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Estado de Minas ENTREVISTA/FRANCO DI SANTO

'Sei que posso render mais'

Ele ainda sonha com Libertadores, espera mais de 2020 e se rende ao pão de queijo


postado em 26/11/2019 04:00

(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)


Solidário, sorridente no dia a dia e centrado nos objetivos. Pouco conhecido no futebol brasileiro, o argentino Franco di Santo, de 30 anos, deu novo rumo à carreira ao deixar a Europa depois de13 anos e aceitar a proposta para atuar no Atlético. Em pouco mais de quatro meses, rapidamente conquistou espaço, marcou quatro gols e ganhou prestígio com a torcida. Fora de campo, se mostra preocupado com os problemas socioeconômicos e ambientais – recentemente, utilizou uma rede social para lamentar as queimadas na Amazônia. “Creio que não é bom para ninguém que a Amazônia sofra queimadas, porque tira o oxigênio de todos”. Natural de Mendoza, cidade conhecida pela produção de vinhos, Di Santo considera que o desempenho na temporada pelo Galo foi positivo: “É lógico que gostaria de fazer dois gols por jogo. Lamentavelmente, não consegui fazer. Mas, individualmente, fui bem”.

Como avalia seu desempenho no Atlético? Você tem uma meta de gols e títulos em 2020?
Avalio como positivo. Individualmente, um jogador que não jogava há oito meses vir atuar num futebol tão competitivo como o brasileiro é difícil. Aqui se joga duas vezes por semana, e eu não tive pré-temporada. Joguei sem lesões e estive em campo por 90 minutos em quase todas as partidas, correndo e fazendo gols. É lógico que gostaria de fazer dois por jogo. Lamentavelmente, não consegui. É claro que gostaria que o time estivesse melhor na classificação. Para 2020, tenho que esperar para ver como terminamos na tabela. Espero que o mais alto possível e, por que não, classificados para a Copa Libertadores. Meta de gols não tenho. Se digo 10 e faço 20, vou ter mentido. Prefiro não mentir (risos).
 

"Creio que eles (torcedores) viram que sou uma pessoa que dou o máximo para a equipe e sempre luta para que a equipe vá bem, para além do individual"

Franco di Santo

 
Qual sua relação com a torcida do Atlético e o que ela tem de diferente para as demais?
As torcidas aqui não têm comparação com a Europa. A paixão é diferente, o jeito de viver é diferente, o dia a dia é diferente. Creio que é muito mais difícil ir ao campo. Estou muito agradecido à torcida do Galo por ter me recebido muito bem. Em três meses, já gritavam meu nome. Sei que posso render mais e ajudar com mais gols. Creio que eles viram que sou uma pessoa que dou o máximo para a equipe e sempre luta para que a equipe vá bem, para além do individual.

O que você mais gostou de Belo Horizonte até agora?
Pão de queijo (risos). É o melhor (risos). Eu já tinha provado pão de queijo, mas aqui é muito gostoso, muito bom. Sempre que estamos comendo, pego dois ou três. É incrível. Mas gosto de tudo, no geral. É uma mudança muito grande para mim.

Desde que chegou, você tem se posicionado em questões como a situação da Amazônia, que tem se tornado uma questão política muito forte no Brasil...
Politicamente, não me interessa. Nunca falei. Na Argentina, também me perguntam muito. O que interessa para mim são as pessoas, o ser humano, tentar defender os animais. Creio que não é bom para ninguém que a Amazônia sofra queimadas, porque tira o oxigênio de todos.
 

"Creio que não é bom para ninguém que a Amazônia sofra queimadas, porque tira o oxigênio de todos"

Franco di Santo

 
Como foi sua infância na Argentina?
Boa. Nunca me faltou nada. Fui para Rosário jogar numa equipe regional, Tiro Suizo. Fiz testes (River Plate, Boca Juniors, San Lorenzo, Independiente), mas nunca cheguei a um acordo com uma pessoa, que quis ficar com 95% do meu passe. Minha família sempre falou que iria me apoiar, mas tinha que ir bem na escola. Então, me mudei para o Chile muito cedo, aos 13, 14 anos. Comecei minha carreira na Primeira Divisão aos 15, 16. Depois, aos 17, já fui para a Europa e joguei lá todo esse tempo.

A América da Sul está em meio a uma agitação política muito grande. Na Argentina, Macri foi derrotado nas eleições por um candidato kirchnerista. No Chile, os protestos contra Piñera se arrastam há muitos dias. Como você vê essas situações?
Creio que de ambos os lados, as pessoas têm razão. Não tenho nenhum partido político, nunca falei de política e nem me interessa. Espero que os países estejam bem e que as pessoas tenham alimentos para comer, tenham trabalho e que os países cresçam. Espero que algum dia, na América Latina e na América do Sul, na América em geral, possamos chegar ao nível de países da Europa.
 

"Eu já tinha provado pão de queijo, mas aqui é muito gostoso, muito bom. Sempre que estamos comendo, pego dois ou três. É incrível"

Franco di Santo

 
Você atuou com jogadores muito importantes, como Drogba, Terry e Lampard e também com Messi na seleção. Como foi essa experiência?
Impressionante. Aprendemos muito. Conhecemos o jeito deles, como chegaram até lá, a sua forma de ser tanto dentro quanto fora do campo. Aprendemos muito a ver o futebol de outro ponto de vista. Foi um prazer. Eu era muito novo (no Chelsea). Depois, jogar com Messi na seleção foi impressionante. Quem o vê pela televisão pensa que é um extraterrestre. E aí, pessoalmente, supera o extraterrestre.

Confira a entrevista completa no www.superesportes.com.br


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