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Estado de Minas PERIGO

Uso de cigarros eletrônicos pode causar disfunção erétil em homens

O uso do vape, como é conhecido, pode afetar não somente o sistema reprodutor masculino, mas também coração, pulmão e boca


07/08/2022 08:30 - atualizado 07/08/2022 12:39
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 cigarro eletrônico
Quase um em cada cinco brasileiros de 18 a 24 anos usaram o cigarro eletrônico pelo menos uma vez na vida (foto: Tnarg/Pexels)


Os cigarros eletrônicos estão cada vez mais entre os queridinhos dos fumantes. O vape, como é comumente chamado, funciona como um tabaco aquecido, mas a fama carrega riscos. Engana-se quem pensa que não faz mal para o organismo. Para os homens, em particular, um aspecto específico sobre o uso diário do aparelho diz respeito à saúde sexual: as possibilidades de desenvolver disfunção erétil aumentam em mais de duas vezes, como aponta estudo da revista médica American Journal of Preventive Medicine, que comparou homens fumantes e não fumantes acima de 20 anos. Já no caso dos homens acima de 65 anos, as chances de impotência sexual sobem 2,4 vezes.
 
 
Os problemas para a saúde sexual são apenas um dos fatores prejudiciais do cigarro eletrônico que, além do sistema reprodutor, também afeta, sobretudo, coração, pulmão e boca. Ainda que seja propalado como inofensivo, o cigarro eletrônico pode ser carregado de nicotina, composto que atua diretamente na inflamação do organismo, como alerta o médico urologista, fellow em cirurgia laparoscópica e robótica em Paris, mestre em oncologia e diretor presidente do Hospital Urológica, Carlos Vaz.  
 
 
“A nicotina danifica os vasos sanguíneos e prejudica a circulação, que é fundamental para o funcionamento do aparelho reprodutor masculino. No caso do cigarro, o que acontece é uma lesão vasculogênica, quando a intensidade do sangue que irriga o pênis diminui nas artérias. E o cigarro é um vilão - deteriora essas artérias. Com isso, a qualidade da ereção vai reduzindo gradativamente, até a pessoa não conseguir mais ter a ereção. Sem uma boa vascularização do órgão, não há ereção e está instaurada a disfunção,”, explica.
 
No dia a dia do consultório, o médico encontra muitas vezes pacientes adultos e saudáveis, inclusive aqueles que mantêm hábitos ruins mesmo com a pouca idade. "A maioria dos homens tratados na faixa etária entre os 20 e 50 anos, são motivados por esses hábitos adquiridos durante a vida, que causam danos cumulativos. E os danos à saúde começam a ser percebidos a curto e longo prazo. Os próximos anos dirão como de fato o cigarro compromete a saúde e a qualidade de vida dos usuários", aponta.
 
Quando a impotência já está detectada, continua o especialista, o indicado é cessar imediatamente o uso dos dispositivos eletrônicos e começar um tratamento de acordo com o grau de disfunção, se mais leve ou mais severa. O tratamento pode variar entre a administração de medicamentos e, em alguns casos, intervenções mais severas, como a injeção de remédios no local e até cirurgia. Em algumas situações é recomendado o implante de prótese peniana.
 
"O enfrentamento da impotência hoje é bem estandardizado. O tratamento clínico é fundamental quando a disfunção sexual é de causa psicogênica, quer dizer, psicológica ou emocional. Porém, quando o desequilíbrio é orgânico, esses procedimentos terapêuticos são falhos", esclarece Carlos Vaz.
 
O urologista explica que, normalmente, a causa da disfunção erétil é multifatorial. Pode acontecer, por exemplo, em associação a quadros de estresse, ansiedade, depressão, pressão alta, uso abusivo de remédios, bebida e cigarro. Também pode ter origens neurológicas e quando há lesões de nervos, como no nervo da próstata responsável pela ereção e são fatores que, cumulativamente, potencializam o surgimento da impotência - ou seja, quando um desses desequilíbrios se soma a outros.
 
"Também acontece de o paciente não saber que tem outros problemas graves que geram a impotência. Vai ao consultório para tratar a dificuldade de ereção, e acaba descobrindo outra doença. Ao contrário, a impotência não é a causa de nenhum outro problema físico de saúde", diz o médico. Mas, como em um círculo vicioso, pode piorar desarmonias emocionais, como estresse, ansiedade, depressões mais importantes, entre outros.
 
Não existe uma quantidade diária indicada para o consumo de cigarros eletrônicos para que se torne um risco maior ou menor  para a impotência. Não há margem de segurança, indica Carlos Vaz. "Esses efeitos são dose dependentes. Quanto mais cigarro se fuma, maior a chance de ter doenças graves. Nenhum fumante está isento de riscos."
 
B.M., de 39 anos, que preferiu ser identificado dessa forma, é usuário do cigarro eletrônico há dois anos. Conta que nunca fumou qualquer tipo de produto, e teve desejo de experimentar o vape depois que o dispositivo se popularizou. Ele usa o cigarro eletrônico com essências aromáticas, nas versões sem nicotina. Mas, se um amigo oferece, eventualmente, o produto com nicotina, não se furta em utilizar.

VONTADE

O consumo não é diário, acontece mais em eventos sociais. "Por exemplo, se estou em um bar bebendo, sinto vontade. Se passa alguém vendendo, eu compro", relata. Sobre o risco de surgimento da disfunção erétil, B.M. confessa que desconhecia essa informação. "Preciso pesquisar mais para entender melhor sobre o assunto. Me parece que isso pode acontecer mais com quem fuma diariamente. Mas, como todo homem teme que aconteça, seja por qual for o motivo, tenho receio sim", assume.
 
O jornalista J.S., de 22 anos, que também quer manter o anonimato, usa o cigarro eletrônico há um ano, e consome cigarro de palha há três. Para o primeiro, a frequência do uso é a cada três dias, com nicotina, além de um cigarro de palha por dia. Há seis meses, ele vem diminuindo o consumo e pretende parar de fumar até o fim de 2022. Mais do que o receio sobre a possibilidade de surgimento da impotência sexual, ele se preocupa com a saúde como um todo. "Já sabia sobre o risco da disfunção erétil. Mas o cigarro faz mal para a saúde em geral", diz.

ALERTA

O fumante brasileiro consome em média 17 cigarros convencionais por dia, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Levantamento publicado neste ano mostrou que quase um em cada cinco brasileiros de 18 a 24 anos usaram o cigarro eletrônico pelo menos uma vez na vida, mesmo que a comercialização desse produto seja proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Entre jovens de 16 a 24 anos que usam esse produto, é comum apresentar uma taxa de nicotina no organismo equivalente ao consumo de mais de 20 cigarros diariamente.
 
As primeiras versões dos cigarros eletrônicos apareceram há aproximadamente 20 anos, divulgadas com o argumento de que causam menos danos à saúde. A publicidade em torno do produto baseava-se no conceito de "redução de danos", ou como tratamento para indivíduos que desejavam parar de fumar.
 
Mas não existem estudos científicos suficientes para dar suporte a tais afirmações. Alguns especialistas alertam que  toda a publicidade relacionada a esses produtos parece estar mais voltada a conquistar novos usuários (especialmente os jovens), e praticamente ignora esse possível viés terapêutico.
 
Para os três dos principais ingredientes que aparecem nesses dispositivos (o propilenoglicol, espécie de veículo, capaz de diluir e carregar a nicotina pelo nosso organismo, a própria nicotina e as substâncias aromáticas, que imitam os mais diversos cheiros), todos juntos representam riscos à saúde em diferentes aspectos.
 
 
Palavra de especialista
 
carlos vaz, urologista
(foto: Arquivo pessoal)
Carlos vaz, urologista, fellow em cirurgia laparoscópica e robótica em Paris, mestre em oncologia e diretor presidente do Hospital Urológica
 
Cigarro comum x cigarro eletrônico
 
O cigarro comum tem mais de 4 mil substâncias nocivas. Dentre elas, 70 são cancerígenas, e essas substâncias não são encontradas no cigarro eletrônico. Mas isso não significa que o vape não faz mal. O cigarro eletrônico pode ter nicotina (é opcional) que pode ter concentração igual ao cigarro comum. Se formos pensar na quantidade de substâncias nocivas presentes nos dois, o cigarro eletrônico faz menos mal. Mas o vape também apresenta substâncias nocivas e que podem, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), provocar câncer, problemas cardiovasculares e pulmonares, sobretudo processo inflamatório grave com risco de morte. Importante frisar que, enquanto o cigarro comum causa danos a longo prazo, o eletrônico causa danos mais agudos, inclusive sendo causa de óbito entre jovens. 
 
 


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