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Estado de Minas BATE E VOLTA/CONGONHAS

História e legado de Aleijadinho é comemorado em Congonhas; Confira programação

Comemorações pelo aniversário do Mestre do Barroco movimentam a cidade histórica mineira. Uma série de atividades estão programadas este mês para celebrar a data


postado em 14/08/2019 06:00 / atualizado em 13/08/2019 15:19

Basílica de Bom Jesus de Matosinhos e os 12 Profetas de Aleijadinho são considerados patrimônio mundial, pela Unesco (foto: Eliane Gouveia/divulgação)
Basílica de Bom Jesus de Matosinhos e os 12 Profetas de Aleijadinho são considerados patrimônio mundial, pela Unesco (foto: Eliane Gouveia/divulgação)

Diante do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, o visitante depara-se com 13 imagens, exemplares do Barroco mineiro, esculpidas em pedra-sabão, que são registros de rara beleza. Os olhos percorrem o “altar” do Adro dos Profetas e, por um instante, a cena provoca uma sensação de contentamento, de bem-estar e arrepio. São obras-primas executadas entre 1794 e 1804 e originais do gênio, escultor e maior artista brasileiro de todos os tempos, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

No lado esquerdo, na entrada da escadaria, o profeta Isaías, do Antigo Testamento, abre a série de honra do santuário. A estátua tem o tipo físico de um personagem de idade avançada, barbas e cabelos abundantes. Veste uma túnica curta, que deixa descoberta a parte inferior das pernas, calçadas com botas, sobre a qual se acha jogado um amplo manto. Segura um pergaminho com a mão esquerda, enquanto a direita aponta para o texto nele inscrito.

Do lado direito, encontra-se o profeta Jeremias, autor do segundo livro profético. O tipo físico é o de um homem de meia-idade, com bigodes longos nas laterais da boca e a barba curta, composta de rolos frisados, à moda bizantina. Veste túnica curta, que deixa à mostra a perna esquerda, e manto levantado sobre o ombro direito, caindo até os pés na parte superior. A escultura também segura um pergaminho com a mão direita e, na esquerda, uma pena. Na cabeça, ostenta um magnífico turbante, arrematado por abas torcidas passando entre as presilhas. Os profetas que lá se encontram são os cicerones que indicam aos visitantes o caminho da fé pela arte. Ao lado deles, as imagens dos outros profetas – Baruque, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Abdias, Amós, Jonas, Habacuque e Naum – completam a galeria de obras clássicas do Barroco brasileiro.

Antônio Francisco Lisboa viveu em Congonhas no período de 1796 a 1805. Seu acervo na cidade é composto pelas 64 imagens esculpidas em cedro expostas nas capelas dos Passos da Paixão, seis relicários no interior da Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos e os 12 profetas talhados em pedra-sabão, no adro da basílica. O artista também criou no município a porta da Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Esse legado proporcionou a Congonhas o título de patrimônio mundial, concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 1985.

RELIGIOSIDADE 

Durante a semana santa, centenas de turistas visitam a histórica cidade, integrante do Circuito do Ouro, para ver de perto as obras de Aleijadinho. É neste local que a fé e a religiosidade da população local aflora e pode ser notada no cuidado dos moradores e fiéis com a organização dos festejos e confecção do tradicional tapete de serragem e flores. Não tem como não se emocionar diante das esculturas que o mestre das artes deixou no alto de um dos morros da cidade histórica de Congonhas, a 89 quilômetros de Belo Horizonte.


Os Passos da Paixão são relíquias históricas que merecem uma visita durante as comemorações do Mês de Aleijadinho (foto: Paulo Filgueiras/EM/D. A Press)
Os Passos da Paixão são relíquias históricas que merecem uma visita durante as comemorações do Mês de Aleijadinho (foto: Paulo Filgueiras/EM/D. A Press)


Programação de aniversário

O Museu de Congonhas preparou um mês especial de atividades em homenagem aos 289 anos de nascimento do gênio, escultor e maior artista brasileiro de todos os tempos, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, que nasceu em 29 de agosto de 1730. Na programação tem cinema, exposições, música e troca de experiências. “Congonhas, cidade onde Aleijadinho deixou sua obra-prima, celebra com muita arte e cultura o legado do grande mestre. A programação, eclética e variada, foi pensada para atrair todos os públicos e movimentar a sede do Museu de Congonhas”, explica Sérgio Rodrigo Reis, diretor do Museu de Congonhas.

Um dos destaques é o encontro entre o cineasta Helvécio Ratton e o escritor Carlos Herculano Lopes, que, sob a mediação do jornalista João Paulo Cunha, falarão sobre o tema “Imagem e palavra: literatura feita de luz”, amanhã (14), às 16h. A ideia é promover um debate mostrando como uma arte pode ser fecundada pela outra. Muitos filmes brasileiros baseados em livros não apenas fizeram história como foram importantes para incentivar a leitura. No evento, uma conversa sobre livro e adaptação para o cinema e TV, podendo problematizar a conhecida afirmação que defende que o livro é melhor que o filme, mostrando que não competem, mas se somam. A proposta é seguir também com uma conversa informal abordando temas dessa relação e mostrando trechos de filmes. O bate-papo integra o projeto Museu de Congonhas – Programa Educativo Todas as Letras.

Duas exposições estão na agenda do Mês do Aleijadinho. A primeira é uma individual de esculturas do artista Ricardo Carvão Levy, que marca seus 40 anos de carreira. Será aberta no dia 20, com amplo programa educativo, e segue até final de outubro. A outra mostra é inédita e idealizada para celebrar a geminação entre Congonhas (Brasil) e Matosinhos (Portugal), cidades que cultuam a mesma devoção ao Senhor Bom Jesus. Durante as festividades portuguesas ao Bom Jesus, em junho, o fotógrafo lusitano Sérgio Jacques registrou os rituais, sobretudo o de ornamentação com flores naturais da igreja em homenagem ao santo, no Norte de Portugal. As imagens serão exibidas pela primeira vez no Museu de Congonhas, instituição feita exatamente para difundir a fé e devoção por trás da construção do Santuário de Bom Jesus em Congonhas.

Outro destaque é o bate-papo musical com o renomado cantor Erasmo Carlos, no dia 21, às 20h, dentro do projeto “Poesia e música no Museu de Congonhas”, ação que conta com patrocínio da CSN. Na ocasião, o fundador da Jovem Guarda vai contar curiosidades da carreira e reviver alguns de seus maiores sucessos. E o encerramento será em 28 de agosto, às 20h, com o show da cantora congonhense Deise Lucci cantando Vander Lee.

Serviço

Mês de Aleijadinho 
14/8, às 16h – Museu de Congonhas – Programa Educativo Todas as Letras. Convidados: Helvécio Ratón e Carlos Herculano Lopes. Mediação: João Paulo Cunha. Tema: “Imagem e palavra: literatura feita de luz”. Entrada franca

16, 17 e 18/8 – Etapa final da 24ª Copa Internacional de Mountain Bike 
(CIMTB) Michelin

20/8, às 14h – Abertura da exposição individual de Ricardo Carvão Levy. 
Entrada franca

21/8, às 20h – Bate-papo musical com Erasmo Carlos – Poesia e música no Museu de Congonhas. Entrada: R$ 2

28/8, às 19h – Exposição fotográfica Senhor de Matosinhos em Portugal. Entrada franca

28/8, às 20h – Deise Lucci canta Vander Lee. Ingressos: R$ 2


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