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Estado de Minas FUTEBOL

Seleção do Brasil fecha olimpíada com chave de ouro

Brasil bate a Espanha na prorrogação e chega ao bi olímpico no templo do penta canarinho pela Copa de 2002, agora com arquibancadas vazias


08/08/2021 04:00 - atualizado 08/08/2021 10:22

Festa verde-amarela: comemoração, com direito a choro e cânticos, foi do fim da partida à entrega das medalhas(foto: Tiziana FABI/AFP)
Festa verde-amarela: comemoração, com direito a choro e cânticos, foi do fim da partida à entrega das medalhas (foto: Tiziana FABI/AFP)

Tóquio – O palco da final olímpica já era sagrado para a Seleção Brasileira. Afinal, em 2002, o Estádio Internacional de Yokohama foi o cenário do título mundial contra a Alemanha. E, sob as bênçãos dos pentacampeões, o Brasil voltou a comemorar um título no local quase 20 anos depois. Na manhã de ontem (noite no Japão), a equipe olímpica derrotou a Espanha por 2 a 1, em partida definida na prorrogação, e conquistou o bicampeonato em Jogos Olímpicos.

O ouro da Olimpíada de Tóquio foi o segundo seguido, cinco anos após a vitória nos pênaltis diante dos alemães, no Rio de Janeiro. Entre os campeões está o lateral-esquerdo Guilherme Arana, do Atlético, titular e com bom desempenho em todas a campanha.

O Brasil abriu o placar nos acréscimos do primeiro tempo, com Matheus Cunha. Mais cedo, Richarlison havia perdido um pênalti. Na volta para a etapa complementar, a Espanha melhorou e logo buscou o empate com Oyarzabal. O gol do ouro saiu no segundo tempo da prorrogação, em contra-ataque magistral definido com perfeição por Malcom.

O silêncio até amedrontador no suntuoso Estádio Internacional de Yokohama deu espaço para os gritos de incentivo tão logo a bola rolou. A arena é a casa do Yokohama Marinos, segundo maior campeão da J-League, com quatro títulos – a metade do poderoso Kashima Antlers –, e tem capacidade para 72 mil torcedores.

Nas arquibancadas quase totalmente vazias do gigante erguido em meio aos prédios da segunda maior cidade japonesa, brasileiros credenciados para os Jogos Olímpicos pelo COB e pela CBF faziam as vezes de torcedores, ausentes por conta da pandemia de COVID-19. Ao longo da partida, o clima se estendeu para os jornalistas que ocupavam as tribunas ao lado. Os espanhóis, então, responderam em incentivo à talentosa geração olímpica.

Mas o ambiente das arquibancadas foi o que de mais quente se viu até os 15 minutos, quando Diego Carlos evitou um gol adversário ao cortar em cima da linha. A partida continuou morna e parecia se encaminhar para um 0 a 0 bastante estudado ao fim do primeiro tempo.

Mas aí brilhou a estrela de Matheus Cunha. Recuperado de contratura muscular na coxa esquerda, o camisa 9 brasileiro sofreu pênalti do goleiro Unai Simon (marcado com o auxílio do VAR), aos 33 minutos. Artilheiro dos Jogos Olímpicos, Richarlison foi para a bola e isolou. O principal jogador ofensivo do Brasil não fez uma boa partida, perdeu chances e ainda recebeu cartão amarelo.

PLACAR ABERTO

Não se pode dizer o mesmo de Matheus Cunha. O atacante do Hertha Berlim-ALE completou com grande qualidade o passe de Daniel Alves. Na área, dominou no peito tirando três adversários da jogada e ficou com espaço para finalizar. Belo gol que abriu o placar aos 46min.

"O Brasil não parece o mesmo do primeiro tempo". A análise de uma repórter espanhola que transmitia a partida para uma emissora de rádio foi a prévia do que viria aos 15 minutos do segundo tempo. A Espanha passou a ter a bola por mais tempo e, com uma jogada que saiu da direita e terminou do outro lado, empatou o jogo numa bela finalização de Mikel Oyarzabal.

Tensão, com bolas na trave de lado a lado

Daí em diante, o jogo ganhou em tensão. Nas arquibancadas, apenas os jornalistas japoneses – que se espantavam com os dribles dos jogadores dos dois times – passaram a ser ouvidos. Mesmo com o time em queda, o técnico André Jardine não fez alterações.

Aos 39, a Espanha acertou o travessão em cruzamento, e, quatro minutos depois, outra bola explodiu no poste em chute de Bryan Gil. Antes, o Brasil já tinha parado na trave após finalização de Richarlison cara a cara com Unai Simon, que conseguiu o desvio. Mas o empate persistiu e o jogo foi para a prorrogação.

O Brasil melhorou na prorrogação com a entrada de Malcom na vaga do cansado Matheus Cunha. Criou boas oportunidades no primeiro tempo, mas não conseguiu retomar a vantagem. O gol do ouro saiu aos 2 minutos do segundo tempo da prorrogação, em um contra-ataque fatal após cobrança de escanteio da Espanha. Antony puxou pela direita e fez um lançamento primoroso para Malcom ganhar da marcação, invadir a área e mandar para as redes: 2 a 1 e bicampeonato garantido.

Grupo seleto

Antes do Brasil, só quatro seleções haviam conquistado dois ouros seguidos no futebol masculino: Grã-Bretanha (1908 e 1912), Uruguai (1924 e 1928), Hungria (1964 e 1968) e Argentina (2004 e 2008). Ganhar dois ouros consecutivos é raro para o Brasil em qualquer modalidade. O país conseguiu essa sequência quatro vezes. A primeira foi com Adhemar Ferreira da Silva, campeão no salto triplo nos Jogos de Helsinque (1952) e Melbourne (1956). Depois, com a Seleção Feminina de Vôlei, em Pequim (2008) e Londres (2012). A dupla da vela formada por Kahena Kunze e Martine Grael também conquistou o ouro em duas edições consecutivas: Rio (2016) e em Tóquio. Agora, a dobradinha se completa também com o futebol masculino.

O lateral-esquerdo Arana, do Atlético, foi um dos que mais se emocionaram com a conquista(foto: MARTIN BERNETTI/AFP)
O lateral-esquerdo Arana, do Atlético, foi um dos que mais se emocionaram com a conquista (foto: MARTIN BERNETTI/AFP)

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