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Estado de Minas

Rumo ao desconhecido

Turismo de transformação e conhecimento tem atraído cada vez mais pessoas ao redor do mundo


postado em 01/01/2019 05:07

Viajar pode ser o caminho para encontrar o equilíbrio na vida. Quem participa do festival hindu em Chennai, na Índia, volta de lá revigorado(foto: ARUN SANKAR/AFP )
Viajar pode ser o caminho para encontrar o equilíbrio na vida. Quem participa do festival hindu em Chennai, na Índia, volta de lá revigorado (foto: ARUN SANKAR/AFP )

 

 









“Vou deixar a vida me levar
Pra onde ela quiser
Seguir a direção
De uma estrela qualquer
É, não quero hora pra voltar, não
Conheço bem a solidão, me solta
E deixa a sorte me buscar”

A letra da música Vou deixar, da banda mineira Skank, vai ao encontro com o desejo de milhares de pessoas neste novo ano que se inicia. Quem nunca teve a vontade de sair pelo mundo e encarar o desconhecido? Quem nunca desejou sumir e deixar para trás problemas, trabalho, família, amigos e (des)amores, e fazer uma viagem solitária em busca de si mesmo? Muita gente não só pensou como se permitiu vivenciar o tão sonhado período sabático. O termo hebraico shabat significa repouso, parada e descanso. Segundo a plataforma de inteligência em turismo Skift Travel, neste ano de 2019 que se inicia hoje, o turismo de transformação terá destaque. Alexandre Cymbalista, diretor da Latitudes, que oferece viagens de conhecimento, concorda: “Seja para ir a um festival de música ou para uma imersão em si próprio, os brasileiros estão viajando para reafirmar suas convicções ou preferências. São viagens que ninguém retorna delas da mesma forma quando se deu o embarque. No fundo, todos voltam renovados ou transformados”, finaliza.

 

A maior prova de sucesso desse tipo viagem foi vivida pela escritora norte-americana Elizabeth Gilbert. Em 1999, com 30 anos, ela embarcou pelo mundo, sozinha, depois de um divórcio, uma depressão e outro amor fracassado. Sentindo-se confusa e triste, resolveu livrar-se de todos os bens materiais, demitiu-se do emprego e partiu em sua jornada. Em Roma, estudou gastronomia, aprendeu a falar italiano e engordou 11 quilos. Na Índia, dedicou-se à exploração espiritual. Em Bali, na Indonésia, exercitou o equilíbrio entre o prazer mundano e a transcendência divina. Inesperadamente, apaixonou-se por um brasileiro que morava em Bali. E o resultado final desta viagem todo mundo conhece: o consagrado best-seller Comer, rezar e amar, publicado em 2006 e que, quatro anos depois, foi parar nos cinemas, com Julia Roberts no papel principal.


Seguindo o roteiro da escritora de sucesso, refizemos o roteiro proposto por Elizaberh
Gilbert no livro Comer, rezar e amar e chegamos à seguinte conclusão: dá para vivenciar
todos os sentimentos, juntos, em cada cidade visitada por ela no romance de memórias

Roma é amor ao contrário

Já que a capital italiana tem o amor no próprio no nome, nada mais justo de ela querer seduzir, conquistar e perverter. Ela seduz por todos os sentidos. Pela história e pelas artes. Seduz e te sacia pela gastronomia variada, de massas aos molhos suculentos, de queijos aos embutidos refinados. E os doces? Farte-se de seus gelatos e permita-se lamber até a última migalha de um tiramisu ou cannoli crocante. Roma também seduz pelos perfumes e pela moda, mas nada fascina mais do que a língua melodiosa. Uma cidade que encanta e anestesia com o vaivém dos casais nos becos e praças. A capital da Itália tem fama de ser caótica, de ser vaidosa e aristocrática, gaba-se de ser popular e despretensiosa, mas é espontânea e encantadora. É uma paixão para a vida toda. O que mais nos espanta em Roma é a banalidade do belo. Ficamos deslumbrados diante da imensa cúpula do antigo Panteão de Adriano (com mais de 2 mil anos), das fontes de Bernini, do labirinto das vielas que circundam a Piazza Navona, sem esquecer os demais clássicos da cidade – a Fontana de Trevi, a Piazza di Spagna, o Coliseu, o Fórum Romano e, claro, o Vaticano, o menor país do mundo, baluarte da religião católica encravado numa cidade que transpira o cristianismo por todos os poros. Onde se reza, se comunga, pede-se perdão pelos pecados da carne, seja o da gula ou o da luxúria.

De Gandhi ao Taj Mahal

Berço da espiritualidade, visitar a Índia é ter um encontro com Buda (o Iluminado). Este ano, o país se prepara para celebrar os 150 anos do nascimento de Mahatma Gandhi. É o momento de meditação e de elevação ao plano espiritual superior ao seguir os passos do maior humanista indiano e se dedicar a rezar pela paz e pelo bem comum. E quando se fala de amor, a história do Taj Mahal está intimamente ligada à paixão. O mausoléu, eleito patrimônio mundial pela Unesco em 1983 e listado como uma das sete maravilhas do mundo moderno, desde 2007 é a ode de um amor sem igual que tem início em meados do século 17, quando o imperador mongol Shan Jahan ordenou sua construção para honrar a memória de sua terceira esposa, Aryumand Banu Begam, que morreu ao dar à luz o 14º filho do casal. A despedida da amada abalou tanto o imperador que ele construiu o luxuoso palácio em mármore branco e pedras preciosas (jade, ametista, turquesa, lápis-lazúli, cristal e ouro) para eternizar o seu amor pela esposa preferida.

Refúgio espiritual

Você acredita em karma? Aquela lei que ajusta o efeito à sua causa, ou seja, que todo o bem ou mal que tenhamos feito numa vida virá trazer-nos consequências boas ou más para esta vida ou próximas existências? Ao visitar Bali, uma entre as 13 mil ilhas da Indonésia, você se surpreende com a filosofia de vida do lugar. Embora a Indonésia seja um país muçulmano, Bali é um lugar exótico que se diferencia de todo o país. Lá, os moradores creem e praticam o hindu-balinês. Suas crenças, muito peculiares e cheias de tradições, enxergam o mundo de forma diferente. Os balineses celebram a morte, acreditam em karma, participam de cortejos e todos os dias fazem oferendas para seus deuses. Admirada por turistas do mundo todo, essa ilha é um lugar único no planeta, localizada no Sudeste asiático. Um paraíso para se desligar do ritmo acelerado e descansar. Conhecida por sua espiritualidade, Bali oferece muitas experiências distintas, seja uma simples tarde observando o pôr do sol no mar, seja uma manhã praticando ioga ou recebendo uma massagem.

 

 


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