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A pé pelas ruas de Fortaleza

Programa oferece 30 itinerários diferentes para o turista escolher cada ponto que deseja conhecer


postado em 18/12/2018 05:03

Caminhando pelas ruas da cidade, é possível observar intervenções artísticas, como esta no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura(foto: MauroRRSilva/D.A Press %u2013 23/7/17)
Caminhando pelas ruas da cidade, é possível observar intervenções artísticas, como esta no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (foto: MauroRRSilva/D.A Press %u2013 23/7/17)



Por que não conhecer uma das maiores cidades do Brasil num roteiro a pé? Quem vai pela primeira vez a Fortaleza se surpreende: ao contrário de outras metrópoles nacionais, o cinza característico do asfalto e dos prédios cada vez mais altos se mistura com outras tantas cores na Região Central da capital cearense.


“São 15 bairros que ainda guardam contornos históricos na cidade, e a maioria deles está na Região Central”, explica o guia Gerson Linhares, que há 22 anos trabalha no programa Fortaleza a Pé.


A região em que a cidade foi fundada começou a ser ocupada ainda no final do século 16. Da fundação, em 13 de abril de 1726, pra cá, são 292 anos de intensas mudanças econômicas, sociais e culturais. Em meio a esse cenário de transformações, uma preocupação: manter, em meio a arranha-céus, casarões e construções históricas da cidade. Por isso, vale a pena calçar um sapato confortável, vestir roupas leves, pegar o boné e passar bastante protetor solar para deixar a praia um pouco de lado e conhecer o Centro.


O programa Fortaleza a Pé oferece 30 itinerários diferentes, com mais de 50 pontos de visita diferentes. Resta ao turista escolher quais pontos da cidade quer conhecer. Para se ter uma ideia, são 32 praças antigas só na Região Central, além de igrejas históricas e edificações que mantêm contornos originais. O passeio completo pode durar de duas a quatro horas.
Para quem gosta de história, os museus – que totalizam 66 na cidade – são a atração principal. Inaugurado em 1933, o Museu do Ceará é o mais importante – e imponente – de todos. No século 19, o edifício era sede da Assembleia Legislativa e carregava o nome Palacete Senador Alencar, em homenagem ao pai do romancista José de Alencar. Atualmente, relembra os primórdios paleontológicos e arqueológicos do estado, além, é claro, a formação cultural e religiosa da região.


Diariamente, estima-se que mais de 450 mil pessoas passem pelo Centro de Fortaleza. Nenhuma cidade do interior do Ceará arrecada mais dinheiro em impostos do que a região, ponto comercial bastante representativo na capital. Apesar de tanta agitação diurna, engana-se quem pensa que o movimento acaba no horário comercial.

NATAL LUZ Noite de 23 de novembro. Da Praça do Ferreira – a mais frequentada da cidade –, milhares de olhares se voltam para o alto do Hotel Excelsior, considerado o primeiro arranha-céu de Fortaleza, inaugurado no último dia de 1931. Lá de cima, crianças aparecem nas sacadas para entoar canções que marcam a abertura do Ceará Natal de Luz, 22ª edição do evento organizado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e que movimenta o Centro da capital no fim do ano.
É o tão aguardado Coral da Luz, formado por cerca de 130 crianças e adolescentes de 7 a 17 anos. Todos os integrantes moram na região conhecida como Grande Bom Jardim, que engloba cinco dos bairros com piores indicadores sociais e econômicos de Fortaleza. Eles fazem parte da Associação Nossa Casa Mãe África, que oferece aulas de canto, balé, circo, flauta e violão, entre outras.


“Penso em quando eu era criança, pois não tinha um projeto desse. Queria muito aprender a tocar violão, a tocar flauta, coral. Penso que sou instrumento para essas crianças… E eu queria ter tido um instrumento desses quando era criança. É incrível”, diz Hanna Cecília, uma das instrutoras do projeto.


Diariamente, até 23 de dezembro, as crianças do coral dividem o palco com grandes artistas brasileiros. Na abertura do Natal de Luz, o cantor, compositor e instrumentista Fagner voltou ao estado em que nasceu para relembrar sucessos de anos de carreira. Gilberto Gil e Toquinho também fazem parte da programação do evento, que, pasmem, teve até neve. Isso mesmo. Para a alegria das crianças – e por que não dos adultos? –, flocos de “neve” artificial produzidas por máquinas atingiram toda a Praça do Ferreira, que beirava os 300C.

* O repórter viajou a convite da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Fortaleza, em parceria com a Secretaria de Turismo da capital cearense


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