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Justiça afasta Itair

Em decisão do juiz Octávio de Almeida Neves, da 12ª Câmara Cível de BH, o vice-presidente de futebol está temporariamente suspenso de suas funções no clube. Ainda cabe recurso


postado em 11/07/2019 04:06

Quarenta e cinco dias depois das denúncias feitas pela Rede Globo, a Justiça suspendeu Itair Machado de suas funções no Cruzeiro em ação movida por sócios e conselheiros do clube(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press - 27/5/19)
Quarenta e cinco dias depois das denúncias feitas pela Rede Globo, a Justiça suspendeu Itair Machado de suas funções no Cruzeiro em ação movida por sócios e conselheiros do clube (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press - 27/5/19)


Para avançar às semifinais da Copa do Brasil, o Cruzeiro terá de superar mais que o Atlético, adversário desta quinta-feira, às 20h, no Mineirão, no jogo de ida das quartas de final. As turbulências no clube do Barro Preto parecem não ter fim e passam de possibilidade de ser punido com a perda de seis pontos no Campeonato Brasileiro por não pagamento da contratação do atacante Willian em 2013 e vão até o afastamento do vice-presidente de futebol Itair Machado, determinado ontem pela Justiça.

Tudo isso é fruto de administrações equivocadas, que fizeram a dívida crescer de menos de cerca de R$ 150 milhões em 2013 para R$ 520 milhões no fim do ano passado. Assim, a equipe não só não consegue investir em reforços como tem dificuldades para honrar compromissos, além de ter a imagem bastante arranhada no mercado.

No caso do afastamento de Itair, ele foi determinado, de forma provisória, pelo juiz Octávio de Almeida Neves, que atua como desembargador convocado na 12ª Câmara Cível de Belo Horizonte. Ele acata demanda de associados e conselheiros, entre eles o ex-presidente Gilvan de Pinho Tavares, que interpuseram agravo de instrumento depois de ter pedido de mesmo teor negado pela juíza Lílian Bastos de Paula, da 22ª Vara Cível da capital. A alegação é de que, conforme o estatuto celeste, por ter condenação na Justiça Itair não pode exercer cargo no clube.

Ao conceder a tutela de evidência recursal, o desembargador Octávio de Almeida Neves determinou que, “por consequência”, Itair Machado “fica impedido de praticar quaisquer atos de gestão inerentes ao cargo de vice-presidente de futebol do clube e de se valer de qualquer dos poderes outorgados no instrumento de procuração firmado pelo Cruzeiro”.

Itair Machado poderá recorrer dessa decisão liminar na 12ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, composta por cinco desembargadores. Um deles é o relator Octávio de Almeida Neves, que já concedeu a tutela ontem – os outros desembargadores são José Flávio de Almeida (presidente), Domingos Coelho, José Augusto Lourenço dos Santos e Juliana Campos Horta. Se não conseguir reverter a situação na 12ª Câmara Cível, Itair seguirá afastado até julgamento do mérito.

Por meio da assessoria de imprensa do Cruzeiro, Itair Machado informou que o caso está entregue aos advogados e nenhum deles vão comentar a decisão.

O clube, por sua vez, foi ainda mais lacônico. “O Cruzeiro Esporte Clube vem a público informar que tomou conhecimento da decisão judicial que determina o afastamento do vice-presidente de futebol, Itair Machado de Souza, das suas funções, e que tomará as medidas administrativas e jurídicas que o caso requer”, escreveu, em nota oficial.

Willian Enquanto Itair tenta se manter no cargo, os demais dirigentes precisam encontrar soluções para que a crise financeira não inviabilize o clube. Uma das medidas urgentes é evitar a perda de pontos imposta pela Fifa devido à dívida de quase 1,5 milhão de euros (cerca de R$ 6,3 milhões) com o clube ucraniano Zorya Luhansk, pela contratação do atacante Willian Bigode, em 2013.

O diretor de comunicação Valdir Barbosa, que acaba de voltar ao clube, se mostra tranquilo. “Não existe isso de perda de pontos. O Cruzeiro foi punido em primeira instância, mas recorreu e ganhou a liminar. Isso vai ser julgado daqui a oito, dez meses. Se perder a ação, o clube ainda terá 90 dias para realizar o pagamento”, declarou.

SEGURANÇA O técnico Mano Menezes garante que nada dessa confusão extracampo irá interferir no desempenho da equipe. “Nós somos o Cruzeiro, os jogadores, os torcedores. No nosso caso, nós é que vamos para dentro de campo para mostrar a capacidade e a grandeza desse grupo, que vem conquistando títulos juntos. Não temos problemas de salário, não temos problemas de nada. O Cruzeiro estará forte na disputa contra o Atlético nas quartas de final. O resto é paralelo”, garantiu Mano Menezes.
 
 
Cronologia da crise

 26/5 – A denúncia
O programa Fantástico, da Rede Globo, aponta uma série de irregularidades cometidas pela administração do Cruzeiro e diz que o clube está sendo investigado pela Polícia Civil por lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e falsidade ideológica

 27/5 – Defesa em dupla
O presidente Wagner Pires de Sá e o vice-presidente executivo de futebol Itair Machado rebatem, em entrevista coletiva, na Toca da Raposa II, as acusações. Porém, revelam ter feito novo contrato no caso de empréstimo de R$ 2 milhões feito com empresário, que recebeu como garantia parte dos direitos econômicos de 10 atletas, inclusive um de 12 anos. Dois últimos integrantes do Conselho Fiscal renunciam

 28/5 – Reação do Conselho
Wagner Pires de Sá toma conhecimento, na Polícia Civil, das investigações em andamento. São feitos contatos com outros diretores e os conselheiros começam a se mobilizar pedindo providências para preservar a imagem do clube. Presidente do Conselho Deliberativo, Zezé Perrella lamenta que o nome do Cruzeiro seja exposto e promete sindicância para apurar as denúncias

 29/5 – Multa pesada
Wagner Pires de Sá se reúne, na sede administrativa, com Itair Machado e outros diretores. Pela primeira vez teria sido aventada a saída do vice-presidente, que, no entanto, teria de ser ressarcido em R$ 2 milhões caso demitido antes de 31 de dezembro. Documento assinado por 111 conselheiros pede transparência no clube

 30/5 – Busca de apoio
Wagner Pires de Sá procura conselheiros em busca de apoio. Em áudio enviado a integrantes do Conselho Deliberativo, Zezé Perrella diz que “quem tiver culpa vai pagar”

 31/5 – Pedido de afastamento
Zezé Perrella anuncia o nome dos três conselheiros que vão integrar comissão de sindicância. Justiça bloqueia 30% do salário de Itair Machado por conta de dívida contraída quando ele era presidente do Ipatinga e do Betim. Em carta, grupo de 117 conselheiros pede o afastamento do vice de futebol

 1/6 – Decisão tomada
Documentos obtidos pelo Superesportes mostram que Zezé Perrella arquivou, em agosto de 2018, representação de associados pedindo o afastamento de Itair Machado. Wagner Pires de Sá é convencido, em reunião com Perrella e quatro conselheiros que são desembargadores, que o melhor para a paz no clube é a saída
do vice de futebol

 3/6 – Recuo de Wagner
Presidente do clube volta atrás na decisão de demitir o braço direito. Porém, anuncia extinção “de todos os cargos de vice-presidente que não forem amparados pela legislação estatutária vigente no clube”, afetando diretamente os vices jurídico e financeiro, Fabiano de Oliveira Costa e Flávio Pena, que terão novos cargos. Itair Machado, porém, segue como vice de futebol no organograma do Cruzeiro. No ofício divulgado, diz que alguns salários serão revistos

 9/6 – Busca e apreensão
A Polícia Civil cumpre mandados de busca e apreensão nas casas do presidente Wagner Pires de Sá, do vice-presidente de futebol Itair Machado, do diretor-geral Sérgio Nonato, de um empresário com negócios com o Cruzeiro, na sede administrativa e nas Tocas da Raposa I e II, além da sede da torcida organizada Máfia Azul. Foram recolhidos e/ou periciados computadores, telefones celulares e documentos

 10/6 – Afastamento
O juiz Octávio de Almeida Neves, que atua como desembargador convocado na 12ª Câmara Cível de Belo Horizonte, determina afastamento de Itair Machado do cargo de vice-presidente de futebol do Cruzeiro. Ele acata demanda de associados e conselheiros, que interpuseram agravo de instrumento depois de ter pedido de mesmo teor negado pela juíza Lílian Bastos de Paula, da 22ª Vara Cível da capital. A alegação é de que, conforme o estatuto celeste, por ter condenação na Justiça Itair não pode exercer cargo no clube. À decisão cabe recurso (PG)


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