mulher de pernas cruzadas em cima da cama e travesseiro no colo olhando para um homem sentado a sua frente

É fundamental que cada um olhe para dentro de si, ouça os ruídos que sinalizam quando não se está bem e, efetivamente, busque ajuda quando necessário

rc-respect/Pixabay
Existem muitos estigmas na sociedade que evitam certos temas e assuntos que, em pleno século 21, ainda são considerados tabus. Um deles é a saúde mental, apesar de todo empenho de instituições sociais e apoio de campanhas solidárias com a do Janeiro Branco, que estimula a compreensão sobre os riscos dos danos emocionais (que sabemos que não são poucos) e vem ao encontro da necessidade de voltarmos para dentro de nós, ouvirmos os nossos ruídos, que sinalizam quando não estamos bem e, efetivamente, poder buscar ajuda quando necessário. 

É urgente que se olhe para os desequilíbrios na saúde mental mundial e se busque meios de enfrentamento desses estigmas para a busca  também de políticas públicas do segmento que se dediquem a esse problema.

Maria Fernanda Caliani, psiquiatra, especialista em terapia cognitiva comportamental, faz um alerta sobre o tema: "Ninguém duvida que haja um estigma ligado a quem tenha doença mental. É isso que significa a palavra estigma: exclusão, discriminação e ela é a maior barreira que impede as pessoas de buscarem assistência médica”.

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E enfatiza: "Somos todos suscetíveis a vivenciar a loucura, a angústia, a passar por uma crise emocional. Acredito ser próprio do ser humano. É muito importante que nossas sociedades tragam respostas ao sofrimento psíquico. Seja nas nossas questões mais banais do dia a dia, seja nas questões mais profundas e complexas, a nossa saúde mental é relevante nas decisões e nas relações que tecemos na vida”. 

Mas quando buscar ajuda profissional?

Maria Fernanda Caliani, psiquiatra, especialista em terapia cognitiva comportamental

Maria Fernanda Caliani, psiquiatra, especialista em terapia cognitiva comportamental, afirma que 'somos todos suscetíveis a vivenciar a loucura, a angústia, a passar por uma crise emocional. Acredito ser próprio do ser humano'

Arquivo Pessoal
Maria Fernanda esclarece que a hora certa de buscar um psiquiatra é quando os sintomas começam a atrapalhar os relacionamentos pessoais, as atividades corriqueiras e profissionais. É quando a pessoa percebe que não vai dar conta, que está começando a ter um gasto de energia considerável.

Segundo a médica, a questão é quando isso começa a ficar muito intenso e frequente, passando a atrapalhar sua vida de maneira significativa, causando um grande impacto.

Por isso, fique atento com esses alertas que a psiquiatra listou:

  • Reações desproporcionais a acontecimentos negativos ou positivos;
  • Intolerância e se irrita facilmente;
  • Problemas para dormir ou passa por crises de insônia frequentes, que prejudicam o desempenho das suas atividades diárias;
  • Descontrole emocional;
  • Dores inexplicáveis pelo corpo;
  • Uso de alguma substância (seja álcool ou alguma droga) e isso está trazendo problemas no seu dia a dia;
  • Comportamentos compulsivos, seguir algum ritual repetidas vezes;
  • Dificuldades em se concentrar ou manter o foco, ou mesmo apresenta problemas em fazer escolhas;
  • Se você tem medo de coisas e situações inofensivas como andar de avião, enfrentar multidões, pegar elevadores.
  • Se você tem pensamentos autodestrutivos como pensar em morrer, ou mesmo se machucar. Este é um sinal de alarme que não deve ser ignorado. Você deve agir imediatamente, procurando ajuda.
“Qualquer indivíduo pode ser acometido por transtornos mentais que o levam a situações dramáticas que o impedem de viver uma vida normal. Por isso, é muito importante buscarmos o equilíbrio de nossa mente e corpo, incluindo nossos sentimentos e emoções. Como lidamos com essas emoções é o que determina como está a qualidade da nossa saúde mental. E isso tem a ver tanto com sofrimento, tanto quanto com felicidade”, ressalta Caliani.

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A psiquiatra Maria Fernanda Caliani destaca ainda mais seis dicas para ajudar na melhora sua qualidade de vida e sua saúde mental:
  1. Tenha hobbies terapêuticos;
  2. Se permita ter mais contato com a natureza;
  3. Aprenda a rever prioridades, a mudar o foco e valorizar o que realmente importa, onde você de fato deve direcionar sua energia;
  4. Invista nas pessoas que você consegue ter um vínculo social mais profundo;
  5. Pratique atividade física, tenha uma dieta saudável e cuide da qualidade do sono;
  6. Busque ajuda especializada se for necessário. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza.