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Estado de Minas CAMPEONATO MINEIRO

Galo goleia o Tombense e pode perder de 3 a 0 para ir à final

No primeiro jogo da semifinal do Estadual, Atlético bate o Tombense por 3 a 0 e pode perder pelo mesmo placar no jogo de sábado para ir à final


02/05/2021 04:00

Em uma tarde de grande atuação, o atacante Hulk marcou o terceiro gol do Atlético e teve participação nos outros dois(foto: Fotos: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Em uma tarde de grande atuação, o atacante Hulk marcou o terceiro gol do Atlético e teve participação nos outros dois (foto: Fotos: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
 
 
Com estrela de goleiro pegador de pênalti e golaço de super herói, o Atlético goleou o Tombense por 3 a 0 no primeiro jogo das semifinais do Campeonato Mineiro, ontem, no Independência, e deu grande passo para chegar à final do Estadual mais uma vez. O Galo pode perder por três gols de diferença na partida de volta no próximo sábado, no Mineirão. Os atleticanos provaram novamente por que são a melhor equipe da primeira fase da competição. Mas o Atlético agora vira o foco para o jogo de terça-feira, contra o Cerro Porteño, às 19h15, no Mineirão, pela terceira rodada da Copa Libertadores.

Em 2020, Atlético e Tombense se enfrentaram na final do Mineiro. Melhor para o time atleticano, que venceu por 2 a 1 a primeira partida e 1 a 0 a segunda, sagrando-se campeão pela 45ª vez na história. Em 2021, Galo e Carcará medem forças novamente, mas agora na semifinal, e o Galo mais uma vez foi superior ao time de Tombos, que, mesmo mandante da partida, jogou no Horto, já que o Estádio Almeidão não tem condições de receber o VAR.

Com jogo terça-feira, contra o Cerro Porteño, às 19h15, no Mineirão, pela terceira rodada do Grupo H da Copa Libertadores, o técnico Cuca poupou alguns jogadores, os mais desgastados, para o primeiro duelo com o Tombense e deu tudo certo. O Atlético foi superior todo o jogo e dominou o Tombense.

Com a bola rolando no primeiro tempo, Allan foi atuar mais adiantado do que Tchê Tchê, Hyoran ficou aberto pela esquerda do ataque e Hulk centralizado. Savarino foi quase um ponta-direita ao lado de Guga. No meio de campo, Nathan distribuía bem o jogo e se impunha. Com esta configuração, o Atlético se impôs, com velocidade, troca de passes envolvendo o Tombense. O Galo encontrou espaço, aproveitou a liberdade, marcou bem a saída de bola do adversário e foi efetivo.

Assim, aos 15min, Hulk recebeu boa bola na ponta direita de Savarino e deu assistência perfeita para Hyoran cortar para o meio, desvencilhar dos marcadores e chutar forte e rasteiro no canto direito, sem chance para Felipe Garcia: 1 a 0. Sem pisar no freio, aos 19min, Manoel empurrou Hulk e o árbitro marcou pênalti, que foi confirmado pelo VAR. Aos 21min, Guga cobrou e converteu: 2 a 0.

Com os gols, o Atlético desacelerou, diminuiu o ritmo, baixou as linhas, e o Tombense pôde respirar e, assim, passou a se arriscar no campo ofensivo. Depois de um início excessivamente defensivo, o Carcará começou a mostrar por que tem os principais artilheiros do campeonato (Keké artilheiro com seis gols, e Daniel Amorim, vice, com cinco, este não jogou). Dos 19 gols na temporada, 17 foram anotados pelos atacantes. Dois lances perigosos na sequência. Aos 23min, chute forte de fora da área de Keké no travessão, com Everson cedendo escanteio. E aos 24min, bola na trave de Arthur, com a arbitragem marcando falta.

Mas o Tombense não conseguia dar sequência na pressão. Falhava na saída de bola e proporcionava o contra-ataque atleticano. Assim, o Atlético ditou o ritmo do primeiro tempo, sem grandes sustos, apesar do empenho do adversário. O Carcará, aliás, estreou o técnico Rafael Guanaes, ex-Sampaio Correa, já que Bruno Pivetti deixou o clube para acertar com o CSA. Faltava criatividade para o Tombense, que insistiu em bolas cruzadas na área para Arthur, mas sem muito resultado, e pecava pela lentidão.
 

"Fiquei emocionado, todo jogador da base sonha com o profissional e agradeço a todos que me ajudaram. Importante entrar e fazer a defesa (do pênalti). Passa um filme da vida, de muito trabalho"

Matheus Mendes, goleiro reserva do Atlético

 

SUPER HERÓI

Rafael Guanaes, para diminuir a desvantagem, mexeu no time, colocou Marquinhos, que tem mais qualidade no passe e criação, sem marcar tanto, com Keké permanecendo aberto pela esquerda e Caíque, no lugar de Pablo, pela direita. Mas as mudanças não surtiram tanto efeito e quem pediu passagem foi Hulk.

O Tombense continuou sem incomodar o Atlético, que se manteve seguro no jogo, apesar da queda de intensidade do time de Cuca. Mas o Galo marcava bem e, quando saía em velocidade, levava perigo ao gol de Felipe Garcia. Assim, aos 16min, Hulk, de canhota, na velocidade de uma arrancada, recebeu de Savarino na intermediária e chutou forte, cruzado no canto esquerdo para fazer 3 a 0. Em grande atuação, Hulk teve participação decisiva nos três gols.

O cenário pareceu mudar aos 24min, quando em falha de Tchê Tchê na cobertura, o goleiro Everson foi driblado, cometeu pênalti (confirmado pelo VAR aos 28min), e foi expulso. Matheus Mendes entrou no gol e mostrou a competência para defender pênalti. Não só defendeu a cobrança de Kekê, aos 29min, como segurou a bola em nova tentativa na sequência.

Com a expulsão, Cuca fez outras mudanças, entre elas, a entrada de Diego Tardelli, que não era relacionado desde a vitória sobre o Uberlândia, no dia 7 de março. Taticamente, o Atlético recuou, passou a jogar no contra-ataque, ficou mais defensivo, e o Tombense, com mais espaço, passou a atacar, mas sem produtividade. Assim, foi até o apito final do árbitro.

Dia inesquecível para o goleiro Matheus Mendes, que declarou após o jogo: “Fiquei emocionado, todo jogador da base sonha com o profissional e agradeço a todos que me ajudaram. Importante entrar e fazer a defesa (do pênalti). Passa um filme da vida, de muito trabalho”. O jogador, de 22 anos, será agora o dono do gol alvinegro na partida do Mineirão, já que Rafael está lesionado e fará cirurgia no ombro.

Concentração contra o imediatismo

Com anos de estrada, o técnico Cuca sabe que paciência e tempo são pedidos que não cabem no futebol, ainda mais se estiver à frente de um clube com torcida loucamente apaixonada. Mas ele sabe também que de um dia para o outro tudo muda. E o que faz isso? Vitórias. Ontem, com a boa exibição do Atlético na goleada por 3 a 0 em cima do Tombense, pelo Campeonato Mineiro, o treinador se viu novamente explicando a montanha-russa que é o esporte diante dos bons últimos resultados, contando a vitória diante do America de Cali, pela Copa Libertadores.

“Bola é assim. Uma semana atrás explicava sobre insatisfação de jogador (Hulk querendo mais tempo de jogo), hoje todo mundo está satisfeito. Eu e os jogadores procuramos fazer o melhor. O Atlético de 14 partidas tem 11 vitórias. Como ser cobrado que não está tendo desempenho? Ninguém é mágico para em um mês os jogadores entenderem o que quero e assim entregarem resultado e desempenho. Imediatismo faz parte, não contesto, só procuro me concentrar”, analisou o técnico atleticano.

E falou mais, já sabendo das cobranças (e comparações!) diante do trabalho do argentino, ex-comandante do Galo, Jorge Sampaoli: “Cada um tem um jeito de jogar, os jogadores vão assimilando como eu gosto. Não se trata de ser melhor ou pior que o Sampaoli. É o meu jeito. Gosto, por exemplo, de pontas flutuando por dentro, de ver o Savarino dando assistência lá na meia-lua. Mas sei que não há tempo. Mas quando chega a vitória, fica mais tranquilo para continuar o trabalho”.

FALHAS

Outra cobrança que ganha voz no mundo atleticano é quanto ao futebol de Tchê Tchê, jogador contratado a pedido de Cuca, que teve falhas capitais consecutivas contra o America de Cali e o Tombense, erros que resultaram em gols: “Escolha errada. O jogador vive de escolhas. Contra o America, saiu para o lado errado e hoje (ontem) posicionou o corpo (de forma errada, que deu origem ao pênalti cometido por Everson). Vou conversar, porque ele é muito importante na construção de jogadas. Vamos corrigir para não ocorrer mais”.

Já em relação à grande vantagem que abriu em cima do Tombense, pode perder por até três gols para chegar a mais uma final do Campeonato Mineiro, Cuca se mostrou satisfeito. E contente também com a atuação do jovem goleiro Matheus Mendes, de 22 anos: “Feliz com a entrada do Matheus, apesar de não desejar ter perdido um jogador expulso num momento controlado do jogo. Mas o Matheus foi emprestado ao CSA, fez um grande campeonato (Alagoano), o que mostra a importância de ganhar rodagem. Foi fazer vestibular fora e voltou concursado. A perda do Rafael é enorme, mas estamos bem servidos com o Matheus”.

Quanto a Diego Tardelli, que voltou a jogar ontem depois de aparecer para um jogo no dia 7 de março, Cuca diz que é preciso esperar. O atacante está em fase final de contrato e ainda não se falou em renovação: “O Tardelli ganhou alguns minutos, ele é muito importante com sua velocidade e mudança de direção. Vamos aproveitá-lo e ver o que acontece na sequência”. 

FICHA TÉCNICA

Tombense 0 x 3 Atlético

TOMBENSE: Felipe Garcia; David, Wesley, Arthur e Manoel; Rodrigo, Paulinho Dias (Marquinhos, intervalo) e Jhemerson (Jean Lucas 23 do 2º); Pablo (Caíque, intervalo), Rubens (Pedrão 48 do 2º) e Keké (Paquetá, 46 do 2º)
Técnico: Rafael Guanaes
ATLÉTICO: Everson; Guga, Réver, Alonso e Dodô; Allan (Franco, 36 do 2º), Tchê Tchê e Nathan (Matheus Mendes, 27 do 2º); Savarino (Igor Rabello, 37 do 2º), Hulk (Eduardo Sasha, 28 do 2º) e Hyoran (Diego Tardelli, 40 do 2º)
Técnico: Cuca
Campeonato Mineiro – Semifinais (ida)
Estádio: Independência
Gols: Hyoran 15, Guga 21 1º; Hulk 16 do 2º
Cartão amarelo: Dodô, Keké, Allan
Cartão vermelho: Everson
Árbitro: Wanderson Alves de Souza
Assistentes: Guilherme Dias Camilo e Fernanda Nandrea Gomes Antunes
Quarto árbitro: Murilo Francisco Misson Júnior



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