetisa e doceira fica na cabeceira da ponte sobre o Rio Vermelho. Uma das primeiras construções de Goiás, é uma típica residência do século 18 e inspirou alguns de seus poemas. Hoje, é um museu que homenageia a mais famosa das filhas de Goiás. Abre de terça a domingo. Preço: R$ 10.

Igrejas


A Igreja da Boa Morte (1779) é a única que apresenta elementos típicos do Barroco na fachada. Abriga o Museu de Arte Sacra, com destaque para as imagens de Veiga Valle, escultor local que viveu no século 19. Igrejas São Francisco de Paula (1761), N.S. do Carmo (1786), N.S. da Abadia (1790) e de Santa Bárbara (1780) – com uma linda vista da cidade, esse é um dos pontos turísticos imperdíveis. Pequena e antiga, fica no alto do morro. Ela só é aberta na festa da padroeira, em dezembro. Para chegar até ela é preciso subir cerca de 100 degraus.

Museus

(foto: Renato Alves/CBD.A. Press)
(foto: Renato Alves/CBD.A. Press)

No grande prédio construído em 1761, onde funcionaram a cadeia, a Câmara e a Justiça, fica o Museu das Bandeiras, que expõe objetos usados na exploração do ouro e tem entrada franca. O Palácio Conde dos Arcos (1755), onde há um museu, foi construído para acomodar o governador da capitania. Todos os anos, no aniversário da cidade, abriga a sede do governo, que se transfere de Goiânia por alguns dias. Ingresso: R$ 5.

Outras construções


Quartel do 20 (obra de 1747, serviu de hospital durante a Guerra do Paraguai e atualmente seu pátio interno serve como local de festas populares), a Casa do Bispo, os chafarizes da Boa Morte; a Fonte da Carioca e a Casa de Fundição (1752, onde se fundia o ouro extraído das minas). (RA)


 



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