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Encantos do Trem do vinho

Nos caminhos da linha férrea, passeio partindo de Bento Gonçalves leva o turista a Garibaldi e Carlos Barbosa


postado em 26/03/2019 05:07 / atualizado em 26/03/2019 11:02

Para contar a história da cidade de 120 mil habitantes, a atração Epopeia italiana encena a migração do casal Lázaro e Rosa Giordani desde quando deixaram a cidade natal de Pedersano até 1890, quando o povoado brasileiro deixou de se chamar Colônia Dona Isabel e ganhou o nome de Bento Gonçalves. Em um espaço de dois mil metros quadrados, nove cenários ricos em detalhes e uma mistura de teatro ao vivo com cinema, o visitante acompanha o sonho de uma vida melhor na América, a viagem de 36 dias no mar e a chegada ao Brasil. Tudo inspirado na história real dos bisavós da atual geração da família, que idealizou o passeio e também revitalizou a maria-fumaça que percorre a cidade. O programa encanta adultos e crianças. Os ingressos custam a partir de R$ 20. Ao final, o visitante pode degustar vinhos, sucos e biscoitos, além de comprar produtos locais.


Já o passeio de trem, que parte de Bento Gonçalves e visita as vizinhas Garibaldi e Carlos Barbosa, tem como objetivo unir a tradição ao moderno. Inaugurada como passeio turístico em 1992, a locomotiva a vapor carrega 370 passageiros por 23 quilômetros e quase duas horas de paisagens da Serra Gaúcha. O apito pode ser ouvido em toda a cidade, e moradores acenam do jardim enquanto a maria-fumaça passa.


Conhecida como o Trem do vinho, a locomotiva conta com degustação de vinhos e sucos de uva da região em todas as estações, inclusive na de partida. Por isso, uma dica valiosa é chegar com meia hora de antecedência do horário de embarque para aproveitar a experiência. Tudo isso é embalado por artistas locais, que fazem da estação, decorada para lembrar as do século passado, palco para apresentações. Música tradicional gaúcha, teatro, coral italiano e tarantella, uma tradicional dança da Itália, também fazem parte do percurso. Durante os 90 minutos de jornada, os artistas passeiam pelos vagões e animam os passageiros.


Na centenária Garibaldi, a primeira parada, a estrela é o espumante, principal produto da cidade. Aliás, o lugar é o único do Brasil a produzir o tradicional champanhe: o nome, hoje, só pode designar produtos da região originária na França, mas a vinícola Peterlongo, por ter anos de história e usar o método correto, ganhou o direito de manter a nomenclatura. Carlos Barbosa, a segunda e última parada, é a Capital Nacional do Futsal desde 2017.


Para o passeio ocorrer, 20 funcionários trabalham na manutenção da locomotiva, que mantém a estrutura e mecânica originais. As peças são feitas sob encomenda. Cerca de 800 quilos de briquetes (toras de madeira reaproveitada) são usados a cada passeio para alimentar a caldeira. Apesar de toda a tradição, o trem leva um gerador de energia, que ilumina os vagões e possibilita o sistema de som usado para entretenimento. Um dos trens reformados para o passeio é de 1941 e o outro, de 1954.


Vinni Fernandes, funcionário da Giordani Turismo, que opera a concessão do trem, comemora a alta do movimento na região: “Bento Gonçalves tem muitas histórias para contar”, afirma. O turismo, aliás, ajudou a blindar a cidade da crise que tomou o país nos últimos anos. Atualmente, figura como a quarta maior atividade econômica do município, depois da fabricação de móveis, metalurgia e produção de vinhos.

MOVIMENTO Liliane Prestes, funcionária da vinícola Dom Cândido, conta que muitos turistas costumavam escolher Gramado ou Canela como destino de férias, ouviam falar de Bento Gonçalves e só então visitavam a cidade. Hoje, porém, ela acredita que a região conquista turistas pelos próprios atrativos.


Para quem busca mais agitação, não faltam opções. No Hotel Villa Michelon, é possível fazer um passeio de quadriciclo entre os parreirais, parar no meio para degustar as bebidas da vinícola Dom Cândido e, de quebra, aproveitar vistas incríveis da região. No Parque Gasper, a poucos quilômetros, as atrações são o bungee jump, tirolesa, escalada, rapel e arvorismo. A entrada custa R$ 5, mas as atrações têm preços à parte.


A cidade tem, ainda, restaurantes e bares para atender todos os públicos. Quem gosta de cerveja, aliás, não precisa se sentir excluído: além de ótimos vinhos, a região conta com produções cervejeiras artesanais, como o Moinho Graciema, com uma seleção variada e saborosa. Ou seja: Bento Gonçalves tem tudo para ser uma viagem memorável.

* Viajou a convite da Giordani Turismo


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