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Estado de Minas

Alta tensão na Toca

Em tarde de ânimos exaltados, dirigentes do Cruzeiro rebatem acusações, afirmam não haver irregularidade na gestão do clube e justificam pagamentos mensais a torcidas organizadas


postado em 28/05/2019 04:08

Diretoria cruzeirense compareceu em peso para dar explicações: (da esquerda para a direita) Flávio Pena, diretor financeiro; Édson Travassos, diretor jurídico do departamento de futebol; Itair Machado, vice-presidente executivo de futebol; e Wagner Pires de Sá, presidente(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
Diretoria cruzeirense compareceu em peso para dar explicações: (da esquerda para a direita) Flávio Pena, diretor financeiro; Édson Travassos, diretor jurídico do departamento de futebol; Itair Machado, vice-presidente executivo de futebol; e Wagner Pires de Sá, presidente (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)

A entrevista coletiva convocada pela diretoria do Cruzeiro para tentar explicar irregularidades apontadas por reportagem veiculada no Fantástico, da TV Globo, na noite de domingo, teve momentos de temperatura elevada. O presidente Wagner Pires de Sá e o vice-presidente executivo de futebol Itair Machado estiveram escudados pelo diretor financeiro celeste, Flávio Pena, e pelo diretor jurídico do departamento de futebol do clube, Édson Travassos. Também presente, mas não na mesa, o jornalista Fernando Mello, cuja empresa, a Press FC, especializada em gerenciamento de crise, foi contratada para prestar consultoria ao clube celeste. Isso não impediu, no entanto, Itair de se exceder em alguns momentos.

O cartola até se dirigiu diretamente aos torcedores ao justificar ações da diretoria. Ainda acusou órgãos de imprensa, principalmente de Rio e São Paulo, de terem má vontade com o Cruzeiro, o que, segundo ele, teria motivado a matéria da emissora carioca – os dirigentes cruzeirenses são acusados de crimes como falsificação de documentos, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

“Estou defendendo o Cruzeiro, a torcida, e ganhando inimigos com isso”, disse Itair, que mais de uma vez afirmou que o Cruzeiro incomoda por conquistar títulos importantes, inclusive sobre equipes “do eixo”, como Flamengo e Corinthians, adversários das duas últimas finais da Copa do Brasil. “Não queremos rebater a matéria (da TV Globo). Só queremos tranquilizar você, nosso torcedor. Desde que me sentei na cadeira, meu compromisso é com a honestidade”, declarou o dirigente, acrescentando que o valor que recebe do clube – foram R$ 3,3 milhões em 2018 – é compatível com a função no mercado. “A maior parte do que ganho é em função do desempenho da equipe.”

Itair interrompeu o presidente e outros participantes várias vezes para reforçar algum ponto de vista – no final, foi interrompido por Wagner Pires de Sá, que interveio para acalmar os ânimos, quando Itair debatia com o jornalista Vinicius Nicoletti, chegando até a ameaçá-lo. Como em outras oportunidades, ele defendeu a política de contratações e a administração atual, sempre acusando os antecessores de serem responsáveis pela maior parte da dívida celeste, que já superou os R$ 500 milhões.

As polêmicas, inclusive, começaram antes mesmo da eleição, no fim de 2017. Coordenador da campanha de Wagner, Itair foi acusado por opositores de custear a campanha com o objetivo de comandar o clube e recuperar o “investimento”.

Depois da vitória nas urnas, passou a dar as cartas no futebol da Raposa, sendo responsável direto pela contratação de jogadores como o lateral-direito Edílson, o volante Bruno Silva e o atacante Fred, em 2018, e Pedro Rocha, Marquinhos Gabriel Dodô, Jádson e Rodriguinho nesta temporada. Algumas negociações geraram polêmica, porém, o título da Copa do Brasil no ano passado fez com que ele caísse nas graças da torcida.

O jeito arrojado do vice-presidente executivo contrapõe à tranquilidade de Wagner Pires de Sá. Na final do Campeonato Mineiro do ano passado, Itair acusou a Federação Mineira de Futebol (FMF) de beneficiar o rival, Atlético, mesmo com o Cruzeiro tendo saído com o título. Chegou a se desentender com atleticanos no acesso ao gramado do Gigante da Pampulha.

INVESTIGAÇÃO Os opositores também dizem que Itair tem feito o clube financiar torcidas organizadas com o objetivo de evitar críticas à administração. A diretoria justifica os gastos de cerca de R$ 88 mil por ano com a Máfia Azul como “patrocínio à TV que dá grande retorno ao clube”. Já a China Azul estaria sendo abastecida com R$ 6 mil mensais pelo “projeto social que desenvolve”.

“Além disso, em gestões passadas, as organizadas brigavam entre elas. Então, também pactuamos com as torcidas para evitar brigas nos estádios. Se vocês perceberem, nunca mais houve violência nos estádio. As famílias estão indo, pois as torcidas estão cantando a mesma música. Não é investimento em organizada, mas trazer sociabilidade para os jogos”, justificou Itair.

Há ainda denúncia de compra de conselheiros para aprovar contas ou o empréstimo de R$ 300 milhões que seriam usados para baratear o custo da dívida. Segundo Pires de Sá, ontem ficou acertado que conselheiros que trabalharem no clube terão de se licenciar do Conselho.


Apuração policial continua

A Polícia Civil de Minas Gerais informou ontem que está em andamento investigação para apurar possíveis irregularidades em transações de jogadores e superfaturamento de valores pagos a empresas que prestaram serviço ao Cruzeiro. De acordo com o Departamento Estadual de Investigações de Fraudes, foram ouvidas 15 pessoas que tem relações com o clube, entre elas funcionários, ex-funcionários, dirigentes e empresários.

“Tramita no Departamento de Investigações um procedimento investigativo que visa apurar eventuais atos ilícitos que poderiam configurar, em tese, delitos de falsidade ideológica, falsificação de documento particular, lavagem de dinheiro, dentro outros. Tais condutas teriam sido, supostamente, praticadas por pessoas que exercem ou exerceram atividades laborativas no Cruzeiro, além de empresários que celebram contratos com o clube”, diz a nota da Polícia Civil.

Além dos depoimentos, os investigadores informaram que foram reunidos documentos já anexados ao processo e feitas outras diligências para apurar irregularidades. A Polícia Civil não detalhou os motivos do cancelamento de uma entrevista coletiva que havia sido convocada para a tarde desta segunda-feira.


As suspeitas de crimes investigados

LAVAGEM DE DINHEIRO
Os investigadores apuram transações entre o Cruzeiro e uma madeireira. A empresa tem como principal atividade o agenciamento de profissionais para atividades esportivas. Como segunda, extração de madeira. A empresa não é registrada na CBF e a polícia desconfia que se trata de uma empresa de fachada.
Pena
O crime de ocultação de dinheiro ou bens resultantes de atividades ilícitas tem como pena reclusão de três a 10 anos e multa.

FALSIDADE IDEOLÓGICA E FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS
A Polícia Civil não detalhou o inquérito aberto para apurar a prática dos crimes. Os investigadores analisam dados do balanço contábil do clube, que traz detalhes sobre contatações de empresas de conselheiros que prestaram serviço ao Cruzeiro nos últimos dois anos.
Pena
A falsificação de documentos particulares tem como pena reclusão de um a cinco anos e multa.


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